Chegou a hora da escolha - Política - Pioneiro

Mirante01/10/2016 | 06h08Atualizada em 01/10/2016 | 06h08

Chegou a hora da escolha

Especulações apontam para segundo turno em Caxias do Sul

Não há certeza de que o nome do futuro prefeito de Caxias do Sul seja conhecido já neste domingo. As especulações apontam para a realização de um segundo turno. Se for confirmada esta hipótese, os caxienses saberão quem será o governante para o mandato 2017/2020 somente em 30 de outubro.

As duas últimas eleições municipais tiveram decisão em primeiro turno. Com seis candidatos a prefeito, um a mais do que no último pleito, o índice de satisfação do eleitor com os 12 anos do atual grupo que comanda o município é o que norteia a disputa eleitoral na cidade.

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Mas, todos os candidatos, Assis Melo (PCdoB), Daniel Guerra (PRB), Edson Néspolo (PDT), Francisco Corrêa (PSOL), Pepe Vargas (PT) e Vitor Hugo Gomes (Rede), tiveram um desafio em comum: passar credibilidade ao eleitor, o que anda muito em falta tratando-se de políticos.

O resultado da eleição em Caxias terá reflexo direto na disputa de 2018 em todos os partidos.

Confira a seguir, como eles se tornaram candidatos e o que marcou a trajetória. Veja também momentos de alguns candidatos nos bastidores do debate na RBS TV, na noite de quinta-feira.

Assis Melo

Assis Melo volta a ser oposição ao governo municipal, após seu partido ter participado da administração de Alceu Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

A campanha de Assis Melo (PCdoB) teve pouca visibilidade e estrutura. O presidente licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos retorna à cena após não ter conseguido se reeleger deputado federal em 2014.

A projeção nesta eleição está diretamente ligada a 2018, tanto que seu discurso principal foi direcionado à questão nacional, uma vez que o PCdoB foi ferrenho defensor de Dilma. O PCdoB concorre sozinho.

Pela segunda vez, Assis disputa a prefeitura na oposição, mas vale lembrar que em 2012, passada a eleição, os comunistas aderiram ao governo Alceu. Permaneceram na prefeitura até o início de 2016. A transformação do PCdoB em aliado nunca foi totalmente digerida.

Neste ano, Assis voltou a ser oposição, confrontando o candidato governista. Mas é fato que o PCdoB conseguiu uma certa vitrine nos últimos quatro anos por ser detentor da Secretaria de Habitação, com Renato Oliveira, abrindo espaço para um suplente na Câmara de Vereadores.

Daniel Guerra evitou confraternizar com adversários Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Daniel Guerra

A campanha de Daniel Guerra (PRB) está alicerçada nas posições e imagem do candidato, que é vereador em segundo mandato. De manifestações fortes contra o governo municipal, acabou sendo expulso do PSDB em 2013, partido pelo qual foi eleito. Ao contrário do que imaginavam tucanos e demais governistas, Guerra ganhou popularidade e apoio.

Na Câmara de Vereadores, foi uma pedra no sapato de Alceu Barbosa Velho (PDT). Sem papas na língua, é rejeitado pelos governistas, que lhe imputam apelidos para tentar enfraquecê-lo.

Guerra, porém, foi secretário no primeiro governo de Sartori (concorreu a vereador em 2004 e não foi eleito). O impulso político através do espaço no governo Sartori é alvo de cobranças na campanha. E Guerra não pode negar a vinculação no passado com o grupo que hoje está no poder.

 É crítico aos partidos, porém, apesar do descrédito das siglas no país, é fato que o candidato depende delas para ter mandato na Câmara, para concorrer e ter espaço no horário eleitoral gratuito. Tem apoio do PR e PEN.

Edson Néspolo

Apesar da proibição, celular acabou sendo usado dentro do estúdio Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

A campanha da coligação Caxias para Todos, do nome da situação Edson Néspolo (PDT), usa a renovação como estratégia para se descolar do desgaste natural da administração há 12 anos no poder. Trata-se, porém, da extensão dos governos que vêm desde 2005. Tanto que a campanha trabalhou forte para que a mão de Néspolo fosse reconhecida como participante ativa das (boas) ações realizadas desde que José Ivo Sartori (PMDB) assumiu a prefeitura.

A troca do nome na cabeça de chapa se deu porque o prefeito Alceu Barbosa Velho (PDT) optou por não concorrer a um novo mandato, alegando motivos pessoais e contrariedade à reeleição. Néspolo disputou internamente no partido a indicação em 2004 para ser vice na chapa de Sartori. Perdeu para Alceu. Desde então, ocupou postos-chave nas administrações, a exemplo da badalada Festa da Uva. Na ordem sucessória dentro da coligação, Néspolo era o primeiro da lista.

A partir da formação original em 2004, a coligação saltou de cinco para 21 partidos. Como em 2012, a ¿mão¿ que pesou na costura eleitoral de 2016 foi a do governador. Indiretamente, ele volta às urnas na cidade que o projetou. Some-se aí a relação do vice-prefeito e candidato à reeleição, jornalista Antonio Feldmann (PMDB), próxima do governador. O vice se refere a Sartori e à primeira-dama Maria Helena como sua segunda família. 

Francisco Corrêa

Francisco Corrêa (PSOL) fez uma campanha bem simples Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

O candidato Francisco Corrêa (PSOL), servidor municipal aposentado, é o menos conhecido dos pretendentes ao cargo de prefeito. Ele tentou concorrer no pleito de 2012, mas perdeu na prévia do partido para Luís Fernando Possamai. O partido não elegeu vereador.

Corrêa é ponderado, fala com consistência, não usa de artifícios para chamar atenção. A campanha do PSOL foi extremamente simples, limitando-se ao espaço gratuito em rádio e TV e algumas postagens no Facebook. 

Pepe Vargas

Pepe (PT) e Néspolo (PDT) em convesa com Fabris, vice de Daniel Guerra, na RBS TV Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

A campanha de Pepe Vargas (PT) usa como apelo o amor por Caxias, tendo o legado do petista em seus governos como a principal bandeira. Ele se projetou politicamente como vereador (1989/1992), ao abrir mão do reajuste de 99% incorporado nos salários dos legisladores em exercício.

Tornou-se prefeito em 1996, reeleito em 2000. Apesar do alto índice de aprovação do governo, não elegeu a sucessora, a então candidata Marisa Formolo, no pleito de 2004. Tornou-se deputado federal, ocupando postos de ministro de Dilma Rousseff.

Em meio a todo o desgaste enfrentado pelo partido, que culminou com o impeachment de Dilma e as denúncias contra o principal líder da sigla, o ex-presidente Lula, a candidatura de Pepe não angariou adesões partidárias. O PT chegou a anunciar a articulação de uma frente de esquerda, que não vingou.

Pepe só foi anunciado candidato na convenção, evitando torpedos antecipados pelas denúncias de corrupção em âmbito federal. O uso discreto dos símbolos petistas foi motivo de críticas. A campanha em nada lembra os tempos de glória do partido.

Vitor Hugo Gomes

Vitor Hugo Gomes representa a Rede Sustentabilidade Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

A Rede Sustentabilidade estreia na cidade com a candidatura de Vitor Hugo Gomes. O ex-petista adotou um posicionamento bem claro contra o candidato Pepe Vargas, de quem foi secretário municipal.

Vitor percorreu o caminho da líder do partido, Marina Silva, deixou o PT, foi para o PSB e após para a Rede. Sua candidatura enfrentou divergências internas antes de ser oficializada e por pouco não naufragou. Apesar do discurso do novo, a Rede não agregou apoios. 

 
 
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