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Caso Rafael26/05/2020 | 14h56Atualizada em 26/05/2020 | 16h10

Menino morto pela mãe em Planalto viveu na Serra

Família se mudou para Bento Gonçalves no início de 2017 e ficou até o começo de 2018

Menino morto pela mãe em Planalto viveu na Serra Arquivo Pessoal/Divulgação
As pessoas que conviveram com Rafael ainda procuram uma explicação para o que teria levado a mãe a asfixiar o filho Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

As pessoas que conviveram com Rafael Mateus Winques, 11 anos, ainda procuram uma explicação para o que teria levado a mãe, Alexandra Dougokenski, a asfixiar o filho caçula e esconder o corpo dele por 11 dias até confessar o crime na última segunda-feira (25). O caso ocorrido em Planalto, no norte do Estado, e inicialmente tratado como desaparecimento, ganhou repercussão com a confissão da mãe do menino e, nesta terça (26), com a divulgação do resultado da necropsia que trouxe mais crueldade ao fato: segundo o Instituto-Geral de Perícias (IGP), Rafael foi estrangulado.

Um menino calmo, quieto, doce e estudioso. Essas palavras foram repetidas à reportagem por educadoras que conheciam e conviveram com Rafael nesses últimos anos. Ele nasceu e morou nos primeiros anos de vida em Planalto. Fez o pré e os anos iniciais na Escola Municipal de Ensino Fundamental Mário Quintana. No início do ano letivo de 2017, a mãe pediu transferência para um colégio da rede estadual de Bento Gonçalves, para onde a família estava de mudança. Foi então que Rafael passou a cursar o 3º ano na Escola Estadual de Ensino Fundamental Ângelo Salton, no distrito de Tuiuti, no interior de Bento.

Rodrigo Winques, pai de Rafael, mora em Bento Gonçalves onde trabalha no cultivo de parreiras Foto: Reprodução / Reprodução

– Estou chocada com o que aconteceu porque ele era um menino muito querido, carinhoso, amável, muito inteligente, não tinha queixa de comportamento – comentou a diretora da instituição da Serra, Simone Balssanello.

Segundo a diretora, os pais, à época, participavam sempre que havia alguma atividade na escola. A interação de Alexandra com o estabelecimento de ensino em que Rafael estudou recentemente é semelhante. É que, em meados de 2018, Alexandra e os filhos voltaram para a cidade de origem. Moravam em uma casa alugada em frente à residência da mãe de Alexandra e os garotos estudavam no Instituto Estadual de Educação Padre Vitório. Rafael no 6º ano e Anderson, 16, no 3º ano do Ensino Médio.

– O Rafael sempre foi muito doce, calmo, educado, reservado, era um exemplo de aluno – relatou Ladejane Ravagio, que em 2019 foi professora do menino no 5º ano.

De acordo com a professora, Alexandra era uma mãe atenciosa:

– Ela nunca faltou nas reuniões, vinha trazer ele no colégio, buscava, sempre muito preocupada com ele, cuidadosa. Por isso que foi tão chocante, porque sempre víamos o Rafael com ela em todos os lugares.

Na época da separação do casal, o pai Rodrigo Winques ficou em Bento, onde trabalha com cultivo de parreiras. Ele contou que no dia 15 deste mês recebeu uma chamada do celular do filho, mas era o atual namorado de Alexandra que falava, perguntando se Rafael estava em Bento com o pai. No dia seguinte, Winques foi para Planalto e começou a procurar por Rafael.

As buscas ao menino só se encerram na última segunda, quando a mãe indicou à polícia onde havia deixado o corpo do filho.

Entenda o caso:

:: Em 15 de maio, Alexandra Dougokenski registrou o desaparecimento do filho caçula Rafael Winques, 11 anos.
:: Ela relatou à polícia que ao acordar não encontrou o filho em casa.
:: A polícia deu início às buscas, utilizando, inclusive, cães farejadores.
:: Desconfiados de partes dos relatos da mãe e de contradições, a polícia chamou Alexandra para mais um depoimento na última segunda-feira, 25, quando ela confessou ter matado o filho, mas de forma não intencional. Ela disse que o menino estava agitado na noite do dia 14 e que ela teria dado a ele dois comprimidos de diazepam (usado como calmante) para que adormecesse. Que depois foi vê-lo e ele estava morto.
:: A mãe indicou o local onde escondeu o corpo do filho, uma casa abandona que fica vizinha a que eles moravam. O menino estava enrolado em um lençol, dentro de uma caixa de papelão.
:: A polícia pediu e a Justiça concedeu prisão temporária de Alexandra.
:: Na terça pela manhã, o laudo da necropsia do Instituto-Geral de Perícias apontou que Rafael foi morto por asfixia mecânica causada por estrangulamento.
:: A polícia investiga se há mais algum envolvido no crime. Se a mãe usou o medicamento para dopar Rafael e o motivo.

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