"Ele quer ser o meu dono", diz mulher arremessada de carro em movimento em Caxias do Sul - Polícia - Pioneiro

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Violência doméstica16/12/2019 | 15h51Atualizada em 16/12/2019 | 15h58

"Ele quer ser o meu dono", diz mulher arremessada de carro em movimento em Caxias do Sul

Vítima pede ajuda da polícia e teme virar mais uma vítima de feminicídio no Brasil

Menos de dois dias após uma venezuelana ser assassinada com um líquido ácido, outro caso de violência doméstica chamou atenção pela gravidade em Caxias do Sul. Na noite de sábado (14), uma mulher de 45 anos foi arremessada de um carro em movimento. A vítima desmaiou com a queda e não sabe quem a socorreu. Quando acordou, estava no hospital sendo acompanhada por policiais militares.

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Conforme o boletim de ocorrência, o ataque aconteceu no bairro Presidente Vargas e o autor é um homem de 50 anos. A vítima relata que este ex-companheiro já foi preso em 2017 por agredi-la e ficou afastado alguns meses, mas sempre volta e a persegue.

Na delegacia de plantão, o caso foi registrado como lesão corporal. Contudo, a vítima acredita que foi uma tentativa de homicídio. Por isso solicitou medidas protetivas de urgências e deseja representar criminalmente contra o agressor.

O homem, que não foi localizado após a agressão de sábado, não possui mandado de prisão contra si e nem foi formalmente acusado, por isso não tem o nome divulgado. Ele continua a mandar mensagens para a mulher que jogou de um veículo em movimento.

Nesta segunda-feira (16), a vítima procurou o Fórum e a Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) em busca de ajuda. Por telefone, ela aceitou contar a sua história.

Pioneiro: O que aconteceu na noite de sábado?
Vítima:
Ele fica sempre me ameaçando e perturbando. Me liga e manda mensagem, quer ser o meu dono. Não quero mais ter nenhum tipo de relacionamento, nem contato com ele. Mas, ele é insistente. Fica a semana em Vacaria e vem no final de semana para me perturbar. Fui até a lancheria para comprar cigarro. Quando ele me viu já foi me agredindo, ofendendo e puxando os meus cabelos. Tentei falar e acabamos indo para outra lancheria. Ele se acalmou e começou a me agradar, mas bebeu bastante e me fez a ir até a quitinete dele. Só que quando estávamos no carro dele, ele ficou mais agressivo. Começou a me xingar, beliscar e empurrar. Tentou me jogar do carro, mas consegui me segurar. Só que na segunda (tentativa), ele me derrubou. Depois acordei no hospital. Devo ter desmaiado, não sei quem me resgatou. No hospital estava a polícia.

Qual o motivo das agressões?
Ele não aceita o término da relação. Eu não quero mais, mas ele não aceita e fica me manipulando. Sempre dizendo que vai mudar, mas não muda. Ele sempre foi agressivo e até já foi preso por isso. Foi em 2017, quando morava na minha casa e chegou bêbado num sábado. Falei para ir dormir, mas ele começou a me xingar e bater. Me ameaçava e escondeu meu celular e a chave da porta. Quando se distraiu, eu consegui fugir até a vizinha. A polícia veio e prendeu ele quando estava saindo. Acho que ficou uns 10 dias preso, foi bem pouco tempo.

O que aconteceu depois?
Com a medida protetiva, fiquei um tempo sem ver ele. Mas, depois, voltou a me perturbar. Ficamos juntos (de novo) e, agora, terminamos faz um mês. Não tinha mais medida protetiva (em vigor contra o agressor).

A medida protetiva ajuda?
Não sei, a medida é apenas um papel. Se o cara quer fazer mal para gente... Ele já me fez tanta coisa, não sei o que fazer. Por isso que estou tentando a medida protetiva (de novo). Sempre procurei que ele desistisse de mim, ou alguma mudança, mas é sempre a mesma coisa. Ele me persegue. Ele é agressivo, principalmente quando bebe. Quando está sóbrio, são só ofensas e xingamentos. Ele acha que é meu dono, diz "você é minha, não vai ser de mais ninguém". Tentava conversar, dizia que queria paz. Mas não adianta, ele não desiste. Daí ele faz muitas ameaças, até os meus filhos (a vítima possui dois filhos, de 28 anos e de 9 anos. O menino mora com o pai).

Tem notícias do agressor?
Ele está tentando falar comigo de novo. Mandou mensagens, mas não estou respondendo, foi o que o delegado me recomendou.

O que espera que aconteça agora?
Espero justiça. Ele precisa pagar tudo que me fez. Só eu sei a dor que sinto. Quero ver ele preso. Não sei o que vai acontecer, mas estou com muito medo. Ele tentou me matar. Não sei que velocidade estava (o carro), mas foi sorte que não era muita. Se não, ele teria conseguido me matar.

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