Mansueto Serafini comenta eleição em Caxias do Sul: "Não dá para dizer quem vencerá" - Política - Pioneiro

Entrevista24/09/2016 | 13h00Atualizada em 24/09/2016 | 13h00

Mansueto Serafini comenta eleição em Caxias do Sul: "Não dá para dizer quem vencerá"

Ex-prefeito lança livro sobre história das eleições caxienses na terça-feira

Mansueto Serafini comenta eleição em Caxias do Sul: "Não dá para dizer quem vencerá" Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Para Mansueto, pela lógica, Edson Néspolo deve ser o novo prefeito Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

As memórias do ex-prefeito Mansueto Serafini viraram livro e serão compartilhadas com o público na próxima semana. A obra História das eleições municipais de Caxias do Sul, que traz dados estatísticos, comentários e depoimentos em 308 páginas, será lançada na terça-feira, às 18h30min, na Câmara de Vereadores.

Mansueto reuniu o material de arquivo que tinha em casa, como as reportagens publicadas por ele no Caxias Magazine, jornal semanário que circulou entre 1958 e 1970, para a produção do livro. Nos últimos quatro meses, dedicou-se à pesquisa de dados e à redação final da obra, que será publicada pela editora da Universidade de Caxias do Sul (Educs). 

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Nesta entrevista, concedida na tarde de sexta-feira, Mansueto, que foi prefeito por dois mandatos (1977-1982 e 1989-1992), adianta algumas histórias que estão no livro e fala sobre o cenário eleitoral em Caxias neste ano. Confira os principais trechos: 

Pioneiro: Como foi o processo de elaboração da obra?
Mansueto Serafini:
Eu tinha todos os dados de 1947 para cá. Claro que não assisti à eleição de 1947, porque recém tinha saído das fraldas, mas me interessei pelas eleições de Caxias desde que criei o jornal (Caxias Magazine), principalmente a de 1947, que foi a primeira pós-fim do Estado Novo, a primeira eleição democrática na história de Caxias. Fiz uma série de reportagens para o Caxias Magazine sobre as eleições. Quem ganhou aquele eleição foi o Luciano Corsetti, e eu ouvi diversas vezes o Luciano. Ele gostava de dormir tarde, ficava até uma da manhã falando comigo. A partir de 1955, eu tive uma participação direta e indireta. Em 1955, meu pai foi candidato a prefeito. E as demais eu as vivi. Então, contei a minha versão sobre essas eleições. Claro que os dados estatísticos estão corretos, mas dei a minha opinião. Para não se tornar um negócio muito chato, eu termino com o folclore político de Caxias, contando algumas passagens engraçadas. 

Qual história o senhor destacaria do livro?
Veio a Caxias o Walter Jobim, que era governador do Estado, cuja esposa era uma senhora reforçada, e aí o Luciano Corsetti (prefeito) ofereceu um banquete no Clube Juvenil. Ela era reforçada porque comia bem, e na época se dizia que a pessoa que comia muito era de bitola larga. E o Luciano sentou ao lado da senhora do governador e viu que ela comia bem. Quando ela pediu o quinto prato de massa, ele se espantou e disse: "poxa, a senhora é de bitola larga." No outro dia, foram levar o governador para conhecer Caxias. Passaram na Praça Dante e não tinha ninguém sentado na praça. Passaram nos cafés defronte à praça, nenhuma pessoa, e o Luciano se orgulhando: "governador, isso é Caxias, não tem vagabundo, está todo mundo trabalhando." Foram visitar diversos pontos da cidade e se dirigiram à represa São Miguel e encontraram uma menina puxando uma vaca. Era o exemplo que ele precisava. "O senhor está vendo? Essa menina deve ter 10 anos e já está trabalhando. Isso é Caxias." Aí, o Luciano chamou a menina e perguntou onde ela ia levar a vaca. A menina respondeu que levaria ao touro. A senhora do governador ficou vermelha e o Luciano, sem saber o que fazer, disse: "Mas minha filha, teu pai não podia fazer um serviço desses?". "Não, prefeito, só o touro". O Luciano contava isso como episódio dele, depois os parentes dele contaram que ele inventou isso como piada. 

