Diminuir as diferenças entre escolas da rede estadual é dever do próximo governo do Estado - Notícias de Eleições - Política: deputados, prefeitos e mais - Pioneiro
 

Eleições 201829/08/2018 | 09h24Atualizada em 04/09/2018 | 14h51

Diminuir as diferenças entre escolas da rede estadual é dever do próximo governo do Estado

Colégio estadual se destaca numa rede fragilizada pelos baixos salários de professores e estrutura deficitária

Diminuir as diferenças entre escolas da rede estadual é dever do próximo governo do Estado Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Marcely Torres (C) pede aos futuros governantes que ampliem o turno integral para mais estudantes na Serra. Em Caxias do Sul, só uma escola tem essa modalidade Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Equilibrar uma rede estadual cheia de contradições é o desafio do Estado. Na Serra, há escolas com notas mais altas nas avaliações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), com projetos que extrapolam o comum e prédios bem conservados e, ao mesmo tempo, a comunidade convive com estabelecimentos que seguem o caminho inverso. Quando comparadas às escolas municipais e privadas, as diferenças na rede estadual ficam ainda mais evidentes. 

Para a titular da 4ª Coordenadoria Regional da Educação (4ª CRE), Janice Moraes, boa parte da solução virá da boa gestão de cada escola.

— Temos escolas maravilhosas e escolas nem tão boas, pude presenciar enquanto coordenadora que nunca recebi de algumas escolas algum tipo de solicitação para melhoria estrutural. Sei o que as escolas têm porque fui em 120 delas. Muitas foram contempladas com reformas — afirma Janice.

 Abaixo, vídeo do cotidiano da Escola Assis Mariani, em Caxias do Sul 

A promotora regional de educação, Simone Martini, concorda que a saída é a gestão própria de cada unidade, mas qualificar a administração local exige liderança do governo do Estado. Há percentual significativo do magistério que não é concursado. Em eleição diretiva, somente servidores efetivos podem ser conduzidos ao cargo de direção abrindo brechas para que as escolas fiquem sob a responsabilidade de pessoas sem o perfil adequado. 

— Precisamos fazer a correção do efetivo de professores. Magistério com contratos temporários complica, então devemos fazer com que os candidatos a diretores tenham qualificação, passem por cursos de formação continuada para fazer a melhor gestão possível dos gastos públicos. Tem diretores que não gastam o dinheiro da merenda porque não sabem como fazer isso — aponta a promotora.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 27/08/2018. Instituto Cristóvão de Mendoza precisa urgente de reformas. Ao mesmo tempo, é a referência para aulas de turno integral dentro de projeto piloto. (Diogo Sallaberry/Agência RBS)
Burocracia trava obras no Instituto Cristóvão de Mendoza. Escola tem auditório interditado e diversos problemas estruturaisFoto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

A outra correção de rumo é diminuir a burocracia de processos licitatórios e administrativos como forma de agilizar obras, repasse de verbas e recomposição do quadro efetivo. A Escola Dante Marcucci, no bairro Cinquentenário, levou 10 anos para receber uma grande reforma. O Instituto Cristóvão de Mendoza está com auditório interditado há quatro anos, rachaduras nas paredes e pisos desnivelados. A obra já deveria ter executada no ano passado e até agora não avançou.

— Se perde muito tempo nos trâmites. Em nossa escola, o projeto de acessibilidade demorou para ser aprovado, mas depois que foi aprovado, foi rápido — opina Clair Delfes Barcarolo, diretora da Escola Assis Mariani, no bairro Jardim Eldorado.

Veja abaixo as sugestões para a educação estadual na Serra:

opiniões
Foto: Arte Pioneiro / Agência RBS

Saiba como está o quadro atual e as principais demandas da rede estadual na Serra de acordo com as três coordenadorias de educação da região. As unidades abrangem 224 escolas em 48 municípios:

REGIÃO DE CAXIAS DO SUL 

4ª Coordenadoria Regional de Educação (4ª CRE)

:: De 122 escolas em 14 cidades da região de Caxias do Sul, duas fecharam por falta de alunos. No total, são 44.789 estudantes matriculados. 

:: A 4ª CRE garante que as 120 escolas em atividade vêm sendo atendidas com recursos do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), da Autonomia Financeira, da Força Tarefa/Secretaria Estadual da Educação ou através do Sistema de Gestão de Obras (SGO) emergencial. Há diversas obras concluídas ou em andamento. Em 71 escolas em 11 cidades, tramita ainda a elaboração do PPCI para aprovação junto ao Corpo de Bombeiros.

::  A maior demanda é a correção de fluxo, a distorção idade/ano (nos anos finais do Ensino Fundamental) e a evasão escolar. O outro desafio é oferecer aos estudantes uma aprendizagem mais emancipatória e que torne o avanço ao ano seguinte mais completo e exitoso. Muitas escolas têm laboratórios, mas não usam por diversos fatores: alguns consideram fundamental a presença de um técnico, porém não há no quadro do magistério essa função. Todas as escolas têm internet, por exemplo, mas a velocidade da conexão é uma barreira. 

REGIÃO DE BENTO GONÇALVES  

16ª Coordenadoria Regional de Educação  (16ª CRE)

::  Abrange 74 escolas e 25 cidades na região de Bento Gonçalves para um total de 19.452 estudantes matriculados, a maioria no Ensino Fundamental e Médio. Dos 1.471 professores, 534 são temporários. Dos demais 399 funcionários, como serventes, merendeiras, monitores e secretários, 147 também são temporários. 

:: Pelo menos 48 obras foram concluídas ou estão em andamento nas escolas, o que abrange a conservação de prédio, elaboração de PPCI e acessibilidade. Estão pendentes a execução de melhorias em 12 estabelecimentos, com recursos já depositados na contas das escolas.

::  As principais demandas envolvem a contratação e formação continuada de professores, aprimoramento das ações da Cipave e combate à evasão e distorção da série/idade. Um grande percentual das escolas pagam um provedor de internet, pois a conexão disponibilizada pelo Ministério da Educação é insuficiente. 

REGIÃO DE VACARIA 

23ª Coordenadoria Regional de Educação (23ª CRE)

::  São 30 escolas em nove cidades na região de Vacaria. Hoje, há 9.180 alunos matriculados na rede, a maioria distribuída nos ensinos Fundamental e Médio. A rede conta 742 professores (517 efetivos e 225 temporários). 

:: Apesar de os prédios serem antigos, a estrutura das escolas de abrangência estão em condições razoáveis, uma vez que a maioria recebeu recursos para reparo em telhados, na parte elétrica, para obras de acessibilidade, para a elaboração de Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI), entre outros. Atualmente, há quatro processos para obras em andamento e 15 projetos de pré-licitação para reformas. 

:: A maior demanda é a contratação de professores e funcionários para suprir as aposentadorias ou licenças cada vez maiores dos servidores. Na área de tecnologia e acesso à internet,  a 23ª CRE repassou netbooks e um computador para uso administrativo na rede e seis escolas receberam valores para contratar internet de qualidade por meio do Programa Escola Conectada. Apenas uma escola (no campo) precisaria solucionar problemas de conexão. 

 Confira as sugestões para a alavancar a educação estadual na Serra a partir de educadores, estudantes e especialistas para a educação estadual na Serra:


 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros