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Eleições 201804/09/2018 | 06h30Atualizada em 04/09/2018 | 08h31

Fim da "ambulancioterapia" na Serra precisa ser prioridade da próxima gestão do Estado

Governo tem como dever mapear serviços e organizar a rede  

Fim da "ambulancioterapia" na Serra precisa ser prioridade da próxima gestão do Estado Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Para obter tratamento especializado, José Carlos da Silva viaja 280 quilômetros de ida e volta entre Monte Alegre dos Campos e Caxias do Sul Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Diversas situações comprometem a estrutura da saúde pública na Serra. Uma delas é o envelhecimento da população, que exige mais atendimento médico. Outra é a não habilitação de novos hospitais para atendimento de média e alta complexidade, responsável pelo surgimento das filas intermináveis para cirurgias e leito de UTI lotados. 

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A concentração de serviços de alta complexidade nas maiores cidades, os valores defasados da tabela de pagamento do Sistema Único de Saúde, os orçamentos municipais comprometidos pelo descumprimento das transferências estatais e a demora para implantar novos equipamentos também engrossam a lista de ameaças no setor.

Além do fortalecimento da Atenção Básica e da construção de uma rede de média e alta complexidade, o Corede e demais gestores sugerem ao Estado estabelecer a missão de cada um dos hospitais nas cidades da região. É uma questão de sobrevivência e para evitar um colapso diante de um possível fechamento de instituições. A Federação das Santas Casas estima que a maioria das unidades filantrópicas estão endividadas — a Serra tem 29 hospitais com esse perfil de administração distribuídos em 26 cidades. 

 SÃO MARCOS, RS, BRASIL, 30/08/2018 - Série A Serra Precisa: Hospital Beneficente São joão Bosco, em São Marcos, está com leitos do SUS ociosos. NA FOTO: Rogério Soldatelli, diretor do hospital. (Marcelo Casagrande/Agência RBS)
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

É um cenário de instituições lotadas e outras com leitos ociosos, caso do Hospital Beneficente São João Bosco, de São Marcos. A casa presta 60% dos atendimentos pelo SUS, mas não atinge nem metade da capacidade de internação disponível. 

— Não temos UTI, contudo podemos abraçar os pacientes com pneumonia, aqueles que necessitam dos leitos normais e de cuidados semi-intensivos. Estou com a enfermaria pronta, só não há doentes — relata o administrador do São João Bosco, Rogério Soldatelli, uma das poucas instituições com as contas no azul.


Enquanto isso, em Caxias, pacientes da cidade e de outros municípios aguardam dias em macas ou poltronas de prontos-socorros à espera de um leito hospitalar, processo mais conhecido como "ambulancioterapia". Na prática, sem referência na própria comunidade, os municípios acabam conduzindo os pacientes para os grandes centros. Caxias e Bento Gonçalves são exemplos desse problema.

No fundo, o que a população serrana precisa é evitar o vai e vem e as longas horas a bordo de uma van ou ambulância em busca de atendimento especializado. Ontem pela manhã, por exemplo, o aposentado José Carlos da Silva, 67, levou quase três horas para vir de van de Monte Alegre dos Campos para uma sessão de fisioterapia em Caxias.

— Tem dias que só voltamos no final do dia. Por isso, sempre trago uma marmita — diz Silva.

A Serra tem pontos que favoreceriam a ação governamental para destravar a saúde, como a tecnologia e profissionais especializados, bons indicadores de qualidade de vida e uma grande oferta de serviços que, se melhor organizados em rede, fariam a diferença.

— É necessário discutir profundamente a hierarquização na assistência em especialidades no nível secundário, como tramauto, neuro, cardio e oncologia. O governo precisar mapear essa rede e determinar investimentos, o que não é muito. Compete uma discussão regional para o Estado instrumentalizar os municípios no atendimento das demandas com especialistas — opina Francisco Ferrer, presidente  da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Rio Grande do Sul.

DIAGNÓSTICO DA SAÚDE

Entidades e municípios apontam situações que colocam em risco o atendimento médico pelo SUS para os próximos anos. Confira:

ALERTAS

:: Longa lista de espera em especialidades de baixa e média complexidade, o que exigirá mutirões para agilizar o tratamento de doenças que irão se agravar e demandar mais recursos públicos.
::Falta de leitos de UTI em hospitais regionais.
:: Hospitais sob intervenção ou com dívidas elevadas.
:: Mortalidade prematura de pessoas entre 30 e 69 anos por doenças crônicas não transmissíveis por falta de oferta no atendimento de alta complexidade. 

