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História do governador26/10/2014 | 18h39

Militância política de Sartori teve início no DCE da Universidade de Caxias do Sul

Largada do novo governador foi no movimento estudantil

Militância política de Sartori teve início no DCE da Universidade de Caxias do Sul Álbum de família, reproduzidas do livro Andanças, divulgação/
Gestão de Sartori no DCE promoveu a apresentação de Chico Buarque no colégio do Carmo em tempos de contestação à ditadura Foto: Álbum de família, reproduzidas do livro Andanças, divulgação

O político José Ivo Sartori foi forjado no movimento estudantil, sendo impulsionado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) para seu primeiro cargo público: a eleição para vereador de Caxias do Sul, em 1976. Era chamado de Zé Ivo.

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Trinta e oito anos depois, o gringo natural de Farroupilha e ex-prefeito de Caxias do Sul conquistou o principal cargo político no Estado. A partir de 1º de janeiro de 2015, passará a despachar do Palácio Piratini, como governador.

A Igreja Católica teve forte influência em sua formação e foi justamente no seminário que Sartori despertou para a política. Atuando na clandestinidade do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partidão, Sartori definiu os posicionamentos ideológicos. Em 1974, vigorava o bipartidarismo — o MDB, que aglutinava as oposições, e a Arena (Aliança Renovadora Nacional), de sustentação ao regime. Sartori e vários companheiros ingressaram no MDB.

A liderança à frente do diretório estudantil fez com que o PCB o escolhesse para representá-lo como candidato a vereador. Os votos dos comunistas o levaram à Câmara Municipal.

A atuação no DCE (1972 a 1975) voltava-se, especialmente, para a área cultural e a federalização da UCS. Foi em sua gestão a apresentação de Chico Buarque no colégio do Carmo,  durante o Circuito Universitário, em tempos de contestação à ditadura.  A semente dessa militância foi plantada em 1962, quando ingressou no grêmio da Escola São José, em Antônio Prado. Três anos depois, Sartori presidiria o mesmo grêmio, alicerçado na Juventude Estudantil Católica (JEC). Depois, vieram o seminário, o DCE e, naturalmente, a vida pública, somando-se 36 anos de mandatos.

Quinze dias após ingressar no Seminário Nossa Senhora Aparecida, em Caxias, em 1966, já estava envolvido na fundação do grêmio. O novo integrante era visto como uma pessoa com maior vivência, descontraído e com liderança. A militância de esquerda começou em 1969, no Seminário Maior, em Viamão.  Eram anos de ditadura e repressão. "Nós fazíamos panfletagem de madrugada, produzindo textos e fazendo cópias no mimeógrafo", diz Sartori, em um trecho do livro Andanças, sobre sua vida, lançado neste ano.

Militância no Partidão

Com o fim do bipartidarismo, em 1979, Sartori  seguiu para o sucessor PMDB, onde permaneceu por toda a vida pública.

Quando o PCB saiu da clandestinidade, em 1985, já era deputado estadual. A decisão de continuar no PMDB, não foi absorvida com normalidade. Os antigos companheiros queriam que, assim como eles, Sartori retornasse ao Partidão. A opção pelo PMDB é lembrada por Arcangelo Zorzi Neto, o Maneco, 57. Eles se conheceram na militância estudantil e fortaleceram a amizade quando passaram a trabalhar juntos em uma livraria, a Sulina. Foi Sartori que o convidou para militar no PCB, na época da clandestinidade.

— A única vez que briguei com ele foi quando teve a legalização dos partidos e nós achávamos que todo mundo tinha que ir para o Partidão. Nossa briga durou uns seis meses, depois fizemos as pazes e ficou tudo beleza.

João Tonus, 66, foi um dos líderes do PCB em Caxias, após a legalização. 

— Como Sartori tinha sido eleito com o apoio do PMDB (deputado estadual), disse que era muito ruim assumir outro partido naquele momento. Internamente, ele era o candidato do Partidão, mas o voto de massa foi mais amplo. Já para vereador, foi um trabalho mais nosso, do meio estudantil.

 
 
 

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