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Mortes04/12/2019 | 11h20Atualizada em 04/12/2019 | 11h20

Pelo segundo ano consecutivo, guerra do tráfico evidencia a violência em Bento Gonçalves

Com o duplo homicídio do final de semana, a cidade alcançou a marca de 50 assassinatos em 2019

Pelo segundo ano consecutivo, guerra do tráfico evidencia a violência em Bento Gonçalves Arquivo Pessoal/Facebook
Com o duplo homicídio do final de semana, Bento Gonçalves alcançou a marca de 50 assassinatos em 2019 Foto: Arquivo Pessoal / Facebook

Com o duplo homicídio do final de semana,  Bento Gonçalves  alcançou a marca de 50 assassinatos em 2019 e ingressou num "seleto" grupo. Apenas outros sete municípios gaúchos contabilizaram 50 ou mais mortes por violência, de acordo com os dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) até outubro.

A Capital do Vinho é o único município desta lista que possui menos de 210 mil habitantes. A preocupação é ainda maior por esta ser a segunda vez que Bento Gonçalves atinge tal marca – 2018 terminou com 52 assassinatos. Em cinco anos, os homicídios aumentaram 150% – em 2014, foram 21. A nova realidade da Capital do Vinho é explicada pelas disputas entre duas facções pelo domínio da venda de drogas no município.

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– É algo que não tínhamos como imaginar três anos atrás. Bento se tornou esse campo de batalha. Grupos que estão se digladiando e não temos como conter. Se prendemos um, aparecem mais dois ou três (para manter a prática criminosa). Não tem uma solução imediata. Ficamos insatisfeitos, mas infelizmente, é a guerra do tráfico – desabafa o delegado Álvaro Becker.

Na Brigada Militar (BM), o sentimento é semelhante. O major Luiz Fernando Becker ressalta que os números de crimes contra o patrimônio estão em queda e que a comunidade não se sente insegura nas ruas da cidade.

– O homicídio é um aspecto diferente dos outros índices criminais. Todos os demais estão no sentido contrário, estão em redução. É difícil combater homicídios, são diversos fatores que são alheios à atuação policial. É um reflexo desta briga pelo tráfico de drogas, que está inserido em Bento Gonçalves, assim como na maioria dos municípios do Estado – aponta o subcomandante do 3º Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (3º BPAT).

A nova característica desta guerra pelo tráfico é efetuar estas execuções – e possivelmente outras práticas criminosas, como a entrega de drogas – no interior. Foram 14 assassinatos registrados em áreas rurais, com as localidades de Tuiuty e Vila Aurora registrando quatro mortes cada. A busca por locais ermos pelo crime organizado é uma forma de evitar policiais, testemunhas e câmeras de monitoramento – o que torna ainda mais complicado desvendar a autoria dos crimes. 

– Sem um tratamento de choque irá continuar (a onda de homicídios). Precisamos de mais gente na rua, mais policiais, para fazer um serviço de contenção, investigação e prevenção. Só policiais nas ruas podem resolver. Assim, iremos evitar novos crimes e esclarecer os que já aconteceram – sentencia o delegado Becker.

Para 2020, a chefia da Polícia Civil conversa sobre medidas para combater este aumento dos assassinatos em Bento Gonçalves, mas não há definição. A BM conta com o apoio do recém inaugurado 4ª Batalhão de Choque, em Caxias do Sul, para ampliar as ações na cidade. Não há qualquer previsão que o número de policiais em Bento seja reforçado permanentemente.

Pela população, município aparece como o mais violento do interior

Em agosto, o Atlas da Violência já havia colocado Bento Gonçalves como a cidade mais violenta do interior do Rio Grande do Sul. Com base nos dados de 2017, o estudo comparou o número de mortes com a população local. A Capital do Vinho teve uma taxa de 33,9 assassinatos para cada 100 mil habitantes, ficando em nono do Rio Grande do Sul – atrás apenas de municípios da Região Metropolitana. 

Realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Atlas da Violência é o principal levantamento de dados sobre a violência no Brasil. Por ter alcance nacional e confrontar a indiferença histórica dos governos em formular estatísticas sobre a violência, o Atlas da Violência é publicado com um “atraso” de dois anos. Desta forma, a tendência é que Bento Gonçalves tenha resultados ainda mais preocupantes nas próximas edições – em 2017, foram 34 assassinatos contra os 52 e 50 contabilizados em 2018 e 2019,respectivamente.

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