POR REGIÕES

Há realidades distintas nas 49 cidades atendidas pela 5ª Coordenaria Regional da Saúde (5ª CRS), órgão ligado à Secretaria Estadual da Saúde. Confira o diagnóstico e as prioridades de investimentos por regiões de atendimento, segundo o mapa da 5ª CRS. Todos os municípios precisam reduzir a quantidade de internações hospitalares por condições sensíveis à Atenção Básica.

Caxias e Hortênsias: Canela, Caxias do Sul, Gramado, Nova Petrópolis e Picada Café (mais de 1 milhão de habitantes)

- Estratégia Saúde da Família (ESF): a cobertura média do território desses municípios é de 48,84%.

- Atenção Básica: o índice regional é para 62,31% de cobertura territorial. 

- Causas de mortes: a principal causa está relacionada ao câncer, seguida pelas doenças dos aparelhos circulatório e respiratório.

PRIORIDADES 

- Ampliação da oferta de exames de diagnóstico precoce de câncer de mama, garantindo o acesso para mulheres/situações não contempladas na faixa etária do indicador, com previsão de recursos;

- Construção das redes de traumato-ortopedia, cardiovascular e oftalmologia com atendimento para casos eletivos e de urgência, contemplando as necessidades da região.

Campos de Cima da Serra: Bom Jesus, Campestre da Serra, Esmeralda, Jaquirana, Monte Alegre dos Campos, Muitos Capões, Pinhal da Serra, São José dos Ausentes e Vacaria (cerca de 100 mil habitantes)

- ESF: cobertura territorial de 91,28%

- Atenção Básica: cobertura de 96,97%

- Causas de mortes: as principais causas envolvem doenças do aparelho circulatório, câncer e doenças do aparelho respiratório, respectivamente nesta ordem. 

PRIORIDADES 

- Qualificar as ações de prevenção na Saúde da Mulher. Faz-se necessário ampliar a faixa etária de cobertura do exame citopatológico para toda a vida sexualmente ativa da mulher, de forma a garantir o caráter preventivo do exame; e garantir capacidade instalada para suprir a demanda ao exame de mama, assim como ampliar o acesso ao exame a situações não contempladas na faixa etária do indicador 19, com previsão de recursos.

- Construir e/ou consolidar os serviços já existentes nas redes de traumatologia, oftalmologia e cardiologia, com ênfase na média complexidade.

Vinhedos e Basalto: Bento Gonçalves, Boa Vista do Sul, Carlos Barbosa, Coronel Pilar, Cotiporã, Fagundes Varela, Garibaldi, Guabiju, Guaporé, Monte Belo do Sul, Nova Araçá, Nova Bassano, Nova Prata, Paraí, Pinto Bandeira, Protásio Alves, Santa Tereza, São Jorge, União da Serra, Veranópolis, Vila Flores, Vista Alegre do Prata (cerca de 300 mil habitantes)

- ESF: cobertura de 77,21% do território. Municípios menos populosos têm cobertura de 100%. 

- Atenção Básica: cobertura de 80%

- Causas de mortes: não informada

PRIORIDADES

- Garantir o acesso aos exames de mamografia.

- Reduzir a taxa de mortalidade prematura de pessoas entre 30 a 69 anos por doenças crônicas não transmissíveis, focando na construção de uma rede de média e alta complexidade de neurologia, traumato-ortopedia, oftalmologia e cardiovascular.

Uva e Vale: Antônio Prado, Farroupilha, Flores da Cunha, Ipê, Nova Pádua, Nova Roma do Sul, São Marcos; Alto Feliz, Bom Princípio, Feliz, São Vendelino e Vale Real (cerca de 180 mil habitantes).

- ESF: cobertura de 78,18% do territórios, sendo que oito cidades têm cobertura de 100%.

- Atenção Básica: cobertura de 80,14%

- Causas de mortes: doenças dos aparelho circulatório e respiratório, câncer e doenças do aparelho digestivo.

PRIORIDADES

- Garantir o acesso aos exames de mamografia.

- Reduzir a taxa de mortalidade prematura de pessoas entre 30 a 69 anos por doenças crônicas não transmissíveis, priorizando-se a construção de uma rede de neurologia, traumato-ortopedia, oftalmologia, neurologia e cardiovascular.

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