Bento Gonçalves e Farroupilha são incluídos em grupo prioritário de combate à violência - Polícia - Pioneiro

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Programa RS Seguro03/07/2020 | 16h09Atualizada em 03/07/2020 | 16h49

Bento Gonçalves e Farroupilha são incluídos em grupo prioritário de combate à violência

Estratégia estadual foca as 23 cidades mais violentas para operações e destinação de recursos

Bento Gonçalves e Farroupilha são incluídos em grupo prioritário de combate à violência Antonio Valiente/Agencia RBS
Foto: Antonio Valiente / Agencia RBS

Mais duas cidades da Serra foram incluídas no programa RS Seguro, estratégia do governo estadual para o combate à criminalidade. Bento Gonçalves e Farroupilha estão entre as cinco cidades agregadas, o que elevou para 23 o grupo de municípios que é priorizado no planejamento de operações e destinação de recursos, como novos policiais e equipamentos.

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O anúncio ocorreu em uma reunião em videoconferência do vice-governador e secretário da Segurança Pública, delegado Ranolfo Vieira Júnior, com os prefeitos das cinco novas cidades — além das serranas, Cruz Alta, Ijuí e Lajeado. 

— Por um lado, era positivo não estar entre os 18 cidades mais violentas do Estado. A inclusão nestas 23 acontece neste momento de redução dos índices, que estamos acompanhando neste ano. É um avanço interessante. Estar no RS Seguro pressupõe estar dentro dessa lupa e um maior acesso às condições do Estado. É uma condição para oferecermos mais segurança para a nossa comunidade — comenta o prefeito Guilherme Pasin (PP), de Bento Gonçalves.

A inclusão das duas cidades serranas ocorre em razão do aumento de homicídios. Nos dois últimos anos, Bento Gonçalves ultrapassou a marca de 40 mortes violentas e apareceu como o município mais violento do interior gaúcho, na comparação do número de assassinatos para cada 100 mil habitantes. A explicação seriam as disputas entre grupos rivais pelo tráfico de drogas, que ocasionaram até uma chacina com cinco mortos em um bar do bairro Municipal.

Em Farroupilha, o problema foi o pico de assassinatos em 2019. A cidade de 70 mil habitantes saltou de oito homicídios em 2018 para 24 no ano passado. Os números continuam elevados neste primeiro semestre de 2020, quando foram contabilizados mais 12 assassinatos.

— Depois do sucesso em intensificar o combate ao crime nos municípios que concentravam os maiores índices de violência da última década, queríamos avançar com essa estratégia naqueles em que a violência se faz mais presente no contexto atual. Essa recenticidade é o que vai nos permitir dar respostas mais incisivas nos locais onde os homicídios ainda estão em nível elevado — explicou Ranolfo aos prefeitos, durante a videoconferência.

Enquanto os 18 municípios iniciais respondiam por 45% da população do RS, o grupo com 23 cidades agora soma 49% do total de habitantes. No indicador de mortes violentas, o conjunto, que antes acumulava 71% das vítimas, agora representa uma parcela de 72,2%. Nos roubos a veículos, o percentual passa de 89% para 91%, e no roubo a pedestres, de 88% para 89,7%.

"Os três municípios são interligados e o crime migra"

A estratégia do RS Seguro, que na Serra já ocorre em Caxias do Sul, é baseada na integração das polícias. A cada início de mês, são realizadas reuniões estratégicas entre as forças de segurança de cada cidade e, dois dias depois, os avanços e a necessidade são apresentados em um encontro estadual, onde são definidas as prioridades para reduzir a violência no mês seguinte.

— O objetivo é qualificar o trabalho. Somos a única delegacia regional do interior com três cidades no programa. Temos uma proximidade muito grande com os três municípios interligados e o crime migra muito. Também acontece com o sistema prisional, que acaba compartilhado por criminosos e facções (de várias cidades da região) e influencia muito nos homicídios — aponta o delegado regional Paulo Roberto da Rosa.

A expectativa é que as melhorias no combate a criminalidade também reflitam na segurança de outras cidades da região. Carlos Barbosa e Garibaldi, por exemplo, encaminham seus presos para o presídio de Bento Gonçalves. Já Flores da Cunha e São Marcos são atendidos pelo mesmo Batalhão da Polícia Militar que Farroupilha, o 36º BPM.

— A inclusão permite que acompanhemos de forma mais detalhada os índices de criminalidade destes municípios por uma análise qualitativa dos números. Um trabalho que já estamos desenvolvendo em Caxias do Sul desde o ano passado. O programa tem nos propiciado uma maior integração e aplicação de recursos tanto humanos quanto materiais de forma mais eficiente no combate a criminalidade — define o coronel Glauco Braga, do Comando Regional de Polícia Ostensiva da Serra (CRPO/Serra).

A inclusão dos novos municípios no RS Seguro será em duas etapas. No primeiro eixo, o de combate à criminalidade, o início será imediato. Na próxima segunda-feira (6) ocorrerá uma videoconferência e será  iniciada a capacitação das equipes e a definição de seus indicadores locais para participar, já em julho, do ciclo mensal de monitoramento da Gestão de Estatística em Segurança (GESeg).

O segundo eixo é o de políticas sociais preventivas, e a ideia é que as ações iniciem em agosto. Até lá, as prefeituras farão a indicação dos pontos focais para interlocução com o corpo técnico do RS Seguro para identificar os bairros e escolas a serem integrados no foco de atuação. Nos 18 municípios que já compõe o grupo prioritário, a avaliação de indicadores de vulnerabilidade social e desempenho educacional elencou 52 bairros e 169 escolas que necessitam de intervenção especial. O recorte soma 116,2 mil alunos atendidos como público-alvo de mais de 30 projetos executados.

Um dos efeitos desta inclusão de mais duas cidades da Serra no programa é esperada já na formatura das novas turmas de delegados e policiais civis, previstas para este segundo semestre. Ao todo, 322 concursados participam dos cursos de formação na Academia de Polícia Civil (Acadepol), na zona leste de Porto Alegre.

HOMICÍDIOS NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS:

Bento Gonçalves
2015: 21
2016: 23
2017: 34
2018: 48
2019: 45
2020*: 15

Farroupilha
2015: 11
2016: 13
2017: 10
2018: 8
2019: 24
2020*: 12

Fonte: Secretaria Estadual de Segurança Pública
* dados até junho

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