Declarações de presidente da CIC geram críticas na Câmara de Vereadores de Caxias - Colunas da seção Mirante - Política: deputados, prefeitos e mais - Pioneiro
 
 

Mirante10/07/2020 | 10h46Atualizada em 10/07/2020 | 10h55

Declarações de presidente da CIC geram críticas na Câmara de Vereadores de Caxias

Ivanir Gasparin questionou por que servidores públicos não podem reduzir salário

Declarações de presidente da CIC geram críticas na Câmara de Vereadores de Caxias Gabriela Bento Alves/Divulgação
Vereadores se pronunciaram na sessão da Câmara Foto: Gabriela Bento Alves / Divulgação

As declarações do presidente da CIC, Ivanir Gasparin, sobre redução de salário do servidor público, repercutiram na Câmara de Vereadores na sessão desta quinta-feira (9), motivando críticas. Em entrevista à rádio Gaúcha Serra, na terça-feira, o presidente da CIC disse que "o setor público não está fazendo a sua parte. Ele está em casa e com o salário integral, e nesse sentido vai minha crítica". Gasparin disse ainda: "todas as empresas de Caxias estão com uma redução salarial de seus colaboradores na ordem de 25% e até 50%. Por que o funcionalismo não pode reduzir salário ou então sua carga horária?"

Quem levantou o assunto na Câmara foi Denise Pessôa (PT), dizendo que Gasparin foi muito infeliz ao afirmar que o servidor público não está fazendo a sua parte.

– Talvez seja o que mais faz, porque os serviços da saúde, da educação, da assistência social estão todos sendo realizados por servidores públicos, policiais que estão colocando suas vidas em risco para nos proteger e para manter o serviço público em andamento. 

A petista disse que "talvez o presidente da CIC não saiba, mas as pessoas que estão em casa não estão de pernas para o ar. Estão trabalhando talvez mais do que se estivessem presencial". E falou dos relatos de professores que estão em casa atendendo alunos via internet noite adentro.

Leia mais
"Por que o funcionalismo não pode reduzir seu salário ou sua carga horária?", questiona o presidente da CIC de Caxias

– Ou o presidente da CIC não conhece o serviço público ou está agindo de má-fé. Porque tem muita opinião para tudo, mas na hora de cobrar do presidente da República recursos, seja para o pequeno e o microempresário, aí não cobra, não tem opinião sobre isso – bombardeou Denise.

– Tem que avisar a CIC que servidor público também consome. Não é redução de salário que vai auxiliar a economia. Tem que ouvir da CIC o que pensam sobre taxar grandes fortunas, sonegação de impostos. Só quer lucrar em cima de uma crise – acrescentou ela.

Alberto Meneguzzi (PSB) disse que alguns partidos sempre querem denegrir a imagem do servidor, culpar o servidor público, mas nunca apresentam caminhos. 

_ Aí, quando tem que pensar em aeroporto, quando tem que pensar na iniciativa privada agindo, aí o Estado tem que agir, o Estado tem que desapropriar, o Estado tem que pagar, o Estado tem que bancar. Aí é o Estado. Quando é o discurso fácil não é o Estado, é o Estado mínimo, é o servidor que tem que pagar essa conta _ declarou Meneguzzi.

Ele completou:

_ Realmente é lamentável. [...] Aliás, foi um presidente da CIC que puxou algumas reuniões aqui em época eleitoral, mas não conseguiu convencer os empresários colegas dele. Que boa parte dos votos do empresariado, de lideranças da CIC, foram para deputados de fora daqui de Caxias do Sul, que fizeram os maiores votos aqui. Fazia um discurso para votar nos candidatos daqui, mas, na prática, a campanha era para os candidatos de fora. 

O vereador Renato Oliveira (PCdoB) declarou:

– O presidente da CIC não está em Caxias. Ele deve estar em casa. 

Ele citou a atuação de várias secretarias, Guarda Municipal, Bombeiros, Samae, diante da pandemia.

– Os professores não estão na sala de aula porque não podem. Se cada um cuidasse do seu feijão com arroz na sua casa, funcionaria muito melhor. Setor público e privado têm que estar com salário em dia. Quando não tem o que falar...  Não é hora de falar essas coisas, tem que estar junto – acrescentou Oliveira.

O pedetista Rafael Bueno emendou:

– Sugiro que o presidente da CIC venha a público e se retrate, que cite as categorias que realmente estão tendo regalias, benefícios a mais do que outras. Ele falou meias verdades e isso pode prejudicar muitas categorias, como os professores estaduais, que estão tendo parcelamento de salários há seis, sete anos.

Leia também
Governo tampão de Flávio Cassina e Elói Frizzo completa seis meses em Caxias

 
 
 
 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros