Chacina em Bento Gonçalves indica que mais uma facção entrou para disputa de pontos de droga na Serra - Polícia - Pioneiro

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Crime organizado10/06/2019 | 17h02Atualizada em 11/06/2019 | 08h45

Chacina em Bento Gonçalves indica que mais uma facção entrou para disputa de pontos de droga na Serra

Ataque ao Bar dos Amigos seria um ato de resistência de traficantes locais

Chacina em Bento Gonçalves indica que mais uma facção entrou para disputa de pontos de droga na Serra Reprodução  / RBSTV/RBSTV
Cinco homens foram mortos a tiros no bairro Municipal na noite de sexta-feira (7) Foto: Reprodução / RBSTV / RBSTV

A  maior chacina da história da Serra trouxe um novo nome para as disputas de facções na região, de acordo com investigações da polícia. Este grupo é formado pelos "traficantes resistentes" de Bento Gonçalves, que não querem ceder para a invasão de criminosos da Região Metropolitana, que estariam na região desde 2016. No mundo do crime, eles utilizam o mesmo nome da segunda organização criminosa mais antiga em atividade no Rio Grande do Sul.

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A origem desta facção remonta à segunda metade da década de 1990, no Presídio Central de Porto Alegre, a maior prisão gaúcha. Na época, haviam dois grupos criminosos distintos. O primeiro, que tem seu nome ainda espalhado em pichações das periferias gaúchas, almejava o monopólio da criminalidade organizada e tinha como ideologia a não colaboração com qualquer atividade de iniciativa da administração prisional e a defesa do crime como forma de vida. O outro grupo era quase uma antítese : sempre dispostos a colaborar com a administração, engajavam-se em movimentos com vistas a melhorias no presídio, procuravam trabalhar e estudar, mas sem abrir mão do crime.

Mas houve presos que não aceitaram ficar na sombra dos líderes destas duas organizações e decidiram, segundo uma gíria muito utilizada por eles, "se abrir". Eles, então, procuravam se isolar em outras galerias e acabaram formando um comando aberto: era uma espécie de livre iniciativa e concorrência, com cada preso mantendo seus próprios negócios dentro da galeria, com independência em relação à facção.

Com o passar dos anos e a polarização do tráfico em nome de duas facções, que elevaram o número de assassinatos em Caxias do Sul desde 2016, a união entre os resistentes é uma questão de sobrevivência. Em Bento Gonçalves, a utilização de um nome para identificar e unir os traficantes surgiu a partir do final de 2017, em meio ao pico de execuções que elevou a taxa de homicídios na Capital do Vinho.

O ataque ao Bar dos Amigos seria mais uma reação desses traficantes locais contra a invasão daqueles da Região Metropolitana de Porto Alegre. Essa é a primeira vez que, oficialmente, a Polícia Civil cita os resistentes unidos como uma organização criminosa. A liderança desse grupo já estaria recolhida ao sistema penitenciário, mas continuaria em atuação.

Apesar de seguir em atividade, essa facção aberta está enfraquecida em Porto Alegre. Ainda assim, mantém o domínio em pelo menos uma galeria do Presídio Central. Nas ruas, ainda mantém algumas bases na zona norte de Porto Alegre.

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