"Se não fosse o Brazil, tinha morrido muito mais gente", relata testemunha de tiros em casa noturna de Caxias do Sul - Polícia - Pioneiro

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Entrevista17/02/2020 | 18h22Atualizada em 17/02/2020 | 20h11

"Se não fosse o Brazil, tinha morrido muito mais gente", relata testemunha de tiros em casa noturna de Caxias do Sul

Segurança teria agarrado atirador, o que permitiu a clientes e funcionários fugirem

"Se não fosse o Brazil, tinha morrido muito mais gente", relata testemunha de tiros em casa noturna de Caxias do Sul Montagem sobre as fotos de reprodução/
Marcelo Júnior Machado, 22, e Leandro Brazil Brochado, 38, não resistiram e morreram no local Foto: Montagem sobre as fotos de reprodução

O ataque com dois mortos em frente a uma casa noturna de Caxias do Sul evidencia, mais uma vez, como ânimos exaltados por bebidas e até drogas transformam discussões banais em ameaças de morte. Por vezes, clientes expulsos prometem vinganças contra seguranças e retornam atirando (confira quadro ao final da matéria). Trama semelhante aconteceu na casa noturna Enjoy, no bairro Cinquentenário, na madrugada de domingo (17). Neste cenário, testemunhas e colegas chamam de heroica a atuação do segurança Leandro Brazil Brochado, 38 anos, uma das vítimas do ataque a tiros.

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Os relatos apontam que a festa já havia acabado e a desavença aconteceu do lado de fora, envolvendo dois homens que deixavam a casa noturna e um motorista de aplicativo. Os seguranças agiram para afastar os envolvidos, só que o motorista teria aproveitado "o apoio" dos vigilantes para agredir um dos desafetos. O homem teria prometido voltar e "tapar todos de bala".

A ameaça foi cumprida por volta das 5h30min, matando Brochado e o ajudante de entregador Marcelo Júnior Machado, 22, que deixava a festa. O jovem foi a segunda vítima de bala perdida em Caxias do Sul em 2020. Outros dois seguranças foram feridos, mas não correm risco de morte. Confira abaixo o vídeo que a Polícia Civil conseguiu do ataque:

Nesta segunda-feira (17), uma testemunha aceitou conversar com a reportagem da RBS TV. O homem, que costuma trabalhar na noite caxiense, prefere não ser identificado. Confira o relato:

Pioneiro: O suspeito foi barrado ou agredido na festa?
Testemunha:
Não, a confusão foi depois da festa. Este rapaz foi barrado inicialmente, porque estava com uma camisa de time (o que não é permitido pelas regras da casa). Só que ele trocou, depois entrou e fez a festa dele. A desavença foi com um motorista do lado de fora.

O que aconteceu?
Cada um conta uma parte da história... Era umas 4h40min, quando um motorista de aplicativo estava saindo devagar na contramão e estes dois rapazes passaram na frente. Era um alemão maior e outro rapaz magrinho. Eles se sentiram intimidados pelo carro, mesmo com o motorista parando para eles passarem. Os rapazes foram para cima, bateram no capô e diziam "então desce, desce aí". O motorista pediu ajuda aos seguranças (da festa) e os rapazes se afastaram. Só que este motorista foi lá e deu dois socos neste rapaz magro. Depois, esse rapaz foi lá na frente e ameaçou: "Vou voltar e tapar vocês de bala". Mas ninguém imaginou que iria acontecer de fato. Em nenhum momento, os seguranças foram prevalecidos ou espancaram alguém. Quem deu umas bofetadas foi esse motorista (de aplicativo), que estava errado também.

O ataque a tiros aconteceu quando a casa já estava fechando?
Sim, já tinha acabado a festa. Era umas 5h30min, tinha várias pessoas ainda na frente, alguns clientes e funcionários fazendo o acerto. Lembro que o Leandro Brazil estava bem faceiro, pois tinha conseguido trabalhar naquela noite. Ele estava sem gás e café (em casa), já tinha mandado mensagem para a mulher avisando que não tinha dado briga, que foi uma noite tranquila.

Como foi o ataque?
Este rapaz veio em direção à portaria, sacou uma pistola e começou a atirar. Os primeiros disparos acertaram o (segurança) João Paulo (Matos da Silva), que nem conseguiu ver a situação. O primeiro tiro atingiu no braço, depois na nuca e o último na barriga. O Brazil foi um herói e se abraçou no cara, mas ele continuou a atirar, foram vários disparos que pegaram a outra vítima (Marcelo Júnior Machado) e um outro segurança de raspão. Se não fosse o Brazil se agarrar (no atirador), tinha morrido muito mais gente. Se (o atirador) vai na frente de uma festa, com várias pessoas ali, com certeza sabe que será identificado. Tem câmeras na casa (noturna, confira vídeo acima). Ele foi transtornado para matar ou morrer, e matar a quantidade de gente que tivesse ali. Basta olhar a quantidade de tiros que deu. 

