Mutirão finaliza 114 investigações de crimes sexuais contra crianças e adolescentes em Caxias do Sul - Polícia - Pioneiro

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Contra a impunidade05/07/2019 | 15h06Atualizada em 05/07/2019 | 15h30

Mutirão finaliza 114 investigações de crimes sexuais contra crianças e adolescentes em Caxias do Sul

Metade dos casos tiveram suspeitos indiciados, mas apenas sete prisões foram pedidas

Mutirão finaliza 114 investigações de crimes sexuais contra crianças e adolescentes em Caxias do Sul Felipe Nyland/Agencia RBS
Mutirão foi idealizado pelo delegado Caio Fernandes para reduzir pilhas de inquéritos Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

A mobilização da Polícia Civil levou à conclusão de 114 investigações de crimes sexuais contra crianças e adolescentes neste primeiro semestre em Caxias do Sul. Metade desses casos tiveram os suspeitos indiciados por estupro ou importunação sexual; sete prisões preventivas foram representadas. Alguns crimes eram de 2012 e pareciam esquecidos até o mutirão feito pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). O início do mutirão foi anunciado em janeiro. A DPCA não divulga, mas estima-se que pelo menos 150 casos seguem em aberto — 66 foram registrados somente neste semestre.

Leia mais:
Mutirão tenta esclarecer mais de 150 casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes

Mais do que enfrentar a falta de efetivo, a iniciativa inédita buscou dar uma resposta à sociedade. Em média, uma criança é vítima de crime sexual a cada três dias em Caxias do Sul, conforme os registros da Polícia Civil neste ano (quadro abaixo).

— Acontece muito, mas o que vejo é que hoje os fatos são mais noticiados e não que, no passado, ocorressem menos. É igual a outros crimes: não é necessariamente a quantidade de pena que inibe a prática criminosa, mas sim a certeza da punição. É o que buscamos com este mutirão — afirma o delegado Caio Marcio Fernandes.

A mobilização ainda finalizou seis investigações de tentativas de homicídio contra menores de idade. A intenção é reduzir os inquéritos acumulados, começando por estes crimes mais graves. Se a pilha de casos em aberto incomodava os policiais, as investigações causaram surpresa aos suspeitos e até a familiares de vítimas. 

— Ao serem intimados, (os suspeitos) falavam que achavam que já havia acabado. Os próprios parentes das vítimas falaram que "demorou um pouco para me chamarem" e tentamos explicar que a demanda é alta. Cada caso é individualmente analisado e verificado sobre o que e como deve ser feito. Por isso é trabalhoso — conta o delegado.

A principal medida da iniciativa inédita foi colocar os crimes sexuais na frente dos delitos de menor gravidade. Assim, ao invés de chamar testemunhas de uma briga de adolescentes, os policiais intimavam familiares de uma vítima de estupro. Os investigadores também pressionaram para que colegas de outras cidades cumprissem as diligências necessárias naqueles locais para a investigação de Caxias do Sul, as chamadas cartas precatórias.

— Também reiniciamos a tentativa de localização de testemunhas e cobramos o resgate de perícias e laudos. Em alguns casos buscamos outras linhas de investigação e até reinquirimos pessoas que já haviam sido ouvidas, sempre com objetivo de melhor aclarar os fatos — detalha o chefe da DPCA.

O mutirão esclareceu 114 registros de crimes sexuais, sendo:
::
71 estupros de vulneráveis
:: 30 estupros (vítimas de 14 a 17 anos).
:: 13 assédios e importunações sexuais
:: 6 casos de homicídios tentados ou consumados

Violência sexual contra menores de idade em 2019:
:: 13 estupros
:: 40 estupros de vulnerável
:: 13 importunação sexual

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