Saiba como agia a quadrilha condenada a 87 anos de prisão por furtos e extorsões em Caxias - Polícia - Pioneiro

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Crime organizado04/10/2019 | 16h42Atualizada em 04/10/2019 | 17h58

Saiba como agia a quadrilha condenada a 87 anos de prisão por furtos e extorsões em Caxias

Quarteto furtava caminhonetes, desmanchava e ameaçava vítimas

Saiba como agia a quadrilha condenada a 87 anos de prisão por furtos e extorsões em Caxias Reprodução/
Rodrigo Luan Feijó, Teylor Carneiro Gajardo, Filipe de Matos Pereira e Jeison Pereira Festugato Foto: Reprodução

A cada prisão, por menor que seja, a Polícia Civil de Caxias do Sul tem buscado entender o que está por trás daquele crime. O entendimento é que há cada vez menos crimes de ocasião e cada vez mais pessoas que escolhem furtos e roubos como uma profissão. Essa nova estratégia resultou numa condenação somada de 87 anos de prisão para quatro réus que se uniram para furtar caminhonetes, desmanchá-las e extorquir seus proprietários. A sentença foi proferida no dia 23 de setembro e cabe recurso.

Conforme a sentença, o grupo funcionava como uma empresa, com cada membro possuindo uma função específica. Rodrigo Luan Feijó e Teylor Carneiro Gajardo eram responsáveis por furtar os veículos. A preferência era por caminhonetes antigas com motor a diesel e destinadas ao trabalho, pois  possuem peças de grande valor de mercado e, geralmente, os donos não possuem seguros — o que deixa as vítimas mais vulneráveis à extorsão.

Os automóveis furtados eram levados para a oficina de Filipe de Matos Pereira, no bairro Serrano. O mecânico era responsável por esconder, desmanchar e trocar as placas das caminhonetes. Também era Filipe o responsável por guardar um Uno Way branco utilizado por Feijó e Gajardo nos furtos, como foi flagrado por câmeras de monitoramento localizadas pelos investigadores.

Antes do desmanche das caminhonetes, Jeison Pereira Festugato buscava extorquir as vítimas. Ele entrava em contato por um aplicativo, enviava fotos dos veículos e fazia ameaças. Em um dos casos, os investigados exigiam R$ 9 mil para devolver uma Ranger preta. Na época das extorsões, Festugato cumpria pena em prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.

Os crimes aconteceram entre a segunda quinzena de junho e o dia 25 de setembro de 2018 em diversos horários e locais da cidade. A investigação apontou a "coincidência" deste tipo de furtos ter aumentado exponencialmente após a Feijó e Gajardo deixarem o sistema penitenciário. O delegado Linhares, em seu depoimento, afirmou que os dois réus assumiram a prática criminosa como uma profissão.

Neste processo, o grupo foi responsabilizado pelo furto de três caminhonetes Ranger, duas F1000 e uma D20, além de um Gol branco e uma motocicleta CB 300R. O Ministério Público ainda aponta que há outros 14 casos de furtos de veículos e extorsões em tramitação que "apontam de forma inequívoca a autoria pela organização criminosa composta pelos denunciados Teylor, Rodrigo, Filipe e Jeison".

COMO A QUADRILHA AGIA

Um dos crimes praticado pela quadrilha iniciou na noite de 23 de setembro de 2018. Na ocasião, Gajardo e Feijó furtaram uma Ranger preta próximo aos Pavilhões da Festa da Uva. A dupla foi flagrada por câmeras de monitoramento e utilizou um Uno Way branco no crime.

A vítima participava dos festejos da Semana Farroupilha quando sua caminhonete foi levada. O homem conta que, logo no dia seguinte, passou a receber ligações de criminosos que exigiam R$ 9 mil pelo resgate do automóvel.  Os criminosos também telefonaram para a esposa do proprietário e fizeram as mesmas ameaças.

A caminhonete foi recuperada em uma ação da Polícia Civil no dia 25 de setembro de 2018, quando o mecânico Pereira foi preso no bairro Serrano. A vítima relata que as extorsões continuaram por mais alguns dias. As ligações, segundo a Polícia Civil, eram feitas por Festugato, que estava em prisão domiciliar. A caminhonete foi recuperada com danos do painel, causando um prejuízo de R$ 5 mil.

OS CONDENADOS

Rodrigo Luan FeijóFoto: Reprodução

Rodrigo Luan Feijó, 25 anos
:: Condenado a 19 anos e quatro meses de reclusão
:: Em frente ao juiz, negou as acusações e alegou que nunca foi abordado com qualquer veículo. Afirmou conhecer apenas o corréu Gajardo, que é marido de sua prima.
:: Recolhido desde que foi preso preventivamente em 17 de janeiro de 2019.

Teylor Carneiro GajardoFoto: Reprodução

Teylor Carneiro Gajardo, 30 anos
::
Condenado a 25 anos, sete meses e 20 dias
:: Em seu depoimento, afirmou que a investigação era uma perseguição a ele por parte do delegado. Admitiu conhecer os corréus Feijó e Festugato, mas negou conhecer Pereira.
:: Recolhido desde que teve a prisão cautelar efetivada em 11 de outubro de 2018, após denúncia do MP.

Jeison Pereira FestugatoFoto: Reprodução

Jeison Pereira Festugato, 28 anos
:: Condenado a 21 anos e um mês
:: Em juízo, alegou as acusações não eram possíveis, pois estava há poucos dias em casa (prisão domiciliar) e faz fisioterapia três a quatro vezes por semana. Admitiu conhecer Gajardo desde a infância e que já foi cliente de Pereira, mas negou relação com Feijó.
:: Recolhido desde que teve a prisão cautelar efetivada em 11 de outubro de 2018, após denúncia do MP.

Filipe de Matos PereiraFoto: Reprodução

Filipe de Matos Pereira, 29 anos
:: Condenado a 21 anos e quatro meses
:: Em juízo, negou as acusações. Alegou que é mecânico e os veículos apreendidos em sua casa e oficina eram de clientes, mas não soube identificá-los. Ele tinha essa oficina há um ano, era alugada, e não era registrada. Não citou os corréus.
:: Recolhido desde que foi preso em flagrante no dia 25 de setembro de 2018.

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