Saiba mais sobre o helicóptero da BM que sobrevoa as noites de Caxias do Sul - Polícia - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

Reforço aéreo19/05/2020 | 20h44Atualizada em 19/05/2020 | 20h50

Saiba mais sobre o helicóptero da BM que sobrevoa as noites de Caxias do Sul

Veículo foi equipado com farol de busca e reforça operações noturnas

Saiba mais sobre o helicóptero da BM que sobrevoa as noites de Caxias do Sul Joel Arrojo/Brigada Militar/Divulgação
Foto: Joel Arrojo / Brigada Militar/Divulgação

Bastou um sobrevoo noturno para mostrar a eficácia do novo farol de busca do Batalhão de Aviação da Brigada Militar (BM). O helicóptero chamou a atenção dos moradores da Zona Oeste de Caxias do Sul e a iluminação direcionada não deixava dúvidas de que se tratava de uma operação policial. As primeiras missões comprovaram o efeito psicológico do helicóptero, capaz de evitar crimes e dar mais segurança aos policiais militares em terra.

Leia mais
Aquisição de farol de busca possibilita operações noturnas com helicóptero em Caxias
Em operação com helicóptero, quatro são presos por tráfico de drogas em Caxias do Sul
Novo helicóptero reforça ações da BM contra roubos a banco na Serra

A primeira missão noturna aconteceu no dia 29 de abril. De lá para cá, foram mais duas operações em Caxias do Sul e outra em Bento Gonçalves. O helicóptero ilumina abordagens policiais, auxilia em perseguições a veículos suspeitos e facilita buscas em locais ermos, inclusive em bairros e vilas conhecidos pela atuação do tráfico de drogas.

— Em uma das prisões, a mulher (suspeita) jogou a droga em um terreno escuro. A iluminação facilitou as buscas. Mas o maior efeito do farol é psicológico, de prevenção. Tanto para a comunidade, que vê a Brigada Militar e se sente segura, quanto para quem pretende cometer um crime se sentir acuado, ter dificuldade para se locomover. É uma inibição psicológica — aponta o major Marcos Teixeira, subcomandante do esquadrão na Serra.

A aeronave voa entre 300 e 450 metros de altura. O farol está acoplado na parte traseira do helicóptero e é controlado remotamente. Além de girar 90º para cada lado, o equipamento também permite aumentar ou diminuir a área do farol. Quanto mais concentrado, mais potente é a claridade direcionada. Esta efetividade na atuação noturna amplia a principal característica de uma aeronave multimissão: o alcance territorial e a rápida resposta.

— Já fazíamos operações, só que, nos voos a luz do dia, as pessoas estão mais distraídas e podem não perceber que se trata de uma aeronave policial. Também atuamos em outras regiões, principalmente intervenções de roubos a bancos. No ano passado, tivemos um período que fazíamos sobrevoos em municípios menores. Era a missão da época. Agora, até em razão do coronavírus, estamos mais em Caxias do Sul e o farol permitiu esta aplicação noturna — aponta o major Marco Sanchez, comandante da base aero policial.

 CAXIAS dO SUL, RS, BRASIL, 19/05/2020 - Helicóptero da Brigada Militar na Serra foi ewquipado com farol, o que possibilita operações noturnas. (Marcelo Casagrande/Agência RBS)<!-- NICAID(14503388) -->
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O helicóptero modelo esquilo HB 350B está na Serra desde 2016 e foi apresentado como um reforço contra os ataques a banco. Além do novo farol de busca, a aeronave pode ser equipada com um imageador térmico, popularmente conhecido como sensor de calor, que permite a localização de criminosos refugiados em áreas de mata, por exemplo. Este equipamento foi adquirido para a Copa do Mundo de 2014 e também é empregado no monitoramento de multidões, seja em protestos ou eventos culturais, pois suas câmeras são capazes de transmitir e gravar imagens em alta resolução.

O efetivo do esquadrão da Serra, composto por três pilotos e cinco operadores, também está equipado e treinado para outras missões, como resgates por corda e salvamentos em rios.

