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Entrevista30/10/2018 | 08h10Atualizada em 30/10/2018 | 08h10

"Primeiro é colocar o salário em dia", afirma governador eleito Eduardo Leite 

Em entrevista à Rádio Gaúcha, ele admitiu que complexidade do setor penitenciário exige pasta exclusiva

"Primeiro é colocar o salário em dia", afirma governador eleito Eduardo Leite  Fernando Gomes/Agencia RBS
"Não tem como negar que a crise existe. Não posso prometer aquilo que não posso cumprir" Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS
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Um dia após ser eleito com 53,62% dos votos e de comemorar ao lado da família e de apoiadores, o futuro governador do Estado, Eduardo Leite (PSDB), afirmou que está pronto para começar a montar sua equipe. Entrevistado no programa Gaúcha Atualidade, Leite agradeceu a todos os eleitores e afirmou que tem a "noção da responsabilidade de corresponder às expectativas dos gaúchos".

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Confira os principais trechos da entrevista.

O Rio Grande do Sul sempre teve a lógica do conflito entre governo e oposição. O senhor vê a possibilidade de quebrar essa lógica?
Trabalharei por isso. A campanha que fizemos foi sempre respeitosa. Tivemos confronto de visão, de forma de governo, embora eu tenha sido duramente atacado pelas fake news, mentiras, boatos. Mas para mim isso são águas passadas. Queremos olhar para a frente com a noção da responsabilidade que temos para com o povo gaúcho, pelo estabelecimento de um consenso estratégico. Devemos nos unir em torno de um propósito, que deve ser a reforma na estrutura do Estado para que seja mais eficiente, mais moderno, menos oneroso, com menos custo para a sociedade e com mais resultado. Isso demanda que possamos estabelecer o foco no ataque aos problemas, e não às pessoas. Eu não entro no governo com nenhuma expectativa de exterminar quem não está comigo, que é um pouco do que entrou na política nacional. 

A partir de um pedido de ouvinte, existe algum sinal para os professores em matéria salarial?
É impressionante como essa classe está angustiada. Em todos os lugares que eu fui, em todos eventos de campanha, sempre em diversos momentos, vinha alguém me abraçar e com um olhar de cobrança, como que dizendo: "olhe pelos professores". Eu compreendo isso, já que 90% da nossa educação é da rede pública de ensino. Precisamos olhar para os professores da nossa rede pública com muita atenção, afinal ele são o fator determinante para entregar resultado lá na ponta. O primeiro é colocar o salário em dia. A nossa grande meta é trabalhar em um esforço de equilíbrio entre receitas e despesas que nos permita colocar os salários em dia no primeiro ano de governo.

Alguma política salarial definida para professores?
Paralelamente a isso, queremos discutir o plano de carreira. É fundamental que possamos discutir o plano, afinal ele é de 1974. É o único Estado no Brasil que tem um plano de carreira anterior à Constituição de 1988. E a discussão sobre o plano de carreira vai nos viabilizar a discussão de aumentos salariais, aumento do poder aquisitivo, dentro das condições financeiras do Estado. Não tem como negar que a crise existe. Então, eu não posso prometer aquilo que não posso cumprir. A prioridade é colocar os salários em dia. Como prefeito de Pelotas, repusemos a inflação integralmente todos os anos, mas agora as condições fiscais do Estado são outras, e a gente tem que trabalhar "as primeiras coisas primeiro". Primeiro, trabalhar para colocar os salários em dia. Depois, buscar trabalhar para não perder mais em relação à inflação.

No magistério, há muito tempo se diz que esse plano, que é dos anos 1970, precisa ser atualizado, mas os professores não querem ouvir falar em mudança no plano de carreira. O senhor já tem esboçado que tipo de  readequação nos planos de carreira imagina?
Quando falamos na readequação, não é só na questão do magistério. Vamos fazer a definição de uma nova estrutura de carreira com intenso diálogo com os  servidores e representações sindicais. Temos que discutir todos os pontos que envolvem a própria progressão na carreira, que não é respeitada. Há critérios subjetivos, e as pessoas não conseguem evoluir na carreira porque o Estado não tem condições fiscais. São pontos importantes para que o Estado consiga ter estruturas que tenham sustentabilidade econômico-financeira e signifiquem estímulo para os servidores.

A lógica seria a de que o salário de ingresso fosse melhor para atrair pessoas?
Sim, sem dúvida. O foco é buscar melhorar o ingresso e a base porque na estrutura que temos vigente alguns conseguem alcançar remuneração maior em detrimento de uma grande massa que acaba sem conseguir evoluir na carreira e melhorar sua condição financeira. É um tema complexo, que vai demandar um esforço grande de discussão com as categorias. 

Sobre a segurança pública, uma das marcas de sua campanha é ter trazido o delegado Ranolfo Vieira Júnior como vice-governador. Qual é a diferença que os gaúchos vão sentir nessa área?
A segurança já é prioridade para nós no momento da própria escolha do vice-governador. Ao chamar um delegado que foi Chefe da Polícia Civil do Estado, já demonstramos nossa preocupação com o tema. Vai ser um ponto de apoio importante, não significa necessariamente que ele ocupará cargos ou espaços da segurança, mas será um conselheiro importante. Vamos, em primeiro lugar, trabalhar desde o início do governo, e não somente no final do mandato, porque o que tem acontecido geralmente é isso. Vamos trabalhar desde o primeiro dia com foco na gestão e no incremento de nossos efetivos, a começar pelo primeiro ano, fazendo reposição ano a ano, e não somente no final do mandato. Vamos  buscar estabelecer investimentos na tecnologia e na estrutura, além do próprio efetivo, e também no sistema prisional. Quero trabalhar muito na qualificação do nosso sistema prisional.

O senhor terá uma secretaria só para isso?
Estamos fazendo um estudo, e até o presente momento, essa se apresenta como a melhor alternativa. Hoje temos um secretário que se ocupa do sistema prisional e do policiamento, tanto ostensivo como investigativo. Entendemos que o volume de investimentos necessários para que o sistema prisional seja mais efetivo é tão grande que demandará uma secretaria específica.

Há uma preocupação que é dos prefeitos, e, desde ontem, a prefeita Fabia Richter, de Cristal, faz uma pergunta. Há uma dívida que o senhor vai herdar com as prefeituras, com os servidores públicos. No caso da saúde, o senhor já tem um plano sobre como equacionar? A saúde é municipalizada, mas o Estado tem uma parte, que é de repasse  para as prefeituras.
A base de tudo está no esforço para o ajuste fiscal do Estado. Então, a concentração do nosso governo é sobre o equilíbrio das finanças e todo esse esforço fiscal será canalizado para os serviços mais importantes. A saúde está entre eles. A prefeita Fabia e os demais prefeitos podem ter certeza que eu quero ser um governador muito próximo aos municípios para estabelecermos programas qualificados de prevenção na área da saúde. É claro que isso não se opera num estalar de dedos. Entre outras ações para o esforço de equilíbrio fiscal, está, nas próximas semanas, a prorrogação das atuais alíquotas do ICMS junto à Assembleia. É uma série de medidas que teremos que tomar para o equilíbrio fiscal.

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