Confronto com dois mortos expõe novo conflito entre facções em Caxias do Sul - Polícia - Pioneiro

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Disputas pelo tráfico13/05/2020 | 14h07Atualizada em 13/05/2020 | 19h08

Confronto com dois mortos expõe novo conflito entre facções em Caxias do Sul

Inteligência da BM tinha informação sobre vingança e monitorava o bairro Serrano

Confronto com dois mortos expõe novo conflito entre facções em Caxias do Sul Brigada Militar/Divulgação
Revólveres apreendidos pelo Batalhão de Choque após confronto no bairro Serrano Foto: Brigada Militar / Divulgação

A sequência de tiros e prisões entre os bairros Serrano e Santo Antônio comprova o que a Brigada Militar (BM) de Caxias do Sul já tinha informações: há um conflito entre grupos criminosos pelo controle de venda de drogas na região. O ponto de referência seria o Beco da Filomena, que há anos é conhecido como um ponto de tráfico e é palco de prisões. Este é contexto que explica uma tentativa de homicídio em uma padaria, seis prisões e o confronto com agentes do Batalhão de Choque da Serra, que terminou com dois suspeitos mortos, em um espaço de 14 horas na terça-feira (12).

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Durante a redução nos assassinatos dos últimos dois anos, BM e Polícia Civil admitiam que um dos fatores é que havia uma "trégua" entre as facções. Os grupos criminosos não estavam mais invadindo "territórios" rivais ou buscando ampliar seus domínios. No final de março, dois tumultos entre apenados da Penitenciária Estadual na localidade do Apanhador que esta estabilidade estava com os dias contados.

Um deles aconteceu na galeria A, que servia de base da primeira facção da Serra desde meados de 2015. Filmagens feitas pelos próprios presos com celulares mostravam dezenas de detentos correndo e uma briga próximo ao portão de acesso. Após, a inteligência policial passou a ter relatos de que os líderes haviam "caído" e uma nova pichação surgiu nas paredes da galeria A: com o símbolo e nome de uma facção da Região Metropolitana, a terceira a estender suas ações para Caxias do Sul.

A disputa de poder teve reflexos do lado de fora. Foram 15 homicídios em abril, o maior número de mortes para um mês desde julho de 2018 — que teve 21 assassinatos. Apesar de admitir que grupos criminosos estavam mais ativos, a Polícia Civil aponta que também aconteceram homicídios pontuais e isolados.

Nesta terça-feira (12), este aumento da violência teve foco no Serrano. Por volta das 9h30min, dois criminosos encapuzados atiraram contra um homem de 26 anos dentro de uma padaria. A vítima foi atingida, mas sobreviveu. Menos de seis horas depois, as buscas da BM resultaram em cinco detidos por tráfico de drogas e posse ilegal de uma pistola. Às 23h, houve o confronto com dois suspeitos mortos na Rua João Alexandre Souza. No mesmo horário, um foragido foi capturado na RS-453.

— Quando acontece um homicídio (ou tentativa de homicídio) ligado à facção, é previsível uma outra ação em vingança. Há um mapeamento (pela BM) de quais áreas pertencem a cada facção, e ali é um local conhecidíssimo de venda de drogas. A informação é que estavam se reunindo para executar um terceiro, que não se sabe a identificação. Estávamos fazendo a verificação quando ocorreram estas duas ações simultâneas (confronto e captura de foragido) — explica o capitão Amilton Turra, subcomandante do Batalhão de Choque da Serra.

Naquela noite, a BM atuava com cinco equipes no bairro Serrano e região. Segundo o comando do Batalhão de Choque, os dois suspeitos estavam a pé, resistiram à abordagem e atiraram contra os PMs, que revidaram. Nenhum brigadiano ficou ferido na ação.

Os criminosos estavam com dois revólveres calibre .38, que foram apreendidos. As armas estavam com cinco munições deflagradas e outras seis intactas. Ambos os revólveres possuíam numeração, mas não estavam cadastrados. A Polícia Civil deve investigar a origem das armas.

Os dois suspeitos mortos não possuíam documentos no momento do confronto. Eles foram identificados pelo Instituto Geral de Perícia (IGP), por meio das impressões digitais, no final da tarde desta quarta-feira (13). João Paulo Barbosa Felicidade, 22 anos, era morador de Porto Alegre e estava foragido da Justiça. Ele possui extensa ficha policial por delitos na Região Metropolitana. O outro é o adolescente Teilor Rodrigues, de 16 anos, que é natural de Torres, mas sua certidão de nascimento foi feita em Passo de Torres (SC) e por isso não possuía registro gaúcho.

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