Como o atirador fugiu?
Alguns falaram que fugiram com o Gol preto, outros que foi correndo para a direita. O pessoal não viu porque correu tudo para dentro da casa. Ainda há relatos que tinha mais um cara, que enquanto o primeiro fugia, dava novos disparos para não deixar ninguém sair e ver o que aconteceu.

Soube de alguma briga envolvendo seguranças naquela noite?
Vi muita coisa na mídia, o pessoal sempre culpa quem está lá para trabalhar. O segurança tem que apanhar e não pode se defender nunca? Sempre dizem que culpado é o segurança. São várias situações que acontecem e precisam que o segurança atue com mais força. Daí, todos reclamam e culpam. Mas, ninguém vê as agressões e ameaças (que sofrem)? É muito complicado.

OUTROS HOMICÍDIOS EM CASAS NOTURNAS

29 de julho de 2018
Expulso de festa, homem retornou armado e foi neutralizado por PM

Cristiano Rodrigues, 41 anos, foi expulso de uma festa na casa noturna Panela Velha, da Rua Angelina Michelon, no bairro Lourdes, e prometeu vingança. Ele retornou armado e começou a atirar contra os seguranças. Um policial militar de folga interveio e alvejou Rodrigues, que morreu no local.

No confronto, um segurança da casa noturna e um suposto flanelinha foram baleados nas pernas, mas os ferimentos seriam superficiais.

18 de setembro de 2016
Dois jovens morrem durante ataque na Avenida São Leopoldo

Érica da Silva dos Santos, 20 anos, e Iago Jacinto da Motta, 23, morreram durante um ataque a tiros na saída de uma festa no Clube Rodeio, na Avenida São Leopoldo. Segundo a investigação da Polícia Civil, os tiros não eram para eles: um homem teria saído do estabelecimento e voltado em seguida para atingir um segurança, mas errou o alvo. 

Sete dias após o ataque, a Polícia Civil capturou Daniel da Rosa Jordan, o Carpa. Ele permaneceu recolhido até 12 de janeiro de 2017, quando foi autorizado a responder o processo em liberdade. Ele responde por duplo homicídio triplamente qualificado e outras três tentativas de homicídio.

1º de abril de 2012
Homem invade bailão, mata desafeto e atira em outros três

Três meses após o assassinato de um segurança, um homem armado driblou a vigilância do Clube Alternativo, invadiu o bailão armado e foi até a pista de dança, onde matou Valdir dos Santos de Castilhos, 29, com um tiro no peito. Em seguida, o atirador realizou disparos para várias direções. Uma mulher de 23 anos, um rapaz de 20 anos e uma adolescente de 15 anos também foram baleados, mas sobreviveram.

Este foi segundo ataque a tiros no Alternativo, o que fez o proprietário anunciar o fechamento do clube na Avenida Rossetti. Na época, o empresário Sérgio Schuaste da Silva afirmou que a casa noturna não era o problema, mas sim os atos de violência que aconteciam no bairro Santa Catarina.

20 de janeiro de 2012
Em 30 minutos, jovem mata segurança e taxista e tenta assaltar garçom

Em um intervalo de 30 minutos, um jovem de 20 anos matou um segurança e um taxista e cometeu mais uma tentativa de latrocínio. Douglas de Jesus Lima, na época com 20 anos, foi preso em flagrante pela Brigada Militar logo após a série de crimes.

Lima teria sido expulso de uma festa no Clube Alternativo, na Avenida Rossetti, bairro Santa Catarina. Em um táxi, o acusado buscou um revólver e voltou até o clube, onde matou o segurança Marcos Nunes da Silva, 34, com um tiro na cabeça.

Na sequência, Lima obrigou o taxista a fugir com ele. Na Rua Carlos Dutra Vianna, no Madureira, Lima atirou contra a cabeça do taxista Dinarte Armando Dannenhauer, 58.

Após roubar o dinheiro e celular do taxista, o criminoso fugiu correndo até a Rua Visconde de Pelotas e, numa tentativa de assalto, atirou em um garçom que chegava para trabalhar. Embora ferido, o garçom conseguiu conduzir seu Gol por algumas quadras e pedir socorro em uma padaria.

Lima foi preso em flagrante pela BM logo após chegar em casa, no bairro São Caetano.

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