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Levantamento11/10/2019 | 17h42Atualizada em 11/10/2019 | 17h42

Violência em números: saiba quais os crimes que mais crescem na Serra

Dez cidades da região aparecem nas listas dos cinco principais índices criminais no RS

Violência em números: saiba quais os crimes que mais crescem na Serra Lucas Amorelli/Agencia RBS
Em Bom Jesus, mortes violentas triplicaram e comunidade clama por segurança Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Seis cidades da Serra aparecem entre os 50 municípios gaúchos com mais assassinatos nos primeiros nove meses de 2019. Os dados divulgados pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) reforçam o alerta em Farroupilha, Bom Jesus e Canela, que tem mais de 75% de aumento nas mortes violentas na comparação com o ano passado. Por outro lado, os crimes contra o patrimônio estão em queda na região.

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Os indicadores foram divulgados na quinta-feira e revelaram o setembro menos violento da última década do Rio Grande do Sul. Foram 126 vítimas de assassinatos, o menor número de homicídios no mês desde 2009. A explicação para a redução, segundo a SSP, está no foco nos municípios mais violentos. O programa RS Seguro, lançado pelo governo do Estado em fevereiro, prioriza as 18 cidades que concentram a maior parte dos delitos.

Foto: Arte Pioneiro

Única cidade serrana no RS Seguro, Caxias do Sul apresenta redução de 28% nos assassinatos e 29% nos roubos de carro. Para o tenente-coronel Jorge Emerson Ribas, o diferencial é o trabalho de gestão e a integração entre as polícias.

— A partir deste interesse político, com o entendimento e a integração do comando da BM e a chefia da Polícia Civil, gera um efeito em todo o estado. É muito mais direto nestes 18 municípios, que conversam e têm uma metodologia de trabalho, mas se irradia por todos os escalões — aponta o comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar (12º BPM).

O comandante-geral da Brigada Militar, coronel Mario Ikeda, aponta que o foco desta integração é identificar os principais delitos a serem combatidos conforme a realidade de cada município. Três prioridades são comuns: homicídio, roubo de veículo e de pedestre. Cada cidade elenca um quarto crime e desenvolve ações específicas. 

A chefe da Polícia Civil, Nadine Anflor, destaca que a instituição tem incentivado que outros municípios, ainda não contemplados pelo RS Seguro, adotem estratégias semelhantes, com maior interação entre os órgãos da segurança.

— A curva de violência no Estado é a mesma dos 18 municípios. Quando a gente vê uma redução significativa dos índices de criminalidade nessas cidades, caem os indicadores do RS. Mas claro que não se pode perder de vista os demais. É possível até que se amplie o número de cidades — analisou.

Foto: Arte Pioneiro

Roubos de carro preocupam em Farroupilha

O maior aumento na violência da Serra acontece em Farroupilha: passou de quatro assassinatos em 2018 para 19 neste ano. O crescimento de 375% nas mortes violentas está sendo combatido, nos últimos meses, com diversas prisões por tráfico de drogas — que seria o motivador destas execuções. Contudo, um segundo crime começa a incomodar: o roubo de veículos aumentou 13% no período.

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O dado está na contramão dos municípios vizinhos: Caxias do Sul teve redução de 29% e Bento Gonçalves queda de 54% neste tipo de assalto. O comandante do 36º BPM,  tenente-coronel Lúcio Henrique Alencastro, afirma que este combate será uma prioridade em Farroupilha:

— É um índice que é muito flutuante, que sobe e desce ao longo do tempo. Agora, iremos implementar operações de abordagem no final da tarde, que é quando aumenta este índice. Nosso setor de inteligência também está fazendo levantamentos para identificar o que está acontecendo e tentar reduzir novamente — afirma.

Foto: Arte Pioneiro

Curiosamente, um outro município da área do 36º BPM apresentou uma queda expressiva nos roubos de carro: Flores da Cunha teve apenas nove assaltos neste ano, contra 28 no ano passado. Para o capitão Daniel Tonatto, a redução de 68% é resultado do trabalho constante de todos os órgãos de segurança:

— Semanalmente, realizamos o mapeamento do crime e focamos as abordagens em locais estratégicos. Mas, estas diminuições coincidem quando os autores contumazes destes delitos estão presos. Quanto mais tempo ficam recolhidos, menos crimes acontecem. Por isso, a importância da integração com a Polícia Civil e o Judiciário.

Outra cidade que comemora a queda dos roubos de veículos é Bento Gonçalves, que reduziu os assaltos pela metade. O tenente-coronel Paulo Cesar de Carvalho destaca a troca de informações entre os batalhões da Serra:

— O pilar do meu comando é o setor de inteligência. A cada dois dias, estou conversando com a Polícia Civil e também trocamos informações com outras cidades. Não podemos olhar apenas para a nossa região. Tudo que é feito em Caxias, tem reflexo em Bento Gonçalves, e vice-versa — ressalta.

Foto: Arte Pioneiro

Estelionatos já fizeram 1,8 mil vítimas

Não por coincidência, um crime que tem ficado em segundo plano pelas forças policiais é o que mais tem crescido na Serra. O estelionato, que não está entre as prioridades do Programa RS Seguro por não envolver violência contra as vítimas, aumentou nos seis municípios da Serra que aparecem entre os 50 com mais ocorrências no RS. Foram mais de 1,8 mil pessoas enganadas nestas seis cidades.

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O aumento é explicado pela facilidade para a prática dos golpes e a incapacidade dos presídios em inibirem a entrada de celulares. Investigações do 3º Distrito Policial (3º DP) de Caxias do Sul apontam que apenados no sistema penitenciário são responsáveis pela maioria dos estelionatos em redes sociais.

— É preciso apenas um celular para aplicar um golpe. Esta facilidade de ludibriar as vítimas atrai os criminosos. Não é um crime que exige muito esforço, ao contrário do roubo em que é necessário força bruta. Por isso, muitos ladrões estão migrando para o estelionato — explica o delegado Luciano Pereira.

Foto: Arte Pioneiro

Os golpes mais comum acontecem em negociações por meio de sites de produtos usados. O estelionatário envia um comprovante de uma transferência falsificado ou de um depósito efetuado em caixa eletrônico (envelope vazio) e, imediatamente, um parente busca o objeto. Quando o vendedor percebe que o valor não entrou em sua conta, os golpistas já fugiram.

A Polícia Civil, contudo, lembra que os estelionatos se repetem periodicamente e as pessoas precisam sempre estar atentas. Nas últimas semanas, por exemplo, Caxias do Sul registrou o retorno de golpes antigos, como o conto do bilhete premiado e o falso funcionário de banco.

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