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Sinal telefônico23/10/2018 | 06h05Atualizada em 23/10/2018 | 06h05

Bloqueadores são promessa sem prazo para novo presídio de Bento Gonçalves

Obra alcança os 70% e cadeia deverá ser entregue em janeiro de 2019

Bloqueadores são promessa sem prazo para novo presídio de Bento Gonçalves Felipe Nyland/Agencia RBS
Secretário Cézar Schirmer verificou a construção na semana passada Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Após cinco meses de obras, já é possível visualizar o formato do novo presídio de Bento Gonçalves. A empresa responsável afirma que a construção está dentro do cronograma e casa prisional será entregue no fim de janeiro de 2019. Na inauguração, porém, a cadeia ainda não contará com bloqueadores de sinal telefônico. A medida é considerada essencial no combate ao tráfico de drogas e à onda de assassinatos no município — já são 44 em 2018.

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Na semana passada, o secretário estadual da Segurança Pública, Cézar Schirmer, aproveitou a passagem pelo município para visitar a obra na Linha Palmeira. Apesar de admitir a importância de inibir a comunicação de detentos com o lado de fora da cadeia, o secretário afirma que os bloqueadores não são uma solução mágica.

— Há um processo de compra para 10 cidades e, certamente, os presídios novos terão bloqueadores. Bento terá, certamente. Só que não é a salvação. É importante e um investimento caro, mas não vai resolver. Não impedirá outras comunicações do mundo de dentro da cadeia com o de fora — afirma Schirmer, que critica as visitas íntimas e outras permissividades da legislação brasileira.

 BENTO GONÇALVES, RS, BRASIL 17/10/2018Policiais militares de diversos estados do país participam do 3º Encontro Técnico de Polícias Rodoviárias do Brasil, em Bento Gonçalves. O secretário estadual de Segurança Pública, Cezar Schirmer, participou de um painel nesta quarta-feira. Ele aproveitou a passagem na cidade para conferir as obras do novo presídio na cidade, com previsão de conclusão para fevereiro de 2019. (Felipe Nyland/Agência RBS)
Conforme a construtora, obra já alcançou os 70%Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

A direção da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) também acompanhou a visita e ressaltou o esforço conjunto em favor da tecnologia para as casas prisionais. De acordo o superintendente Ângelo Carneiro, o termo de referência já foi finalizado e enviado para a empresa responsável. O próximo passo é abertura do processo licitatório, o que deverá ocorrer "muito em breve". Contudo, em razão da burocracia necessária, a Susepe evita falar em prazos para os bloqueadores.

— É lógico que os colocaremos em casas estratégicas, nas quais há uma poder maior de liderança entre os apenados. Não é o caso de Bento Gonçalves. O que temos planejado para Bento é um equipamento à altura do perfil do preso que estará recolhido. Não será um simples bloqueador, mas um aparelho de inteligência que permite bloquear, desbloquear e ouvir (as ligações). Assim, trabalharemos de forma integrada com todas as forças de segurança no combate da criminalidade — explica Carneiro, que admite que a tecnologia não estará disponível na inauguração da nova casa.

Controle

Durante a visita da comitiva estadual, o destaque eram as medidas adotadas para permitir o trabalho dos agentes penitenciários com o mínimo de contato com os apenados. Os servidores atuarão em um andar acima das galerias e a abertura e fechamento de celas será automática.

— O sistema prisional é o elo frágil da segurança pública porque o Poder Público abdicou do controle das prisões, fazendo um controle compartilhado com os presos. As cadeias que estamos construindo, incluindo esta de Bento, já irão operar nas condições de absoluto controle: presos com uniforme, horário para dormir, acordar, tomar banho, estudar, ter uma profissão, fazer sua oração, etc — promete Schirmer.

Obras alcançam os 70%

De acordo a Verdi Sistemas Construtivos Ltda, a construção do novo presídio de Bento Gonçalves, que está com todas as estruturas já levantadas, alcançou os 70% de conclusão e está dentro do planejado, apesar dos transtornos provocados pelas chuvas no inverno. 

A estrutura, que abrigará 420 detentos em 48 celas, é composta por 18 prédios interligados. Além das duas galerias com 48 celas, o projeto prevê ambulatório, lavanderia, cozinha industrial, prédio administrativo e um pavilhão para receber as visitas. Ao fundo, já é possível o início da muralha que cercará a casa prisional.

A próxima etapa é o trabalho de acabamento do prédio, com trabalhos como de revestimento cerâmico, pintura, instalação de esquadrias, janelas e portas.

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