A base da aeronave é Caxias do Sul, mas o esquadrão tem a responsabilidade por toda a região norte do Estado — o que inclui a Serra, o Planalto, as Missões, o Alto Jacuí e até a Fronteira Noroeste. Durante o veraneio, o helicóptero costuma ser deslocado para a Operação Golfinho, no Litoral Norte.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL (19/05/2020)Farol de busca permite operações noturnas com apoio aéreo em Caxias do Sul e região. Em suas primeiras missões, o helicóptero chamou atenção da comunidade. O equipamento foi adquirido e instalado no início deste ano, mas necessitava de regulamentação junto a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O helicóptero modelo esquilo HB 350B está na Serra desde 2016. (Joel Arrojo/ Brigada Militar/Dibulgação)<!-- NICAID(14503636) -->
Foto: Joel Arrojo / Brigada Militar/Divulgação

"Se torna dia onde a viatura está"

Como a possibilidade do voo noturno é uma novidade, diversas pessoas estranharam o helicóptero policial e imaginaram que algo muito grave estivesse acontecendo — como uma fuga em massa de um presídio. A Brigada Militar (BM) esclarece que o helicóptero foi incluído nas operações de rotina, aquelas que acontecem diariamente para mostrar a presença policial na cidade e causar desconforto aos bandidos. Neste formato, o apoio aéreo se mostra especialmente eficaz.

— Não são operações em que se buscam determinadas pessoas. A ideia é realmente a prevenção, é evitar crimes. Via de regra, o trabalho da Brigada Militar é ostensivo. Então é bem-vindo o barulho e essa presença no ar. Quem está disposto a cometer um crime, pensa duas vezes ao perceber a aeronave em ação — aponta o tenente-coronel Jorge Emerson Ribas, comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar (12º BPM).

O foco das primeiras ações foi no combate a homicídios, crime que esteve em alta em abril, quando foram 15 execuções. A movimentação das viaturas e do helicóptero foi direcionada para os bairros onde os assassinatos aconteceram. Ao mesmo tempo, os policiais militares perceberam que as operações tiveram efeito sobre os roubos de veículos.

— O apoio aéreo chamou muito a atenção e foi um grande fator inibidor que apareceu nos índices. Nas três noites deste sobrevoo, praticamente não aconteceram roubos. Ao mesmo tempo, é uma segurança para todos os envolvidos. Conversei com os PMs e eles dizem que é impressionante a iluminação no local, que se torna dia onde a viatura está — aponta o oficial.

Junto ao helicóptero, o 12º BPM utiliza a Companhia de Operações Especiais (COE). São entre seis a oito viaturas que fazem o patrulhamento terrestre e o cerco da região onde acontece a operação. Se o Batalhão de Choque da Serra estiver disponível em Caxias do Sul naquela noite, são mais cinco equipes atuando simultaneamente em outro ponto da cidade. Caso necessário, o helicóptero possui a agilidade necessária para cobrir as duas operações.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL (19/05/2020)Farol de busca permite operações noturnas com apoio aéreo em Caxias do Sul e região. Em suas primeiras missões, o helicóptero chamou atenção da comunidade. O equipamento foi adquirido e instalado no início deste ano, mas necessitava de regulamentação junto a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O helicóptero modelo esquilo HB 350B está na Serra desde 2016. (Joel Arrojo/ Brigada Militar/Dibulgação)<!-- NICAID(14503638) -->
Foto: Joel Arrojo / Brigada Militar/Divulgação

Laser contra aeronaves é crime

Os primeiros voos noturnos na Serra foram suficientes para mostrar uma má conduta da comunidade que pode causar uma tragédia: pessoas que direcionam laser contra a aeronave. Foram dois faixos diferentes em três voos pela cidade. A prática é um crime federal e o esquadrão alerta que irá solicitar o apoio dos brigadianos em terra para efetuar prisões.

— Muitos não tem noção do dano que podem causar. Os olhos do piloto estão acostumados com a escuridão da noite, a pupila não está dilatada e o raio direto aos olhos pode causar uma cegueira momentânea. As pessoas estão colocando em risco uma aeronave — alerta.

Em março, durante uma operação em Santa Maria, um homem de 57 anos foi preso por apontar laser na direção de um helicóptero da BM. O autor admitiu o uso do equipamento, mas alegou ser uma brincadeira. A conduta foi enquadrada no artigo 261 do Código Penal, que tem pena prevista de dois a cinco anos de reclusão.

Leia também
Entidade negocia com empresa para frear desligamentos no período de pandemia em Caxias
Prefeitura de Caxias confirma 110 infectados pelo coronavírus
Deputado diz que é incoerente municípios decretarem calamidade e afrouxarem o isolamento social

 
 
 
 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros