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Cinco mortes em Bento25/09/2019 | 15h07Atualizada em 25/09/2019 | 15h13

Maior chacina da Serra foi ordenada de dentro de presídio de Caxias do Sul

Durante a investigação, líder de facção foi transferido para penitenciária de Charqueadas

Maior chacina da Serra foi ordenada de dentro de presídio de Caxias do Sul Leonardo Lopes/Agência RBS
Valdeni Alves da Silva é apontado como o líder de facção e ordenaria homicídios em Bento Gonçalves Foto: Leonardo Lopes / Agência RBS

A ordem para a maior chacina da Serra saiu de dentro do Presídio Regional de Caxias do Sul. A Polícia Civil apontou o apenado Valdeni Alves da Silva, 31 anos, como líder da facção que tem aumentado o número de homicídios em Bento Gonçalves. A investigação demonstrou que, por celular, o detento ordenou o ataque ao Bar dos Amigos, que resultou em cinco mortes no dia 7 de junho. Pelo indiciamento, o delegado Álvaro Becker, responsável pelo caso, diz que os envolvidos neste crime, cinco executores, devem ser sentenciados a 130 anos de reclusão.

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Para decifrar o crime com mais mortes da história da Serra, a Polícia Civil montou uma força-tarefa. Quatro policiais foram selecionados e, por quatro meses, se utilizaram de escutas telefônicas, análise de celulares apreendidos e quebras de sigilo autorizadas pela Justiça para demonstrar que o detento recolhido em Caxias do Sul ordenou as mortes:

— Ele se denomina o chefe dessa facção e montou um grupo de extermínio, que tinha a ordem de executar os rivais. Foi o que aconteceu (nesta chacina) e continuou. Esses indivíduos são matadores e estão envolvidos em todos os homicídios (ordenados pela facção e a maioria das 42 mortes deste ano na cidade). Atuam de forma separada nos crimes, só participaram todos nesta chacina — afirma o delegado Becker.

Ao longo da investigação, a pedido da Polícia Civil, Valdeni da Silva foi transferido para a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc). A intenção é reduzir o acesso do detento a celulares e, assim, desarticular este crime organizado. O delegado Becker também destacou a ação da Brigada Militar na noite desta terça-feira (25), que "desarticulou o quartel-general desta facção" e prendeu Reni Alves da Silva, 40, irmão de Valdeni.

Valdeni cumpre 15 anos de reclusão em razão de três condenações por tentativa de homicídio, porte de arma e tráfico de drogas. Ele está recolhido na Pasc em função das prisões preventivas solicitadas pela Civil. Caso contrário, conforme o Tribunal de Justiça, cumpriria sua pena em regime semiaberto em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica.

A transferência aconteceu no dia 31 de julho, durante uma operação da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) que coincidiu com o afastamento dos diretores daquela casa prisional. Na ocasião, a Vara de Execuções Criminais (VEC) apontou que Valdeni exercia uma liderança negativa e má influência aos demais presos, sendo necessária a sua transferência para restabelecer a ordem no Presídio Regional. A movimentação foi feita com urgência e sigilo após reunião de integrante da VEC com o Departamento de Segurança e Execução Penal (DSEP).

Apenas um dos cinco atiradores estão presos

Além do líder criminoso, a investigação identificou três dos cinco integrantes deste grupo de extermínio que participou da chacina em Bento. Apenas um deles está preso, Nilson Santana Nunes, detido por um assalto que aconteceu após as cinco mortes na cidade. A Polícia Civil pretende representar pela prisão preventiva dos quatro indiciados ainda nesta semana.

A investigação prossegue para identificar outros dois envolvidos no ataque ao Bar dos Amigos. O delegado Álvaro Becker antecipou que um destes investigados estava entre os cinco presos pela BM numa propriedade rural da Linha Passo Velho na noite desta terça-feira.

— Queremos identificá-los o mais rapidamente possível. Embora saibamos quem são, precisamos de provas concretas para remeter à Justiça. A motivação está clara: briga de facções. Uma facção que se diz mais poderosa que as outras está cometendo esses crimes. Dos 43 homicídios deste ano, no mínimo 40 estão envolvidos neste tráfico de drogas — ressalta.

Os investigadores também pretendem relacionar as armas apreendidas pela BM no "quartel-general da facção", o que inclui um fuzil, com as munições localizadas em homicídios recentes. A comparação balística deve comprovar em quais crimes as armas desta facção foram utilizadas.

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