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Mirante31/07/2019 | 21h00Atualizada em 31/07/2019 | 21h08

Vereador e assessora de deputado têm desentendimento na Câmara de Caxias

Interrupções feitas durante discurso de Alberto Meneguzzi, na sessão desta quarta-feira, motivaram bate-boca

Vereador e assessora de deputado têm desentendimento na Câmara de Caxias Maiara Zanatta Gallon/Divulgação
"A senhora pode tomar chazinho na Assembleia", disse Alberto Meneguzzi Foto: Maiara Zanatta Gallon / Divulgação

Um mal-estar envolvendo o vereador Alberto Meneguzzi (PSB) e a assessora do deputado estadual Luciano Zucco (PSL), Ana Cristina dos Passos (PSL), na sessão desta quarta-feira (31) da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, chamou atenção. Da tribuna, Meneguzzi bateu boca com a assessora que estava na plateia, por ela revidar às suas declarações. O vereador disse que ela deveria estar na Assembleia Legislativa e reclamou que estava sendo interrompido por um cargo de confiança do deputado Zucco, mandando-a "tomar chazinho na Assembleia".

O vereador discursava falando de sua indignação diante de postagem do prefeito Daniel Guerra (PRB) criticando a imprensa — classificando de "álibi dos omissos", por não querer ser questionado —, e prosseguiu dizendo que a autoridade maior do Município publica notícias falsas nas suas redes sociais, e então disse que "é exatamente a mesma postura do presidente (Jair) Bolsonaro".

— É a cópia, miniatura do presidente Bolsonaro o prefeito Guerra — afirmou.

Meneguzzi citou o editorial do jornal O Globo, de que "Bolsonaro ganhou uma eleição plebiscitária e que continua ainda fazendo campanha" e afirmou que o mesmo ocorreu em Caxias em 2016.

— Foi uma eleição plebiscitária. As pessoas não votaram em sã consciência — disse Meneguzzi.

Interrupção e reação

Neste momento, houve manifestação de Ana Passos na plateia. E o socialista revidou:

— A senhora é cargo de confiança do deputado Zucco? A senhora está a trabalho? Então a senhora presta contas. [...] A senhora vinha aqui toda hora criticar cargo de confiança e agora a senhora recebe dinheiro público. [...] Então, trabalhe. Trabalhe. Cargo de confiança da Assembleia Legislativa.

Foram várias as interrupções e consequentes revides do vereador:

— Pede para ele (Zucco) vir para Caxias lutar pelas coisas de Caxias. [...] A senhora deveria estar na Assembleia. Qual o endereço da sede do deputado Zucco em Caxias do Sul? [...] A senhora pode tomar chazinho na Assembleia. [...] É esse tipo de cargo de confiança que vem aqui representar o deputado Zucco? [...] Leve as demandas de Caxias do Sul para ele. Até agora, ele não apareceu aqui em Caxias do Sul — disparou, lembrando que o deputado fez expressiva votação na cidade.

Rafael Bueno (PDT) deu seu pitaco:

— Presidente, por favor, pede para essa mulher parar de torrar a nossa paciência aqui.

:: É importante destacar que a presença de assessores de parlamentares na Casa, assim como a de qualquer cidadão, não pode ser questionada. Ao mesmo tempo, é comum que deputados tenham assessores atuando em outras cidades.

Ana Cristina dos Passos, assessora do deputado Zucco, gravou vídeo Foto: Reprodução / Facebook

"Novamente hostilizada"

Quando Ana Cristina dos Passos deixou a sessão, gravou um vídeo que postou em suas redes sociais. Disse que "mais uma vez" foi hostilizada por Meneguzzi. Segundo ela, todas as vezes que vai à sessão, o vereador provoca e ofende diretamente o Governo Bolsonaro.

— Ele fez uma ofensa a todos os eleitores do Jair Bolsonaro na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, dizendo que o Governo Bolsonaro se elegeu porque o pessoal foi na onda, porque foi influenciado. Querendo dizer, então, que o povo brasileiro é idiota e não tinha consciência em quem estaria votando — afirmou a assessora.

Ela admite que não pode interromper vereadores, mas diz que não conseguiu se controlar.

— Realmente eu rebati e ele me questionou, então, o que eu estava fazendo ali, sendo assessora, cargo de confiança do deputado estadual, porque eu não estava na Assembleia no meu horário de trabalho. Eu gostaria de esclarecer para ele, para mais alguém que tiver alguma dúvida, eu sou uma assessora regional, a minha sede é na Assembleia, porém, eu trabalho em toda a região da Serra gaúcha — argumenta.

— Não é irregular, não é ilícito. Eu estou a trabalho, eu estou trabalhando, faz parte do meu trabalho.

Ao Mirante, ela afirmou que o vereador se sente desconfortável com sua presença na Câmara, por ele ser contra o Governo Bolsonaro.

— Para ele, eu represento o governo quando estou na Câmara.

Ela disse que nesta quinta-feira irá novamente à sessão.

Conforme o Portal da Transparência, o salário líquido da assessora em junho foi de R$ 2.942,56.

Reclamação oficial

Meneguzzi pediu ao presidente da Câmara, Flavio Cassina (PTB), que seja feito um ofício endereçado ao deputado Luciano Zucco e à Assembleia Legislativa. Segundo o vereador, dando conta do comportamento da assessora na plateia.

Ele disse que não houve ofensa por parte da assessora. 

Meneguzzi admite que também se alterou e que sua manifestação, questionando a presença de Ana na Casa, foi no calor do momento.

— Nenhum assessor interrompe, falando alto. Ela estava com o crachá da Assembleia. Achei inoportuno.

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