Assassinatos triplicam em Farroupilha, mas não causam temor - Polícia - Pioneiro

Versão mobile

 
 

Violência periférica31/10/2019 | 06h30Atualizada em 31/10/2019 | 07h23

Assassinatos triplicam em Farroupilha, mas não causam temor

Metade das 22 mortes estão concentradas em áreas invadidas de dois bairros

Assassinatos triplicam em Farroupilha, mas não causam temor Antonio Valiente/Agencia RBS
Invasão na linha férrea do bairro Industrial facilita clandestinidade de traficantes Foto: Antonio Valiente / Agencia RBS

Enquanto a maioria dos municípios gaúchos registra redução de homicídios, Farroupilha viu seus assassinatos triplicarem em 2019. Contudo, o salto de sete para 22 assassinatos não parece ter surpreendido as autoridades locais. O entendimento é de que as mortes são um avanço das disputas pelo tráfico de drogas que já foi visto nas vizinhas Caxias do Sul e Bento Gonçalves e apenas demorou para chegar no município de 72 mil habitantes. Como as execuções atingem na "maioria criminosos" e estão concentradas em duas localidades, não alterou a sensação de segurança da maioria dos moradores.

Leia mais
Dos 22 assassinatos em Farroupilha, 13 aconteceram em dois bairros de Farroupilha

Ao contrário de outras cidades, a inteligência policial de Farroupilha não detectou a chegada de uma liderança da facção, que costuma trazer armas mais letais e montar um grupo de extermínio para expulsar (ou executar) rivais. O que é visto é apenas a influência desse crime organizado: traficantes locais passaram a comprar a droga de membros destas facções em outras cidades e a utilizar o nome delas para impor "respeito".

Como as facções são apenas fornecedoras, não raro um traficante troca de lado em busca de um preço melhor e pontos de tráfico utilizando nomes de grupos rivais atuam na mesma comunidade — o que em outras cidades não acontece, justamente porque os criminosos matam os desafetos e clamam o controle sobre a venda de drogas.

Esta mudança foi suficiente para acirrar os ânimos neste submundo do crime, o que explica a elevação dos assassinatos. De acordo com a Brigada Militar (BM), 19 das 22 vítimas tinham antecedente policiais — e 11 delas já haviam passado por uma cadeia. Por isso, o foco das ações policiais é em coibir esta venda de drogas.

— Estamos fazendo uma repressão muito forte, mas, quanto mais prendemos e apreendemos (de drogas), mais prejuízo trazemos para estas pessoas. Como elas estão comprometidas com facções, ficam devendo e, pela lei delas, acabam pagando com a vida — aponta o major Juliano Amaral, subcomandante do 36º Batalhão de Polícia Militar (36º BPM) citando as 630 prisões já realizadas neste ano.

A avaliação do delegado Rodrigo Morale é semelhante, que afirma ter o combate ao tráfico como uma prioridade da Polícia Civil.

— O aumento (dos homicídios) é pela razão do tráfico, mas não tenho como afirmar o porquê (mudou na comparação com o ano passado). O crime de homicídio, não temos como prevenir. Tentamos prevenir o tráfico e realizar estas prisões. E, elucidar os homicídios que já ocorreram. Estamos com uma média de elucidação entre 30% e 40%. Esperamos conseguir elucidar entre 70% e 80%.

EM NÚMEROS

 Assassinatos por ano:
2014: 5
2015: 14
2016: 15
2017: 10
2018: 7
2019: 22 

Assassinatos por bairro:
Industrial: 8
São José: 5
Primeiro de Maio: 2
América: 1
Cinquentenário: 1
Do Parque: 1
São Roque: 1
Monte Bérico: 1
Linha Sertorina: 1
Mato Perso: 1

Prisões - aumentaram 35%
2018: 465
2019: 630

Prisões por tráfico - aumentaram 103%
2018: 30
2019: 61

Leia também
Subcomissão de Ética propõe perda de mandato de suplente da Câmara de Farroupilha investigado por desvio de dinheiro
Caxias e Farroupilha a um passo de integrar a Região das Cervejarias Artesanais do RS

 
 
 
 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros