Saiba como agia o grupo que lesou mais de 100 vítimas com falsas compras na Serra - Polícia - Pioneiro

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Investigação06/05/2020 | 11h10Atualizada em 06/05/2020 | 12h10

Saiba como agia o grupo que lesou mais de 100 vítimas com falsas compras na Serra

Liderado por apenado, criminosos simulavam depósitos bancários para adquirir produtos pela internet

Saiba como agia o grupo que lesou mais de 100 vítimas com falsas compras na Serra Luan Zuchi / Arte Pioneiro/Arte Pioneiro
Foto: Luan Zuchi / Arte Pioneiro / Arte Pioneiro

A quantidade de golpes em compras e vendas de produtos pela internet fez com que a Polícia Civil criasse uma operação de resposta na Serra. Responsável pela investigação quadrilhas de assaltos ou tráfico de drogas, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) dedicou uma equipe para buscar quem estava por trás desses crimes de estelionatos. Em seis meses, foram quatro grupos mapeados e 15 pessoas indiciadas. Como era esperado, as investigações apontaram que os líderes já estão recolhidos no sistema penitenciário e, de dentro das celas, negociam com as vítimas por celulares.

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O que mais chamou atenção dos investigadores foi que os quatro grupos tinham a mesma forma de agir: as vítimas são procuradas em sites de produtos usados, a negociação é curta e rápida por redes sociais e o criminoso falsifica uma transferência ou depósito bancário. Para o delegado Luciano Righês Pereira, um pouco mais de atenção das pessoas seria o suficiente para evitar tais golpes.

— Todos os golpes são iguais. Começa por presos, pois é certeza que estão dentro de cadeias, que procuram as ofertas de compra ou venda e fazem o contato. "Quer R$ 10 mil? Eu pago, só me manda os teus dados". Já é o primeiro erro, porque muitas pessoas fazem foto do seu documento e do seu cartão de banco e mandam. Pronto, ele já vai usar os dados desta vítima em outros golpes, para habilitar chip de celular, para fazer compras na internet, entre outras falsidades ideológicas — aponta o chefe do Draco.

O segundo passo é o criminoso simular o pagamento. Um truque antigo é fazer um depósito de envelope vazio (leia mais abaixo). Mas os criminosos têm optado por golpe ainda mais simples: editar a foto de um comprovante de transferência.

— Se ampliar a imagem, dá para ver que usou o programa mais simples para editar. Só passou a borracha e escreveu por cima. É simples e grosseiro, só que as pessoas não conferem. Eles editam comprovantes de qualquer banco e, para disfarçar, usam os dados daquelas vítimas que enviaram as fotos de seus documentos e cartões — explica o delegado Pereira.

Pelo celular, quadrilha fez vítimas até no estado vizinho

Outra característica é que os golpistas têm pressa na negociação. Querem combinar o preço, agilizar o pagamento e buscar logo o produto. A intenção é não dar tempo para a vítima pensar e perceber que está sendo enganada. A maioria dos golpes envolve produtos de fácil revenda, como celulares e eletrônicos. Nesta investigação, porém, a Draco identificou uma quadrilha especializada em maquinário agrícola.

Um dos crimes foi contra um morador de Arroio do Meio, no Vale do Taquari. O golpista encontrou a oferta do trator e perguntou quanto seria o preço à vista. No dia seguinte, o suposto comprador simulou quatro transferências para chegar aos R$ 60 mil combinado. A vítima somente percebeu que o dinheiro não entrou a conta quando já havia entregue o trator. Depois, os criminosos ainda o procuraram exigindo R$ 15 mil para desfazer o negócio e devolver o veículo.

— Eles tentam tirar dinheiro da vítima de todas formas. Primeiro, é a falsa compra. Depois, a extorsão. Ainda usam os documentos em outros golpes. E ainda, para se livrar do produto, fazem a venda do objeto. Então, temos uma segunda vítima e, em caso de processo criminal, o prejuízo de ambos será discutido na esfera judicial — relata o delegado.

O mesmo grupo também enganou vítimas em Gramado e São Marcos, na Serra, em São Francisco de Assis, na Região da Missões, e até em Santa Catarina. Neste último caso, o vendedor do Estado vizinho entregou um jet ski na Serra. O veículo aquático foi recuperado durante a investigação em Caxias do Sul. A Draco estima que mais de 100 pessoas foram enganadas pelo grupo formado por oito criminosos.

Foto: Luan Zuchi / Arte Pioneiro

PREVINA-SE

:: Não envie fotos de seus documentos de identidade ou do cartão de banco. Se precisar repassar, escreva os dados.
:: Desconfie de oportunidades muito vantajosas e negociações muito simples.
:: Não tenha pressa, negocie com calma e tenha precaução. Os criminosos querem negociações rápidas para não deixar a vítima pensar e perceber que é um golpe.
:: Em caso de transferência, verifique se o dinheiro realmente entrou na sua conta. Se aparecer um depósito bloqueado, provavelmente é o golpe do envelope vazio.

CASO DESCONFIE

:: Encerre a negociação e bloqueie o contato com o comprador ou vendedor suspeito.
:: Evite ligações e contatos de números desconhecidos.
:: Procure a Polícia Civil e informe o número utilizado pelos golpistas.
:: Ameaças e tentativas de extorsões são práticas comuns entre esses criminosos, mas não costumam ser consumados. O objetivo dos grupos costuma ser financeiro.

O que é o depósito do envelope vazio?

O depósito do envelope vazio não é um golpe específico, mas um meio de enganar as vítimas. Esse depósito é feito em caixas eletrônicos, onde é informado o valor combinado com a vítima ou até mais. O valor aparece no extrato como bloqueado ou a compensar. Contudo, muitas vítimas acreditam que o dinheiro já entrou e finalizam a negociação. O depósito, contudo, só é compensado após o banco verificar o envelope - que estará vazio e, portanto, a transação bancária será cancelada. 

Esse truque, que vem sendo utilizado em diversos enredos de golpes, é mais aplicado antes de finais de semana ou feriados, pois o banco só irá verificar o conteúdo do envelope no próximo dia útil.

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