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Tráfico internacional21/05/2020 | 18h38Atualizada em 21/05/2020 | 19h00

Uma das maiores apreensões de drogas do Brasil foi em rota conhecida por policiais da Serra

Fronteira de Ponta Porã com o Paraguai é principal entrada de drogas que chegam ao Rio Grande do Sul

Uma das maiores apreensões de drogas do Brasil foi em rota conhecida por policiais da Serra Polícia Rodoviária Federal/Divulgação
Foto: Polícia Rodoviária Federal / Divulgação

A apreensão recorde de 28 toneladas de maconha é mais uma da conhecida rota do tráfico de Ponta Porã, principal entrada de drogas para o Rio Grande do Sul. O entorpecente era levado por um caminhoneiro de Garibaldi, que dizia estar com um carregamento de milho. Segundo a Polícia Federal, esta foi a maior apreensão de drogas na história do país.

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Município de 92 mil habitantes no Mato Grosso do Sul, Ponta Porã é uma cidade gêmea com a paraguaia Pedro Juan Caballero. Na área urbana, os dois países são separados por uma rua. Toda a região é uma extensa fronteira seca, que dificulta a repressão policial.

— As barreiras naturais são menores e as dificuldades para conter são maiores. Há outras rotas mais para o norte (que tem fronteira seca com países produtores de drogas), mas essa é a mais próxima do Rio Grande do Sul. Mesmo com operações para desmantelar estes grupos criminosos e reiteradas apreensões, essa é uma rota que os criminosos já tem familiaridade. Então, insistem. Seria mais oneroso e arriscado procurar outro caminho — explica o delegado regional Alessandro Maciel Lopes, responsável pela investigação e combate ao crime organizado.

Segundo o World Drug Report 2016, relatório produzido pelo braço da Organizações das Nações Unidas (ONU) para Drogas e Crime (UNODC), o Paraguai está entre os cinco mais importantes fornecedores de maconha do mundo. Por sua localização geográfica, o país também funciona como base para o tráfico da cocaína produzida na Bolívia e na Colômbia.

Foi nesta fronteira que, em 2016, Jorge Rafaat Toumani, 55 anos, foi executado em uma emboscada com mais de 200 tiros. Para perfurar o utilitário blindado do rival, o ataque contou com uma metralhadora calibre .50, artefato de uso militar capaz de derrubar pequenas aeronaves. O assassinato fez parte do plano de uma facção paulista para dominar esta entrada de drogas no Brasil.

Para combater o tráfico internacional, o foco da Polícia Federal é no trabalho de inteligência e cooperação. A investigação busca identificar os envolvidos na logística e transporte dos carregamentos que passam por três estados brasileiros antes de chegar em solo gaúcho.

— Acima de tudo, a investigação é para desmantelar a organização criminosa e apurar todos os seus crimes, sendo a lavagem de dinheiro o mais comum. Mas há muitos outros crimes desencadeados. A droga é muito rentável e movimenta toda uma criminalidade. É difícil extinguir (a prática) porque estas rotas se reinventam a todo momento. A questão topográfica teve uma importância grande para o estabelecimento desta rota e, por ela, organizações criminosas brasileiras se estabeleceram no Paraguai — explica Lopes.

Carregamento seria entregue em São Leopoldo

A prisão do caminhoneiro de Garibaldi teve início durante uma diligência policial em um hotel em Ponta Porã, onde policiais federais identificaram um hóspede com comportamento suspeito. O homem de 38 anos era motorista de caminhão e transportaria uma carga de milho. Com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o veículo foi interceptado na rodovia MS-295 entre os municípios de Tacuru e Iguatemi. Na revista, foram encontradas 28 toneladas de maconha e apenas seis toneladas de milho a granel.

— É uma surpresa. Não é corriqueiro se apreender tamanha quantidade, pois (traficantes) não costumam transportar tanta droga em um só veículo. Uma menor quantidade reduz o risco de ser descoberto e o prejuízo em caso de uma apreensão. Foi uma tentativa ousada. Não recordo de um volume tão grande e expressivo em um único flagrante — comenta o delegado Lopes, que atua há 13 anos no Rio Grande do Sul.

O caminhão tinha placas de Pelotas e o caminhoneiro de 38 anos é morador de Garibaldi. Ele alegou ter pego o veículo já carregado e que a carga seria entregue em São Leopoldo. Ele revelou que receberia R$ 40 mil para fazer o transporte da maconha. A nota apresentada aos policiais foi de uma carga de milho, que tinha como destino Farroupilha.

Semana teve outras cinco apreensões

Além desta, que foi a maior apreensão da história do Brasil, policiais federais também recolheram outras mais de duas toneladas de drogas em ações pelo país nesta semana:

:: No sábado (16), dois indivíduos transportavam em um avião mais de 130 quilos de entorpecentes, em Manaus (AM).
:: Entre segunda (18) e terça-feira (19), dois homens foram presos, também no Amazonas, por transportar 418 quilos de drogas em um bimotor oriundo do Peru.
:: No Paraná, também na terça-feira, uma tonelada de maconha, carregada em três veículos, foi apreendida durante patrulhamento na zona rural de Guaíra (PR).
:: No mesmo dia, policiais federais apreenderam 770 quilos de maconha em uma embarcação no Lago de Itaipu, durante ação da Operação Hórus, em Foz do Iguaçu (PR).
:: Ainda na noite de 19 de maio, um homem foi preso em Bagé quando transportava 20 quilos de cocaína no interior de um veículo.

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