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Motim25/01/2020 | 22h16Atualizada em 25/01/2020 | 22h16

Rebelião em Bento teria ocorrido após contestação de presos e familiares à organização de visitas

Esse foi o primeiro motim registrado na casa prisional, inaugurada há cerca de quatro meses

Rebelião em Bento teria ocorrido após contestação de presos e familiares à organização de visitas Mateus Frazão/Agência RBS
Foto: Mateus Frazão / Agência RBS

Antes de completar quatro meses de inauguração, ocorrida em 3 de outubro de 2019, a Penitenciária Estadual de Bento Gonçalves registrou a sua primeira rebelião neste sábado (25).A confusão iniciou na manhã, por volta de 11h30min, durante visita das famílias dos detentos. 

Inicialmente, a direção da penitenciária informou que cinco detentos haviam sido feito reféns pelos próprios presos e alguns deles teriam sofrido ferimentos leves durante a ação de tomada de controle por parte dos agentes penitenciários. Entretanto, posteriormente, a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado negou que houvesse feridos e conflitou também a informação do uso de reféns durante o conflito:

- (Houve) algum problema de ferimento de alguns agentes, mas nada de grave e não há nenhuma lesão de presos. Não houve reféns, nenhum dano para o patrimônio nem físico para as pessoas presas. Está tudo sob controle. Lamentamos muito o que aconteceu, mas a resposta foi pronta, efetiva, e o mais importante, nenhuma pessoa machucada. Foi feita contenção necessária, sem nenhum excesso - afirmou o secretário de administração penitenciária do RS, César Faccioli.

Conforme relatos de familiares, o motim teria se originado após presos reivindicarem um espaço melhor para visitas na unidade prisional. Com negativas e desentendimentos junto a agentes penitenciários, a confusão teria se instaurado:

— Foi pedido que presos que não recebem visita comessem dentro das celas, mas há uma determinação do Estado que impede isso. As famílias acabam ficando num espaço pequeno com muito sol. Por isso, os próprios presos sugeriram que quem não recebesse visita comesse dentro da cela, mas (os agentes penitenciários) não aceitaram. E aí a confusão começou —relata Lisiane Pires, presidente da Comissão Carcerária de Bento Gonçalves, entidade que auxilia no amparo a famílias de presos.

Por volta de 13h, os familiares foram conduzidos para fora da penitenciária. De lá, as famílias observaram fumaça subindo dos pátios das galerias A e B e ouviram tiros e bombas de efeito dispersivo, o que aumentou a apreensão e a revolta de todos. Sob gritos, as famílias protestavam contra a falta de informações e chegaram a realizar o bloqueio com pedras e uma fogueira na via principal e único acesso à unidade prisional. Para conseguir avançar, agentes do Grupo de Ações Especiais da Susepe (GAES) da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) do Estado arremessou bombas de efeito moral contra as famílias.

O clima de animosidade se acentuou quando um dos agentes gritou "tá todo mundo morto" de dentro do pátio da penitenciária na direção dos familiares.

— É uma violação dos direitos humanos. Os familiares só querem informações e recebem negativa e olhares debochados e sorrisos (dos agentes) e isso só piora tudo — ressaltou Cinara Marques dos Santos, presidente da Comissão de Diretos Humanos da subseção de Bento Gonçalves da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A movimentação, segundo familiares dos detentos, iniciou por volta das 11h30min, e foi declarada controlada em torno das 17h30min. Após a contenção do motim, houve procedimento de revista e posterior visita de representantes dos Direitos Humanos da OAB às instalações da casa prisional.

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