Disputa por eleitores fica evidente em votação sobre ensino de Libras nas escolas de Caxias - Colunas da seção Mirante - Política: deputados, prefeitos e mais - Pioneiro
 
 

Mirante14/08/2019 | 07h00Atualizada em 14/08/2019 | 07h00

Disputa por eleitores fica evidente em votação sobre ensino de Libras nas escolas de Caxias

Rafael Bueno (PDT), que tem proposições para a comunidade surda, reagiu ao projeto de Rodrigo Beltrão (PT), dizendo que era uma falsa ilusão

Disputa por eleitores fica evidente em votação sobre ensino de Libras nas escolas de Caxias Pedro Rosano/Divulgação
Rodrigo Beltrão revidou: "Falou em Libras aqui na Casa, existe o monopólio do vereador Rafael Bueno" Foto: Pedro Rosano / Divulgação

A disputa político-eleitoral aflorou com tudo na votação do projeto sobre a inserção do ensino de Libras na rede municipal de educação. A proposta do vereador Rodrigo Beltrão (PT) foi aprovada nesta terça-feira (13), tendo o voto contrário do líder do governo Renato Nunes (PR). Mas as reações, numa clara demarcação de território, não se limitaram ao governista. 

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O vereador Rafael Bueno (PDT) não conseguia esconder o desagrado com uma possível projeção de Beltrão junto à comunidade surda. Para surpresa, o pedetista, adversário ferrenho do prefeito Daniel Guerra (PRB), até o defendeu. 

Rafael enveredou para a cobrança de haver profissionais hoje na rede municipal — professores, pedagogos ou professores de Língua Portuguesa — capacitados para dar aula de Libras.

— O projeto é muito bom, mas a gente sabe que na prática não vai ser adaptado. É uma falsa ilusão, uma falsa ideia de que os nossos alunos serão correspondidos com ensino de Libras, os professores não são capacitados, não aprendem — disparou o pedetista.

Diante do fato de Beltrão ter protocolado o projeto em 9 de junho de 2015 às 16h29min e Guerra ter ingressado às 17h21min do mesmo dia com proposta idêntica, o sempre adversário do governo disse:

– Não podemos centralizar o debate em quem protocolou antes, quem protocolou depois. Se o ex-vereador Daniel Guerra protocolou o projeto 52 minutos depois é porque ele já tinha no gabinete pronto, sei lá o quê, ele se passou... — afirmou Rafael.

Quem diria!

Beltrão ironizou. Disse que o defeito de seu projeto era não estar assinado por Rafael Bueno, lembrando que o artigo 5º define três anos para implementação.

— De repente Vossa Excelência possa ser vencedor da eleição, ser prefeito, ser secretário e vai ter tempo de implementar, de fazer capacitação. Então, nós não podemos pensar pequeno nesse momento e desconstituir um projeto construído a várias mãos — e eu tenho prova disso — apenas porque sentiu que eu invadi um terreno que acha que é seu. Botou grades, portões... Falou em Libras aqui na Casa, existe o monopólio do vereador Rafael Bueno — respondeu o autor do projeto. 

Necessidade

Rodrigo Beltrão prosseguiu dizendo que não está inventando a roda, apenas está reprisando no município uma necessidade que vem desde 2002, quando foi sancionada a lei federal, que instituiu o ensino de Libras como segunda língua oficial.

Rafael é autor da lei que prevê intérpretes na salas de teatros de Caxias e legendas nos cinemas em filmes nacionais em Caxias, além de outros projetos protocolados voltados para a comunidade surda. Ao final, votou a favor do projeto do petista.

Movimento governista

Renato Nunes se movimentou para impedir a aprovação, amparando-se em pareceres de inconstitucionalidade, que foram derrubados pela Casa em novembro de 2017. O projeto de Guerra, de 2015, ficará apensado ao do petista. A ideia era que o projeto fosse derrubado para que Guerra enviasse a sua versão pelo Executivo — e, claro, também faturasse politicamente. 

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