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 Feminicídio14/11/2019 | 18h25Atualizada em 14/11/2019 | 18h25

Investigado por assassinato de mulher só deve depor na terça-feira em Caxias do Sul

A previsão anterior era de que ele compareceria nesta quinta-feira na delegacia

Investigado por assassinato de mulher só deve depor na terça-feira em Caxias do Sul Divulgação / Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
A funcionária pública Ereni dos Santos, 42, foi morta a tiros no bairro Desvio Rizzo, em Caxias do Sul Foto: Divulgação / Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Foi marcado para terça-feira, dia 19 de novembro, o depoimento do homem investigado pelo assassinato da funcionária pública municipal Ereni dos Santos, 42. Inicialmente, a previsão era de que o suspeito compareceria nesta quinta-feira (14) na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) em Caxias do Sul. Contudo, após conversas entre os advogados dele e a delegada titular da Deam, Carla Zanetti, o depoimento foi agendado para a próxima semana. O nome do suspeito não é divulgado porque não há confissão formal do crime ou indiciamento. O investigado é ex-marido da vítima.

O homem é representado pelos advogados Marina Demoliner Barbosa, Airton Barbosa de Almeida e Alceu Barbosa Velho. Eles preferem não comentar se o cliente teve participação no assassinato. 

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Ereni foi baleada cinco vezes no início da tarde de segunda-feira, dia 11 de novembro, na Rua Avelino José Lora, no Desvio Rizzo. Os disparos foram efetuados pelo motorista de uma caminhonete Blazer, que seria o ex-marido da vítima.

Horas antes do crime, Ereni  havia participado de uma audiência de conciliação no Fórum com o investigado. O processo abordava o reconhecimento da união estável do casal, a guarda de dois filhos e a partilha de bens. No encontro com a presença de juiz, promotor de Justiça e advogados, não houve nenhuma discussão ou sinais de agressão por parte do homem. Segundo a defesa, o suspeito nunca teria se oposto a um acordo. O Fórum informou que Ereni tinha medida protetiva contra o investigado, o que impedia a aproximação dele. Em setembro, ela havia desistido de processá-lo por ameaça.

CRONOLOGIA

Abril de 2018

:: Segundo relatos de familiares e informações no processo da Vara de Violência Doméstica, Ereni dos Santos decide fugir de casa após ameaças e humilhações por parte do homem com quem conviveu durante 19 anos _ eles estavam juntos desde 1999. Ela sai com roupas e documentos e leva os dois filhos para um apartamento mobiliado, que havia alugado sem o conhecimento do marido. Em relatos a familiares, ela confidencia que o marido não aceitava uma separação e ameaçava matar ela e os filhos. O homem segue morando na moradia.

:: As ameaças não cessam e pouco tempo depois Ereni solicita uma medida protetiva na Vara de Violência Doméstica, que foi decretada no dia 24 de abril.

Setembro de 2018

:: Ereni ingressa com uma ação na Vara de Família para obter o reconhecimento da união estável que mantinha com o marido. Com isso, poderia formalizar a separação e pleitear a divisão de bens e definir a guarda dos filhos.

Maio de 2019

:: As ameaças prosseguem e a medida protetiva a favor de Ereni é prorrogada no dia 27 de maio pela Vara de Violência Doméstica.

:: Em período não divulgado pela Justiça, o ex-marido é chamado para participar do Projeto Hora, no Fórum, espaço onde agressores são convidados a refletir sobre seus atos como forma de diminuir a violência doméstica e a reincidência. Ele anota presença numa primeira reunião, mas não aceita seguir adiante no projeto.

:: Nesse período, Ereni já tinha voltado a morar com os filhos na casa no Desvio Rizzo por ordem da Justiça, que havia determinado a saída do homem da moradia.

Agosto de 2019

::  A Vara de Família designa o dia 11 de novembro para uma audiência de conciliação entre Ereni e o ex-marido.

Setembro de 2019

::  No dia 12, Ereni procura a Vara de Violência Doméstica e manifesta o desejo de não prosseguir com um processo movido contra o ex-marido pelo crime de ameaça. Ela diz que as ameaças cessaram e ela se sente mais segura. Com a decisão, o homem se vê livre de uma punição penal. A mulher, no entanto, pede ao juiz para manter a medida protetiva como garantia.

Novembro de 2019

:: Na manhã da segunda-feira, dia 11, Ereni e o ex-marido se encontram no Fórum para tratar sobre a audiência que levaria a um acordo de reconhecimento da união estável e da partilha de bens. O homem pede para reatar o relacionamento. Ele chora para sensibilizar a ex-esposa, mas Ereni não aceita. A audiência prossegue normalmente com a conciliação entre as partes. Ereni fica com a guarda dos filhos e o ex-marido pode ficar com eles aos finais de semana. O homem aceita vender a casa e dividir a metade do valor com a mulher. Em contrapartida, ele toma posse de uma lancha, de uma caminhonete Blazer e de um jet ski. Ereni fica com um Ônix e uma moto.

:: Por volta das 13h do mesmo dia, Ereni é emboscada na saída de casa, no Desvio Rizzo, pelo ocupante de uma Blazer, que seria o ex-marido. A perseguição se estende por cerca de 400 metros até a Rua Avelino José Lora, que não tem saída. A caminhonete encosta na traseira do Ônix e empurra o carro por alguns metros.

::  Segundo testemunhas, o motorista da Blazer desembarca, quebra o vidro do Ônix a coronhadas e dispara contra Ereni. Em seguida, larga um revólver na rua e foge com a caminhonete. No registro da polícia, porém, consta que a arma foi apreendida numa chapeação.

 
 
 
 
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