Divisão no PMDB foi um dos fatores decisivos para derrota de Néspolo, diz presidente do PDT de Caxias  - Política - Pioneiro

Entrevista11/11/2016 | 09h34Atualizada em 11/11/2016 | 10h10

Divisão no PMDB foi um dos fatores decisivos para derrota de Néspolo, diz presidente do PDT de Caxias 

Agenor Basso, interino na presidência da sigla, avalia resultado da eleição

Divisão no PMDB foi um dos fatores decisivos para derrota de Néspolo, diz presidente do PDT de Caxias  Felipe Nyland/Agencia RBS
a divisão no PMDB, entre os que queriam e os que não queriam candidatura própria, foi um dos fatores decisivos para a derrota de Edson Néspolo (foto) Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

A onda de mudança e o discurso de gestor e da antipolítica certamente contribuíram para a vitória de Daniel Guerra. Mas, para o presidente interino do PDT, Agenor Basso, não foi somente isso. Segundo ele, a divisão no PMDB, entre os que queriam e os que não queriam candidatura própria, foi um dos fatores decisivos para a derrota de Edson Néspolo. Por isso, para ele, a manutenção da aliança no próximo pleito é ¿difícil¿.

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Nesta entrevista, o também secretário municipal de Obras, avalia o processo eleitoral e fala dos rumos do PDT. Confira os principais trechos: 

Qual a explicação para o resultado da eleição?
O candidato que ganhou (Daniel Guerra) veio trabalhando de forma contínua, durante todo o mandato, no sentido de desconstituir a atual administração e ocupar o espaço que era do PT. Nada serviu, não havia gestão, tudo estava errado. Essa forma de contestação muito vigorosa, que o PT sempre fez. Juntou outro fator, que é essa indignação que se estabeleceu em todo o país pelas revelações da Lava-Jato. Essa indignação de ver tanto dinheiro desviado que se traduziu em votar contra quem estivesse. Aqui em Caxias, dois fatores se juntaram ao natural. Um candidato que veio também dentro de uma ótica que correspondeu à vontade do eleitor, dizendo que o governo não prestava, não fazia nada, não tinha gestão. Ele capta o espírito da indignação do eleitorado e passa a ser o representante dessa revolta. 

O que vem daqui para a frente para o PDT?
Quem ganhou está se estruturando para que possa bem administrar Caxias. O grupo que perdeu continuará a vida normal de um partido. A vida das entidades e da sociedade tem continuidade. Nós, logo mais, daqui a um ano e meio, teremos uma eleição geral para deputados, senadores, governador, então, essas questões têm que ser tratadas com a tranquilidade e razão. Por isso, eu digo: perdemos, sim, perdemos, mas e aí? Vamos deixar passar um tempinho e, assim, racionalmente, pensadamente, porque existe uma questão fundamental em cada partido. Nós somos, como partido, responsáveis por um programa, cujo PDT é o canal de expressão da sociedade. Precisamos ter consciência de que, se houve uma interrupção agora, precisamos planejar para que, assumindo o poder, tenhamos condições de dar continuidade em outras eleições ou com os nossos representantes vereadores, deputados, senadores.

A próxima eleição municipal passa, então, pela eleição de 2018?
É muito tempo para a gente fazer uma avaliação, nem assumiu o novo prefeito, não deu demonstração de que vai fazer o que falou. Precisamos fazer um rescaldo, raciocinar, mesmo porque, durante esse período de dois anos pela frente, os nossos vereadores vão demonstrar qual é a linha de ação de cada um. Tem que dar tempo ao tempo. Nada tão depressa que pareça covardia, nem tão devagar que pareça provocação.

O senhor imagina que essa parceria com os partidos que hoje fazem parte do governo vai continuar?
Vou fazer uma afirmação que precisa ser concretizada. Tem que ter uma reforma político-partidária. Como chefe de gabinete, atendi muito partidos e estou convicto, não há como continuarmos com essa proliferação de partidos. Cada um que dá na cabeça inventa um partido, tem acesso ao fundo partidário, vem fazer composição para disputas eleitorais e se estabelecem discussões, acertos. Se vai permanecer ou não a atual coligação, não sei. O tempo é que vai dizer. Agora, uma constatação histórica é, onde está o poder... O poder é como um ímã, o poder atrai.

E a aliança com o PMDB pode permanecer?
Sendo bem sincero, acho difícil, por fatos que foram públicos no sentido de haver dentro do PMDB um racha, uma situação muito conflituosa, ou seja, aqueles que queriam ter uma candidatura própria foram postergando a decisão de quem seria o candidato a vice até o momento em que não tinha mais como continuar com aquela situação e foram levando. E hoje, se é aquilo que historicamente a minha vivência me demonstrou, houve uma cisão de membros proeminentes do PMDB, que foram também fator decisivo para que o candidato que ganhou, ganhasse. Não resta a menor dúvida. Houve uma cisão pesada para a coligação, o que foi uma das razões desse resultado. Do PMDB, dependendo das circunstâncias, vão buscar numa próxima eleição municipal concretizar a indicação de um candidato próprio.

Ficaram mágoas?
Não. Quem fica possuído com esse tipo de sentimento de mágoa, de rancor, de indignação, não deve nem fazer política. Existem fatos na política que acontecem que você deve ter a tranquilidade de avaliar, projetar ações para corrigir se foram ruins ou buscar argumentos. É claro que, se tu estás com alguém e o cara dá uma pisada na bola, tu olha: mas como, por quê? Dá aquela surpresa, porque até então vocês estavam juntos e de repente tu vê que está fora.

 
 

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