Esquartejador de Caxias é preso 15 anos depois do crime ao pedir certidão na PF - Polícia - Pioneiro

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Prisão21/05/2019 | 06h12Atualizada em 21/05/2019 | 10h56

Esquartejador de Caxias é preso 15 anos depois do crime ao pedir certidão na PF

José Carlos da Silva foi condenado em 2012 pela morte de Joacir Toledo da Silva, em 2004

Esquartejador de Caxias é preso 15 anos depois do crime ao pedir certidão na PF Daniela Xu/Agencia RBS
José Carlos da Silva chegou a ser preso em 2004, quando confessou o crime Foto: Daniela Xu / Agencia RBS

Quinze anos depois de ter matado um metalúrgico a marteladas e esquartejado o corpo em Caxias do Sul, na Serra, o autor do crime foi preso nesta segunda-feira (20). José Carlos da Silva, conhecido como Baiano, hoje com 46 anos, foi condenado em 2012 por matar Joacir Toledo da Silva, que na época tinha 28 anos e morava na mesma casa que ele. O homicídio ocorreu em junho de 2004.  

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A prisão de Silva ocorreu em uma situação inusitada. Mesmo sendo foragido da Justiça, ele foi até a Delegacia da Polícia Federal de Santana do Livramento, na Fronteira, pedir uma certidão. Ao consultar o sistema, foi identificado mandado de prisão contra o homem em aberto. Ele resistiu à prisão e precisou ser contido pelos agentes. Depois, o assassino foi levado para o presídio do município e deverá ser transferido para Caxias do Sul.

O autor de um dos assassinatos mais cruéis e de maior repercussão de Caxias do Sul, na época com 31 anos, confessou ter matado a marteladas o metalúrgico com quem dividia moradia. Depois, ele contou ter esquartejado o corpo de Toledo. Eles moravam juntos em uma casa no bairro Universitário. 

A motivação para o homicídio nunca foi esclarecida completamente. Silva alegou ter agido em legítima defesa. Ele chegou a ser preso na Bahia, mas depois deixou a cadeia. Na época, em entrevista ao jornal Pioneiro, afirmou que cometeu o crime e chegou a indicar a localização do tórax e da cabeça do metalúrgico.

Após esquartejar Toledo, o criminoso deixou as pernas e braços na casa onde eles moravam. O resto do corpo foi levado para um matagal. A condenação ocorreu em maio de 2012. A pena é de 13 anos de prisão em regime fechado.

Na época da condenação, a promotora que atuou no júri em Caxias do Sul, Sílvia Regina Becker Pinto, disse que "O sistema legal determina que a prisão somente será levada a efeito depois de não caber mais nenhum recurso. Aí, sim, o Juiz deverá, se mantida a condenação, expedir mandado de prisão e inclui-lo no sistema de procurados. A partir daí, qualquer autoridade que o encontrar deverá lhe dar voz de prisão".

Em entrevista nesta segunda-feira (20) a GaúchaZH, a hoje promotora da 1ª Vara do Júri de Porto Alegre disse:

— Quanto ao fato de somente ser preso hoje, gostaria de dizer que a justiça tarda mas não falha. Ela tarda e falha. Falha em ter deixado um sujeito assim em liberdade durante o processo, porque o crime, por si, é autoexplicativo da periculosidade do agente; falha por implementar políticas jurisprudências de desencarceramento, num país em que se mata mais de 60 mil pessoas por ano, é dizer, mais que em uma guerra, e falha quando interpreta as questões processais sem levar em consideração a vítima, seus familiares e toda a sociedade, como se todas essas pessoas não fossem também dignas de proteção e segurança na ordem jurídica, é dizer, de parte do Estado.

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