"Levaram presa apenas a travesti", aponta envolvida em briga após o desfile cívico de Caxias do Sul - Polícia - Pioneiro

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Protesto08/09/2019 | 16h56Atualizada em 09/09/2019 | 14h55

"Levaram presa apenas a travesti", aponta envolvida em briga após o desfile cívico de Caxias do Sul

Cleonice Araújo afirma que tentou registrar crime de homofobia, mas polícia não aceitou

"Levaram presa apenas a travesti", aponta envolvida em briga após o desfile cívico de Caxias do Sul marcelo Casagrande/Agencia RBS
Cleonice reclama que antes de iniciar o tumulto, uma "uma mulher cospe na minha cara e me chama de traveco lixo". Foto: marcelo Casagrande / Agencia RBS

Única detida e algemada no tumulto após o Desfile da Independência em Caxias do Sul, Cleonice Felix de Araújo, 40 anos, afirma que foi vítima de homofobia. Ela admite que pisou em uma bandeira do Brasil, mas alega que também sofreu agressões e reclama que os policiais militares só prenderam "a travesti". No boletim de ocorrência, Cleonice foi autuada por lesão corporal contra duas vítimas.

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A desavença aconteceu próximo ao meio-dia de sábado (7), na Rua Sinimbu, quando a manifestação O Grito dos Excluídos e das Excluídas passava onde, momentos antes, havia acontecido o desfile cívico. O registro policial descreve que o protesto era pacífico até que Cleonice "passou a rolar no chão e pisar em cima da bandeira do Brasil, provocando, então, a ira das outras pessoas que estavam no local, que iniciaram agressões verbais mútuas, sendo que em determinado momento Cleonice entrou em vias de fato com a vítima (homem de identidade preservada) e ambos trocaram socos e empurrões, restando a vítima lesões na face". Mais à frente, a ocorrência relata que Cleonice entrou em novas vias de fato, desta vez com uma mulher.

A seguir, leia a versão de Cleonice Araújo, que é presidente da ONG Construindo a Igualdade, participante do desfile cívico, integrando primeiramente a programação oficial e mais tarde fez parte da manifestação com o Grito dos Excluídos e das Excluídas:

"Ao passar pela bandeira, eu subi sim (em cima), para tirar foto com um grupo que estava comigo. De repente, vem uma mulher e cospe na minha cara e me chama de traveco lixo. Foi aí que começou toda a confusão. Posso ser tudo, menos lixo. Sou um ser humano, sou caxiense. Foi isso que aconteceu. Foi um tremendo preconceito. Daí que eu cheguei às vias de fato.

Depois, o que mais me espanta, é o despreparo da Brigada, ao invés de levar as duas pessoas presas, que estavam em vias de fato, levaram apenas a travesti, a pessoa que é oprimida pela sociedade.

Na delegacia, fui algemada, a outra pessoa não estava algemada. Tentei registrar BO como crime de homofobia e não consegui, estou toda machucada, pelas agressões. A pessoa que é oprimida sofreu como eu sofri. Eles até estavam se divertindo da cena que eu fiz, mas quando perceberam que eu era travesti, virei um lixo.

A homofobia em Caxias não pode mais passar. Eu queria ter registrado como crime de homofobia, mas não tive esse direito respeitado. Eu estava algemada, como se fosse um bandido. Eu sou uma pessoa do bem. Se não houvesse a discriminação, eu nunca teria ido às vias de fato".

Segundo boletim de ocorrência, "o conduzido estava bastante alterado e foi necessário o uso de algemas e força moderada" para contenção. Cleonice diz que a partir de segunda-feira, dia 9, irá buscar apoio na Comissão de Direitos Humanos para dar seguimento ao que entende ser "um crime de homofobia".

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