Qual foi a eleição mais importante?
A de 1947, porque até então não tinha havido tido eleições. Depois, as minhas eu achei as mais importantes. Eu sempre fui contra o poder econômico e na eleição de 1976, meu adversário era o Victor Faccioni, que tinha sido chefe da Casa Civil do governador (Euclides) Triches. Nessa eleição, vieram para Caxias o presidente (Ernesto) Geisel, o governador do Estado, que era o Sinval Guazzelli. Foi uma campanha milionária. O Faccioni percorria a cidade com um fotógrafo que fotografava ele com as pessoas e depois, com uma dedicatória, ele mandava a foto para a pessoa que saiu com ele. Uma propaganda enorme, com postes coloridos, carros de som, e nós do MDB sem recursos. Aí, veio um cidadão de Porto Alegre, que havia feito a campanha (de imagem) do (Emílio Garrastazu) Médici, para fazer a nossa campanha. A nossa propaganda foi feita em tipografia comum, letra meio apagada, uma propaganda feia. E eu fui nos bairros e dizia que era a campanha do tostão contra o milhão. Claro que isso chamou a atenção da Arena e eles mudaram tudo e nós entramos no final com um programa de governo colorido e um jornal. No final da campanha, superamos a Arena e ganhamos pela maior diferença da história de Caxias. Fiz 58% dos votos. Essa foi a campanha mais difícil. 

Livro de Mansueto conta histórias das eleições e passagens engraçadas dos pleitos em Caxias Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

O que o senhor está achando da campanha eleitoral deste ano?
Não estou acompanhando muito, vejo só pela televisão, mas pela lógica daria o candidato (Edson) Néspolo. Entretanto, tem pessoas que têm receio de votar nele porque viria comprometido com uma série de partidos. O Pepe (Vargas), que é um grande sujeito, gosto muito do Pepe, mas tem de carregar o PT num momento difícil, e tem uma surpresa que a gente verifica, não sei se vai ser manter assim, é o (Daniel) Guerra. É uma eleição que não dá para dizer agora quem será o vencedor. Acho que o favorito seria o Néspolo. Mas em eleição nem sempre ganha o favorito. 

Mas pela sua experiência, se decide no primeiro turno ou vai para o segundo turno?
Pode se decidir no primeiro turno, mas não se sabe claramente. Mas não posso dizer, porque não acompanhei, não tenho ido a bairros. Aqui no Centro vi um crescimento do Guerra. Pode disparar um candidato como pode dar uma eleição equilibrada. 

Em quem o senhor vai votar?
Eu sou do PTB. O PTB está nessa composição (de Néspolo). 

Qual conselho o senhor dá aos candidatos a prefeito nesta reta final de campanha?
Que pensem em Caxias acima de tudo. Eu sempre tive a ideia e, aliás, fui eleito porque dizia que o meu partido era Caxias. Claro que havia um interesse nisso, tenho de confessar, porque o meu partido era pequeno. Então, quando todos os outros diziam "esse homem não tem partido", eu dizia: "realmente, eu não tenho partido, esse partido me emprestou a legenda." 

O governador José Ivo Sartori, que usou o slogan "Meu partido é o Rio Grande", lhe copiou, então? (Risos)
Eu até brinquei com ele. Ele dizia que "O meu partido é o Rio Grande", então, disse que ele ia ter que me pagar direitos autorais (risos). 

E qual conselho para quem for eleito para governar Caxias nos próximos quatro anos?
Eleita, a pessoa deve deixar de lados os interesses partidários e governar para todos. Porque ele vai ganhar, mas tem uma parcela da população que não votou nele. Ele tem de realizar um governo que atenda todas as necessidades de Caxias. Felizmente, podemos nos dar por satisfeitos que Caxias, no decorrer dos anos, teve prefeitos honestos. Não temos essas desgraças que ocorreram a nível federal, envolvendo, porque não é só o PT, estão dando a culpa para o PT, mas e o PMDB? A maioria desses casos envolveu o PMDB.


 
 

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