Máscara roxa: saiba como pedir ajuda contra a violência doméstica em farmácias  - Polícia - Pioneiro

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Denúncia discreta23/07/2020 | 16h54Atualizada em 24/07/2020 | 08h48

Máscara roxa: saiba como pedir ajuda contra a violência doméstica em farmácias 

Em um mês, 14 mulheres gaúchas já pediram ajuda. Campanha deseja ter pelo menos um farmácia parceira em cada cidade da Serra

Máscara roxa: saiba como pedir ajuda contra a violência doméstica em farmácias  Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Pelo menos 14 mulheres gaúchas já pediram ajuda em farmácias contra a violência doméstica. A ideia por trás da campanha Máscara Roxa é utilizar a discrição e disponibilidade deste tipo de comércio para encorajar as vítimas a romperem o ciclo de violência que sofrem em casa. A iniciativa já está presente em 16 dos 34 municípios na Serra, conforme a divisão estabelecida pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs).

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Com o lançamento regional na manhã desta quinta-feira (23), a intenção é ampliar a divulgação para que todas as cidades da região tenham uma farmácia amiga das mulheres e que cada vez mais vítimas possam conhecer essa possibilidade de ajuda. As vítimas podem denunciar qualquer tipo de violência, seja física, sexual ou psicológica.

Para ser discreto, o pedido é feito em código. A mulher deve solicitar uma máscara roxa e o atendente dirá que está em falta. Para poder avisar quando o produto chegar, o funcionário anotará quatro informações da cliente: nome, endereço e dois telefones de contato. Essas informações serão repassadas para a Polícia Civil, que iniciará uma investigação.

O encontro virtual de lançamento da campanha na Serra foi realizado pelo Comitê Gaúcho Impulsor Eles por Elas / He for She, ligado à ONU Mulheres, e contou com a participação de dezenas de representantes de órgãos da segurança, do Poder Judiciário e de representantes da região. Em sua manifestação, a promotora de Justiça Carla Souto destacou a importância do movimento neste momento de pandemia de coronavírus, onde as vítimas têm mais dificuldades de se afastar dos seus agressores.

— A campanha traz para as vítimas uma porta de saída, uma possibilidade. O agressor muitas vezes é o pai dos seus filhos, companheiro de uma vida, e não é uma decisão fácil. As farmácias trazem uma possibilidade diferente, pois são acessíveis e discretas. A mulher apenas pedirá a máscara roxa, sem precisar explicar o tipo de violência que está sofrendo. É mais um aspecto para encorajar esta mulher a pedir ajuda — aponta.

 O intuito da campanha é reforçar as vítimas não estão sozinhas e que a rede de proteção continua disponível. As farmácias foram escolhidas pensando no distanciamento social, pois são um serviço essencial e continuarão abertas independente das restrições vigentes contra o coronavírus.

— No nosso DNA está a proximidade com a comunidade, principalmente nas farmácias de bairro. Os clientes buscam uma acolhida, uma ajuda para diversas situações. Chegam no balcão e contam situações da sua vida particular. Exercemos um papel de alento e responsabilidade com a comunidade, que agora fica mais forte nesta campanha. Aqui em Bento, já tivemos uma mulher fazendo a primeira denúncia, justamente porque se sentiu segura na farmácia. É um orgulho  fazer parte deste primeiro passo para romper esta violência — relatou Daniele Guarda, umas das representantes das Farmácias Associadas na Serra, durante o encontro virtual.

 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL, 04/06/2020. Rompa o silêncio. Você não está sozinha. Se precisar, é só chamar. Esse é o recado da campanha lançada nesta sexta-feira (21/5) pela Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP) para incentivar as denúncias de violência contra a mulher. A ação, com foco no compartilhamento pelas redes sociais, busca difundir ao maior número de pessoas possível os canais para denúncias anônimas, que podem fazer a diferença para salvar a vida de mulheres vítimas de agressões e abusos no Rio Grande do Sul. (Arte de Carlos Ismael Moreira sobre foto de Rodrigo Ziebell/SSP)<!-- NICAID(14515305) -->
Para casos mais graves e urgentes, a orientação é que o 190 seja acionadoFoto: Rodrigo Ziebell / SSP

Estatísticas mostram queda de denúncias durante a pandemia

Os números de ocorrências de violência doméstica estão em queda no Rio Grande do Sul desde março, quando começaram as medidas contra o coronavírus, o que é visto como um sinal de subnotificação. As mulheres continuariam sendo agredidas, mas não estariam pedindo ajuda policial por causa do distanciamento social. Em Caxias do Sul, por exemplo, o primeiro trimestre teve média de 67 mulheres agredidas fisicamente por mês. Entre abril e junho, este número caiu para 37 casos de lesão corporal.

Por isso, o governo estadual tem divulgado diversos canais de denúncia por telefone e pela internet. No entanto, a delegada Carla Zanetti explica que limitar a comunicação da mulher é uma ação característica de violência doméstica.

— Um dos alvos do homem agressor é o celular da mulher, que é o meio dela pedir ajuda. É uma das primeiras agressões, seja tomar ou destruir o celular da mulher. A campanha constrói uma alternativa inteligente neste sentido. E é sempre importante mostra que a mulher que não está sozinha nem neste momento de isolamento social — aponta a responsável pela Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) em Caxias do Sul.

SEJA UMA farmácia AMIGA DA MULHER

:: A campanha busca a adesão do maior número de farmácias possíveis. A intenção é ter pelo menos um parceiro por cidade, principalmente naqueles municípios que não contam com delegacias. 

:: Os estabelecimentos recebem um selo de "Farmácia amiga das mulheres" e os funcionários são orientados. Quando uma mulher pedir por uma máscara roxa, como se tivesse a intenção de se proteger do coronavírus, o atendente dirá que o produto está em falta e pedirá para anotar quatro informações da clientes para avisar sobre a chegada do equipamento de proteção: nome, endereço e dois telefones.

:: Imediatamente, as informações serão repassadas para um número de WhatsApp disponibilizado pela Polícia Civil. Com o telefone, disponível 24 horas, é possível iniciar uma investigação em qualquer município do Estado.

:: Seis redes de farmácias já participam do movimento na Serra. Os estabelecimentos que quiserem aderir ao projeto devem contatar o comitê pelo telefone (51) 99199-3641 ou pelo e-mail comite.gaucho.elesporelas@gmail.com.

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