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Mirante07/07/2019 | 20h49Atualizada em 08/07/2019 | 16h00

Em Caxias, 12 vereadores pisam em ovos ao opinar sobre os diálogos entre Moro e Dallagnol

Para colunista, os vereadores podem e devem assumir suas posições, sem receio

Em Caxias, 12 vereadores pisam em ovos ao opinar sobre os diálogos entre Moro e Dallagnol Gustavo Tamagno Martins/Divulgação
Foto: Gustavo Tamagno Martins / Divulgação

Chama atenção o extremo cuidado de 11 vereadores, a metade da Câmara, para emitir uma opinião sobre os diálogos que seguem sendo divulgados por The Intercept, Veja, Folha de São Paulo e o jornalista Reinaldo Azevedo, na Band News. Os diálogos comprometem especialmente o ex-juiz e atual ministro Sergio Moro e o coordenador da força-tarefa da Lava-Jato pelo Ministério Público Federal, procurador Deltan Dallagnol.

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Os vereadores pisam em ovos. Chegam ao “radicalismo”  ao dizer que, “se a denúncia for confirmada, quem deve julgar o fato é a Justiça”, como respondeu Edson da Rosa (MDB). Isso é evidente. Além dos 11, outros quatro entendem que os diálogos não atropelam o devido processo legal. Esses opinam.

Entre os seis que entendem que, sim, os diálogos atropelam o processo legal, pelo menos uma resposta, a do vereador Rafael Bueno (PDT), foi extraída quase que a fórceps, pela reportagem, depois de insistentes tentativas. Bueno se limitou a dizer: “Acho que a tentativa foi de interferir no processo.”

Ficou explícito o temor demonstrado por pelo menos 12 vereadores (os 11 que pisam em ovos, mais Bueno) em manifestar opinião. Ora, os vereadores podem e devem assumir suas posições, sem receio. É salutar para a democracia, é honesto com seus eleitores, é transparência. Já há um conjunto factual que permite juntar diversas pontas e emitir opiniões, com domínio de contexto e das informações, que é o que se espera de vereadores e não declarações tímidas, que jogam a bola para a Justiça. 

Os pedetistas

A posição de Bueno e de Gustavo Toigo são contrárias à da principal liderança pedetista em Caxias do Sul, Alceu Barbosa Velho (PDT), que é de defender a Lava-Jato. Os dois entendem que, no caso dos diálogos, houve atropelo ao devido processo legal. Em se tratando de temas políticos mais polêmicos e espinhosos, a liderança pedetista mais lúcida na Câmara tem sido Gustavo Toigo.

Aliás, o PDT caxiense segue sua sina de partido dividido: Ricardo Daneluz e Velocino Uez alinham-se com Alceu.

Regras do jogo

O mérito do debate em torno dos diálogos vazados entre o ex-juiz Sergio Moro e procuradores, em especial Deltan Dallagnol, deve centrar-se nas regras do jogo, no respeito ao processo legal. É isso o que precisa estar garantido.

A situação do ex-presidente Lula contamina o debate, porque politiza e grenaliza. O debate é muito mais amplo, é sobre respeito às regras do jogo.

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