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Investigação17/06/2019 | 18h00Atualizada em 18/06/2019 | 09h11

Como a polícia esclareceu a chacina no Beco da Esperança, em Caxias do Sul

Após 10 meses, caso terá sua primeira audiência na Justiça

Como a polícia esclareceu a chacina no Beco da Esperança, em Caxias do Sul Porthus Junior/Agencia RBS
Quádruplo homicídio aconteceu no bairro Planalto na noite de 2 de agosto de 2018 Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Um dos crimes mais violentos da história de Caxias do Sul terá sua primeira audiência nesta terça-feira (18). Robson Ferreira da Silveira, 26 anos, e Wilson de Oliveira de Lima, 19, são acusados de matar quatro pessoas, incluindo uma grávida de oito meses, no Beco da Esperança, no bairro Planalto, na noite de 2 de agosto de 2018. A investigação ainda apontou a participação de um menor de idade na época.

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Um dos pontos essenciais para o esclarecimento da chacina foi uma ação da Brigada Militar (BM). Dois dias após o crime, os dois réus e o adolescente de 17 anos foram detidos em Palmeira das Missões. Na ocasião, foi apreendida uma pistola 9mm. A arma foi encaminhada para perícia, que confirmou que a pistola havia sido utilizada na chacina do Beco da Esperança.

O trio estava em um Voyage com placas clonadas que trafegava pela ERS-569 e colidiu contra dois veículos estacionados em um posto de combustível. Os suspeitos fugiram a pé, mas acabaram localizados posteriormente.

Conforme informações apuradas pela BM na época, o trio caxiense teria ido à Palmeira das Missões para executar um alvo ligado à facção rival. O Voyage havia sido roubado em Porto Alegre.

A esta prova técnica, a Polícia Civil complementou depoimentos e o histórico do Beco da Esperança, que era conhecido pela venda de drogas. Uma denúncia anônima, que foi incluída no processo, deu detalhes daquela noite. Na ocasião, os dois casais estariam participando de um churrasco com outras três pessoas quando quatro homens se aproximaram. O primeiro a ser assassinado foi José William Oliveira Machado, 23, que estava sentado e foi alvejado na cabeça.

Na sequência, de acordo com o relato anônimo, foram mortos Emerson Luiz da Cruz Ferreira, 39, e Cassia Valadão dos Santos, 21, que estava grávida de oito meses. As outras pessoas foram ordenadas a fugir, mas Tatiane Vidal dos Santos, 19, teria retornado para buscar a filha e, por isso, foi baleada e morreu.

A denúncia ainda confirma que o beco era um ponto de venda de drogas ligados a facção que atua no bairro Planalto e que a chacina foi uma resposta a execução de Maicon Antônio Kuver, 17 anos, no bairro Primeiro de Maio, três dias antes, que foi a mando da facção que as vítimas da chacina teriam relação.

Relembre o crime

A chacina fez parte de uma sequência de ataques homicidas entre duas facções rivais que resultaram em 13 assassinatos entre julho e o início de agosto. Os crimes aconteciam, principalmente, nos bairros Planalto e 1º de Maio, que são os territórios originais das duas organizações criminosas em Caxias do Sul. Naquela mesma noite, outras duas pessoas foram assassinadas.

No caso do Beco da Esperança, os atiradores chegaram em um automóvel e abriram fogo contra dois casais que estavam na via pública.  Conforme a Polícia Civil, após fugir do bairro, os assassinos trocaram de veículo e seguiram para o bairro Castelo. O adolescente teria ido na carona de uma motocicleta para matar Luís Eduardo Biegelmeyer dos Santos, 34, que foi executado dentro de um bar na Rua Governador Euclides Triches.

Robson Ferreira da Silveira e Wilson de Oliveira de Lima foram indiciados por quádruplo homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa das vítimas, além dos crimes de associação criminosa e aborto sem consentimento da gestante. A dupla foi denunciada em 20 de fevereiro, logo após a conclusão do inquérito policial. Esta será a primeira audiência do processo que tramita da 1ª Vara Criminal.

Ambos os réus seguem recolhidos em prisão preventiva: Silveira está recolhido na Penitenciária Estadual do Jacuí e Lima na Penitenciária Estadual de Caxias do Sul, na localidade do Apanhador. Os dois são representados pela Defensoria Pública neste processo.

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