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Homicídio 05/05/2019 | 18h37Atualizada em 05/05/2019 | 19h46

Assassinato de professor em Caxias do Sul está cercado de mistérios 

Corpo estava embaixo da ponte seca, próximo ao acesso ao aterro São Giácomo, no Loteamento Mattioda, enrolado em um edredom

Assassinato de professor em Caxias do Sul está cercado de mistérios  Facebook/Reprodução
Foto: Facebook / Reprodução

O assassinato do professor Vinícius Ferreira da Silva Gatelli, 25 anos, na última sexta-feira (03), em Caxias do Sul, é um mistério que intriga a família e amigos do jovem.  O professor da rede estadual de ensino foi morto a tiros, sendo que um deles foi disparado na cabeça. 

O corpo, parcialmente enrolado em um edredom, havia sido jogado na lateral da Rua Luiz Covolan, embaixo da Ponte Seca, no acesso  ao aterro São Giácomo, no Loteamento Mattioda. O motorista de uma van escolar viu o cadáver na rua e comunicou a Brigada Militar por volta das 20h20min. 

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Segundo a família, Gatelli saiu de casa na sexta-feira, por volta das 19h, para encontrar com amigos.  Ele iria a um jantar de despedida porque o contrato dele na Escola Estadual Sílvio Dal Zotto, no bairro Santa Catarina, não seria renovado. 

O professor carregava uma carteira de couro com R$ 1.571,85 em dinheiro, uma nota de US$ 1, um chaveiro e a nota fiscal de uma padaria. Como os objetos não foram levados afasta a possibilidade de um assalto seguido de morte. O celular, no entanto, não estava com o rapaz.  O edredom sobre o corpo de Gatelli não pertencia a ele ou a sua família. 

Vanderlei Mauro Gatelli, 55, pai de Vinicius, conta que o filho disse amigos lhe buscariam na Rua Cristiano Ramos de Oliveira, a duas quadras da casa onde morava com a família no bairro Desvio Rizzo. Os familiares não sabem se o encontro chegou  a acontecer. 

— A morte do nosso filho é muito estranha, porque ele saiu de casa para pegar uma carona, e geralmente, os colegas pegavam ele nesse ponto, próximo a nossa casa. Foi muito rápido, porque ele saiu depois das 19h e foi encontrado logo depois. Me pergunto porque enrolaram o corpo dele em um edredom  — questiona o pai. 

A reportagem apurou que o professor foi visto por uma testemunha sacando dinheiro do caixa eletrônico de um posto de combustíveis perto de casa, rotina que ele fazia com frequência. Contudo,  a testemunha não soube dizer se o saque foi realizado na quinta-feira ou na sexta-feira.  

– Se sofria ameaças, nunca nos falou – complementa o pai.   

Ainda em choque, ele fala sobre a dor de enterrar o filho mais velho:

—  Não faço ideia do que pode ter acontecido, é  muito doloroso um pai ter que enterrar um filho. 

A investigação está sob a responsabilidade da Delegacia de Homicídios. A reportagem não conseguiu contatar o titular da DP, Rodrigo Duarte.

"Ele brincava de dar aula. Tinha alunos imaginários", conta irmã

Filho de Vanderlei e Valdirene, 45, e irmão de Victória, 19,  e Vicenzo, 8, Gatello, lecionava na Sílvio Dal Zotto e na José Generosi. A irmã se emociona ao falar sobre a paixão do professor pelo Grêmio, por músicas gaúchas, que adorava dançar, e principalmente, por lecionar:

— Ele brincava de dar aula. Quando criança, escrevia no quadro com giz e tinha alunos imaginários. Ele gostava de ensinar. Estava sempre com a mochila brincando de ser professor. Era um dom. Meu irmão era calmo, tinha muitos amigos e amado por todos. Todos gostavam de abraçar ele e ficar por perto — lembra Victória. 

Professores lamentam assassinato do jovem 

A titular da 4ª Coordenadoria Regional de Educação (4ª CRE), Janice Moraes, conheceu o professor quando ele era estudante. Depois, ela reencontrou o jovem quando ele trabalhava na 4ª CRE, e em seguida, tinham contato em função dos contratos temporários de Vinícius, para lecionar para os anos iniciais. A coordenadoria irá fazer um trabalho de acolhimento com os alunos do professor durante essa semana. 

— Vinícius tinha carisma e dedicação aos alunos e sempre desempenhou com carinho a função de alfabetizar as crianças. A comunidade escolar está chocada porque ele era um profissional muito comprometido com a educação _ aponta Janice. 

A paixão pela sala de aula era visível tanto que o rapaz nunca se queixou de ser transferido e tampouco se recusava a começar a lecionar em outras escolas, já que os contratos eram temporários:

— Sempre aceitava as transferências. Por mais difícil que fosse perder as turmas onde lecionava, ele aceitava seguir para outra escola e se dedicava aos alunos _ cita a titular da 4ª CRE.

O corpo do professor foi enterrado na manhã deste domingo (05), no Cemitério Público Municipal. 

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