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Feminicídio29/08/2019 | 16h42Atualizada em 29/08/2019 | 16h47

Réu é condenado a 13 anos por matar companheira no interior de Garibaldi

Sentença foi proferida oito meses após o assassinato

Réu é condenado a 13 anos por matar companheira no interior de Garibaldi Acervo pessoal/
Jocelaine era natural de Nova Palma, na Região Central, e morava com Mariani há cerca de seis meses Foto: Acervo pessoal

Após quatro horas de julgamento, Geraldo Mariani, 56 anos, foi condenado a 13 anos de reclusão por matar a esposa Jocelaine de Paula Neto, 45, no interior de Garibaldi. O feminicídio aconteceu na Linha Marcílio Dias, no dia 5 de janeiro. A sentença foi proferida às 13h55min desta quinta-feira (29) no Fórum da cidade. O promotor Paulo Adair Manjabosco afirma que não irá recorrer da sentença por considerar que a pena ficou dentro dos parâmetros previstos.

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Na época do crime, testemunhas contaram à polícia que Mariani teria chegado em casa com sinais de embriaguez e que os dois teriam discutido. Jocelaine foi morta com três golpes desferidos com duas facas diferentes. O tórax e o pescoço da vítima foram atingidos.

Jocelaine era natural de Nova Palma e, segundo a irmã Joseli de Paula Neto Véstena, conhecia Mariani há bastante tempo, mas havia se mudado para Garibaldi para viver com ele pouco mais de seis meses antes do crime. O casal trabalhava no plantio de uvas e, segundo a família, estavam planejando se casar. A vítima tinha dois filhos de uma primeira união _ um de 16 e outro de 18 anos.

Joseli conta que, antes do crime, a irmã ligou para ela. Jocelaine queria passar o aniversário com a família (ela completaria 46 anos três dias depois de ser morta), já que não pôde vê-los no Natal e final de ano. Conforme Joseli, Mariani teria ameaçado a vítima outras vezes, mas ela nunca o denunciou por acreditar que as promessas de morte não se concretizariam.

Mariani possui registros policiais de ameaças a outras três mulheres. Segundo o delegado Clóvis Rodrigues, a primeira passagem policial do condenado foi em 2005. A mulher dele, à época, fez duas comunicações à polícia de que estava sendo ameaçada de morte pelo marido. Depois disso, ele voltou a figurar entre as ocorrências de violência doméstica em 2009. Oito anos após, em 2017, mais dois registros contra Mariani foram feitos por uma nova companheira, também por ameaça. Nenhum dos casos resultou em medidas protetivas em favor das vítimas.

Antes deste crime, o último caso de feminicídio em Garibaldi, segundo o delegado Clóvis Rodrigues, ocorreu em 5 de julho de 2014. O autor foi preso cinco dias após de ter cometido o crime. Foi julgado um ano e dois meses depois, e condenado a 37 anos de prisão. O nome da vítima e do autor não foram divulgados.

Rapidez do processo chama atenção

O processo judicial sobre o assassinato de Jocelaine de Paula Neto, morta em janeiro, durou menos de nove meses, uma celeridade que seria considerada impossível em outras cidades. Para comparação, Caxias do Sul possui, atualmente, 207 acusados de crimes contra vida aguardando por julgamento, mas há apenas sete júris marcados até o final do ano. A baixa produtividade tem explicação: não há juiz. A Vara do Júri tem, hoje, 5,2 mil parados.

O promotor Paulo Adair Manjabosco, que atuou no júri desta quinta-feira em Garibaldi, elogiou o juiz Gerson Martins da Silva e equipe pela velocidade dos trâmites. O representante do Ministério Público ressalta que todos os prazos foram cumpridos:

—  Antes da data de uma audiência, por exemplo, é feita uma triagem para garantir a participação de todas as partes. Neste processo, lembro de uma audiência que o réu (recolhido ao sistema penitenciário) não poderia ser conduzido, então houve uma mobilização para garantir a presença dele e a realização do ato.

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