Contra homicídios, força-tarefa da Polícia Civil prende três em Bento Gonçalves - Polícia - Pioneiro

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Entrevista04/12/2018 | 14h57Atualizada em 04/12/2018 | 19h51

Contra homicídios, força-tarefa da Polícia Civil prende três em Bento Gonçalves

Mobilização pretende esclarecer metade dos casos de assassinatos

Contra homicídios, força-tarefa da Polícia Civil prende três em Bento Gonçalves Polícia Civil / Divulgação/Divulgação
Foto: Polícia Civil / Divulgação / Divulgação

A força-tarefa da Polícia Civil contra a onda de homicídios em Bento Gonçalves resultou em três prisões no início desta semana. A operação iniciou no dia 15 de outubro para frear os altos índices de assassinatos em 2018 — já são 50 no ano — e ampliar de elucidação.

Os três presos preventivamente seriam suspeitos de homicídios, contudo não foi divulgada a identidade dos investigados ou por quais crimes estão respondendo. Antes, a força-tarefa já havia resultado em dois flagrantes por posse irregular de armas e tráfico de entorpecentes.

A delegada Daniela de Oliveira Mineto, titular da Delegacia de Homicídios de Passo Fundo e responsável pela força-tarefa, explica que a mobilização prossegue até o dia 13 de dezembro e o objetivo é resolver metade dos inquéritos de homicídios (confira entrevista abaixo). A investigadora confirma que o aumento dos homicídios na cidade está relacionado ao avanço do tráfico de drogas.

OS CASOS
:: A primeira prisão ocorreu na tarde de segunda-feira, quando um homem de 32 anos foi capturado. Ele é suspeito de matar Almir Rodrigues dos Santos, 33, no bairro Eucaliptos, na noite de 6 de novembro. O ataque teve mais de 30 tiros e danificou transformadores de energia elétrica, deixando moradias das proximidades sem luz. Os atiradores estavam em um carro prata.

:: Com apoio da Brigada Militar, a segunda prisão ocorreu na noite de segunda-feira. O jovem de 19 anos é investigado pela execução de Marcelo dos Santos Costa, 26, que foi morto em 27 de agosto no bairro Eucaliptos.

:: Na manhã desta terça-feira, foi preso outro homem de 32 anos. Ele é suspeito do assassinato de Leonardo dos Santos Farias, em 24 de novembro, na Rua Severino da Silva, no bairro Vila Nova. Este é o homicídio mais recente e que fez Bento Gonçalves alcançar a histórica marca de 50 assassinatos em um ano.

"Atividade mais intensa na investigação tem que se perpetuar"

Pioneiro: Como está força-tarefa?
Delegada Daniela de Oliveira Mineto: Quando chegamos recebemos todos os (inquéritos de) homicídios que estavam em andamento, que são 50 inquéritos. Estamos encerrando sete inquéritos e, ao longo da semana, é provável que aconteça uma remessa maior. Estas (três prisões de segunda) foram as primeiras preventivas que conseguimos efetuar, mas há outras em andamento. Bento Gonçalves está com um perfil muito específico de homicídios envolvendo o tráfico e o uso de drogas. Inclusive, em bairros em específico. Há notícias do envolvimento de grupos criminosos, mas são estabelecidos de forma embrionária. Nosso objetivo é buscar o combate e impedir que estes grupos de estabeleçam.

Como compara a situação com Passo Fundo, onde atua?
Passo Fundo tem o dobro da população, mais de 200 mil habitantes, e por óbvio temos mais casos. Lá são quase 150 inquéritos de homicídios consumados e tentados, em Bento são 50. Só que nosso perfil (de crime) não tem esta característica de disputa de tráfico e disputas entre grupos (de crime organizado). Vemos algumas execuções, mas lá ainda está distinto. Enquanto aqui (Bento) é quase exclusivamente motivado pela droga, (em Passo Fundo) são mais mescladas e variadas. Temos a influência, por óbvio, do tráfico, mas também temos crimes passionais e brigas de momento, como com envolvimento de bebida alcoólica. Outra característica distinta é que todos (de Bento) são com o uso de arma de fogo.

Há dificuldades de investigação em Bento Gonçalves?
É muita falta de contribuição popular, realmente é uma grande dificuldade enfrentada. Também em razão da motivação do tráfico de drogas, há um certo receio da população em colaborar com a polícia. 

Como ficará após a força-tarefa?
Essa atividade mais intensa na investigação tem que se perpetuar para que esta criminalidade não aumente. Caso não haja uma manutenção, o risco é aumentar (a violência).

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