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Criminalidade 04/04/2020 | 12h05Atualizada em 04/04/2020 | 12h55

Fim de semana começa com duplo homicídio na Serra

Ocorrências de outros crimes aliadas a boatos nas redes sociais têm deixado população apreensiva, mas BM garante que índices reduziram nas últimas semanas

Fim de semana começa com duplo homicídio na Serra Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Crimes aliados a boatos nas redes sociais têm deixado população apreensiva, mas BM garante que índices reduziram Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O primeiro fim de semana de abril começou violento na Serra. Em Caxias do Sul, um duplo homicídio foi registrado na noite de sexta-feira (3), e em Farroupilha um corpo foi encontrado dentro de um carro na manhã deste sábado (4). Na maior cidade da Serra, Magdiel Rodrigues de Oliveira, 22 anos, e Robert Willian Vieira de Oliveira, 35, foram assassinados a tiros por volta das 21h11min no cruzamento da Rua Atílio Andreazza com a RSC-453, a Rota do Sol, nas proximidades do bairro Parque Oásis. 

Já em Farroupilha, um homem ainda não identificado foi encontrado morto pelo Grupo Rodoviário da Brigada Militar dentro de um carro às margens da RS-453 por volta das 7h deste sábado (4). O carro estava estacionado na altura do km 05 da rodovia, trecho onde fica o acesso ao Santuário de Caravaggio. A vítima, que segundo os policiais era um senhor, pela aparência física, estava com sangramento no nariz e, no banco do carona, havia pelo menos cinco cápsulas de arma de fogo deflagradas. Ainda não há confirmação de que se trata de um homicídio.

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Com esse duplo homicídio de sexta-feira, Caxias chega a 24 mortes violentas em 2020. O mês de abril já conta, nos primeiros dias, com quatro mortes, o dobro do registrado em março, que fechou com dois homicídios. Em Farroupilha, se a morte for confirmada como homicídio, a cidade chegará a oito mortes violentas.

As mortes, aliadas a crimes como roubos e assaltos que ocorreram em Caxias do Sul nos últimos dias, têm gerado um clima de insegurança entre a população nessa época de isolamento social. Nas redes sociais circulam textos e postagens que atribuem a autoria das ocorrências a criminosos que saíram do presídio e estão em prisão domiciliar devido aos riscos da pandemia de coronavírus. Na Serra, 217 apenados com comprovação médica de que estão em grupo de risco estão em prisão domiciliar. O número equivale a 7% da população carcerária na região, que tem pouco mais de 3 mil presos. As autoridades policiais da região, no entanto, negam que as ocorrências tenham aumentado em função da medida.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 26/03/2020 -  BM nas ruas - como está o policiamento neste momento de crise. A cidade está vazia? O que os PMs tem encontrado? As pessoas aceitam as orientações de ficar em casa?  NA FOTO: Brigada orienta frequentadores da praça a irem para suas casas. (Marcelo Casagrande/Agência RBS)<!-- NICAID(14462014) -->
Crimes aliados a boatos nas redes sociais têm deixado população apreensiva, mas BM garante que índices reduziram Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O coronel Glauco Alexandre Braga, que lidera o Comando Regional de Polícia Ostensiva da Serra (CRPO/Serra), ressalta que a Brigada Militar (BM) tem se reunido com os demais órgãos de segurança para avaliar os índices de ocorrências. A ideia, segundo ele, é garantir que o isolamento social, com ruas mais vazias, não seja aproveitado por criminosos: 

- Estamos nos reunindo para acompanhar os índices de ocorrência e adotar as medidas necessárias para combater aqueles crimes que eventualmente apresentarem tendência de aumento.

Ele ressalta que, em relação às postagens em redes sociais sobre arrastões, as informações não são verdadeiras.

 -  Não procede a existência de arrastões que estão em mensagens que tentam ser alarmistas. Estão acontecendo ocorrências de roubo e furto, mas nada fora dos índices até então apresentados. Alguns indicadores apresentaram redução e outros leve acréscimo em relação aos números anteriores. Mas estamos tomando providências _ garante o coronel.

Situação é tranquila, segundo comandante do 12º BPM

O Tenente-coronel Jorge Emerson Ribas, comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Caxias do Sul também reitera que as postagens que afirmam que a criminalidade está aumentando nesse período de isolamento não são verdadeiras, principalmente no tom em que têm sido divulgadas. Ele admite que ocorreram recentemente dois roubos em que os assaltantes usavam máscaras cirúrgicas, mas nega que o número de ocorrências tenha aumentado na cidade:

- As mensagens circulando nos grupos falam de arrastão. Queremos deixar claro que não há arrastão, não existe esse tipo de ação na cidade. A situação em Caxias do Sul é tranquila. O registro de ocorrências reduziu  e a demanda de atendimentos também é menor para todos os órgãos de segurança do município.

Para enfrentar a epidemia de coronavírus e garantir a presença da BM nas ruas, o 12º BPM distribuiu guarnições em ponto estratégicos da cidade, como praças, parques e vias que levam aos serviços essenciais.

- O policiamento está focado e estamos com o dobro do efetivo que normalmente patrulha as ruas. Nossos PMs estão orientados a ficarem atentos a agências bancárias, supermercados, farmácias e postos de combustíveis, locais que precisam continuar à disposição da população - afirma Ribas.  

Não há indícios que roubos e assaltos tenham relação com detentos em prisão domiciliar

O comandante do CRPO acrescenta que a BM está atenta aos presos que foram liberados e que, até o momento, não há indicativo que comprove que eles tenham envolvimento em crimes:

- A liberação de presos sempre é fator de atenção e monitoramento, porém até o momento não podemos afirmar, muito menos em tom alarmista, que a saída dos presídios tenha contribuído para o aumento de índices na região.

A avaliação é a mesma do comandante do 12º BPM:

-  Não temos indícios de que essas ocorrências tenham relação com a saída dos apenados até porque volto a afirmar o número de roubos e assaltos tem reduzido. Há um exagero.

Quantos aos homicídios, Ribas afirma que estão em investigação, mas a BM sempre fica atenta a possíveis execuções para controlar determinados pontos da cidade:

- Os homicídios são índices diferentes. Ainda não sabemos as causas, pode sim ter relação com brigas entre organizações criminosas, mas ainda estão sendo investigadas as autorias e motivações. No entanto, não há relação com os detentos em prisão domiciliar porque esses preso têm um perfil diferente. Eles não são líderes de grupos criminosos e respondem por crimes menos graves.

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