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Triste marca16/09/2018 | 19h59Atualizada em 16/09/2018 | 20h00

Saiba por que 2018 é o ano mais violento na história de Bento Gonçalves

Cidade já acumula 97 assassinatos desde janeiro de 2016

Saiba por que 2018 é o ano mais violento na história de Bento Gonçalves Brigada Militar / Divulgação/Divulgação
Nem mesmo o reforço de policiais militares do BOE em Bento consegue frear a onda de mortes na cidade Foto: Brigada Militar / Divulgação / Divulgação

Nem mesmo o reforço de policiais militares do 1º Batalhão de Operações Especiais (BOE) de Porto Alegre, que estão realizando diversas operações para prender criminosos, consegue frear a onda de mortes violentas em Bento Gonçalves.

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Ao romper novamente a marca histórica de assassinatos na madrugada deste domingo (é a quinta vez que isso acontece nos últimos cinco anos), a cidade chega a um estágio de violência que ainda não é ápice, segundo projeção das próprias autoridades. Já são 35 mortes neste ano (em todo 2017, foram 34 casos), o maior número registrado, o que segue mantendo o município entre os mais violentos no Estado pela proporção de habitantes x total de homicídios. 

Jean Carlos Paida, 23 anos, natural de Chapecó (SC), é o nome mais recente nessa lista de mortes violentas. Com passagens por tráfico de drogas e outros delitos no Estado vizinho e no Rio Grande do Sul, Paida levou vários tiros em uma travessa da Rua Ari da Silva, no bairro Eucaliptos, por volta das 5h15min deste domingo. Segundo a BM, ele estava em prisão domiciliar desde a última sexta-feira. A comunidade onde ocorreu a execução está no foco do trabalho da BOE desde a semana passada. Neste ano, dos 35 assassinatos, 23 aconteceram nos bairros Eucaliptos, Zatt, Ouro Verde e Municipal. 

Até agora, do total de mortes no ano, a Polícia Civil tem certeza de que 18 delas têm relação direta com a disputa pelo controle de pontos de tráfico na cidade. Apenas oito mortes estão esclarecidas. O interesse das facções criminosas por Bento Gonçalves é notório há meses. Considerando os casos registrados desde 2016, período em que a guerra do tráfico começou a provocar execuções em sequência, o município acumula 97 assassinatos, a maioria de pessoas ligadas à criminalidade. São os traficantes locais perdendo espaço para as organizações associadas de Caxias do Sul e da Região Metropolitana.

— Entendo que só vamos conseguir reduzir a violência se os presos ficarem presos — afirma o secretário municipal de Segurança, tenente-coronel José Paulo Ianke Marinho.

O apelo do experiente policial tem amparo na recente soltura de dois criminosos envolvidos num assalto a um mercado em Bento Gonçalves, em maio passado. No ataque, duas pessoas foram baleadas na perna. Os bandidos ganharam liberdade e já circulam pelo bairro onde cometeram o crime.

— Nos sentimos impotentes diante desse tipo de situação — desabafa Marinho.

RANKING NEGATIVO

* Considerando a quantidade de assassinatos pelo total de habitantes, Bento Gonçalves ocupa a segunda posição das cidades mais violentas da Serra gaúcha. Com 119 mil habitantes e 35 homicídios no ano, a taxa atual é de 29 mortes por 100 mil habitantes. 

* Pior do que Bento, só mesmo a situação vivenciada em São Marcos, com 13 assassinatos para 21,4 mil habitantes, proporcionalmente a cidade com a taxa mais alta na região (60). 

* Garibaldi (19,7), Gramado (19,5), São Francisco de Paula (18,4) e Caxias do Sul (18) aparecem na sequência como os municípios com mais homicídios na Serra x total de moradores, respectivamente.

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