"Mito veio do discurso de deputados", aponta especialista sobre compra de armas - Polícia - Pioneiro

Versão mobile

 
 

Não é impossível30/08/2018 | 06h20Atualizada em 14/09/2018 | 14h00

"Mito veio do discurso de deputados", aponta especialista sobre compra de armas

Desinformação nas redes sociais seria uma estratégia política

"Mito veio do discurso de deputados", aponta especialista sobre compra de armas Porthus Junior/Agencia RBS
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Os números da Polícia Federal na Serra apontam que comprar armas não é tão difícil quanto o apontado em manifestações nas redes sociais. Se os requisitos existentes não são considerados absurdos e os números mostram que a maioria das pessoas consegue adquirir uma arma, por que tantas pessoas se manifestam nas redes sociais afirmando o contrário? Como se iniciou esse mito de que é impossível para o cidadão se armar no Brasil?

Leia mais
Debate sobre armas não condiz com números na Serra

Para Marcos Rolim, doutor em Sociologia e presidente do Instituto Cidade Segura, a desinformação é uma estratégia de políticos mal-intencionados que querem alterar a legislação para atender aos seus interesses.

— Este mito veio do discurso de deputados eleitos pelas indústrias de armas, que querem reduzir o controle sobre armas. Eles alteram a realidade para transitar uma proposta cretina com mais facilidade (de acesso às armas). Ao meu ver, quem tem preocupação com segurança pública deveria exigir que os policiais apreendessem armas e restringissem essa circulação. Defendo que policiais recebam um bônus por arma apreendida. Em Pelotas, já está tramitando (um projeto de lei) para prever este prêmio — acredita Rolim.

Um dos pontos mais criticados pelo estudioso no Estatuto de Controle de Armas de Fogo, proposta que está para votação na Câmara dos Deputados para substituir o Estatuto do Desarmamento, é a retirada de impedimentos para que pessoas que respondam a inquérito policial, processo criminal ou que sejam condenadas por crime culposo (não intencional) tenham acesso a armas. 

— É uma proposta que não é séria. A atual Bancada da Bala (composta por políticos de diversos partidos) quer que qualquer pessoa possa ter uma arma. Hoje, o estatuto é fundamental pois quem é flagrado com uma arma ilegal é preso na hora. Não importa se esta pessoa pretendia ou já havia cometido um crime — argumenta.

Enquanto os pró-armas apontam que a violência continua a aumentar no Brasil e que o Estado é ineficiente em proteger a sociedade, os manifestantes a favor do Estatuto do Desarmamento respondem que mais armas em circulação nas ruas resultariam em mais assassinatos por motivos banais.

— No Brasil, as pessoas não sabem discutir no Facebook e vivem se xingando no trânsito. Imagina você estar num bar e dois caras brigarem. Agora, imagine os dois estando armados. Essa ideia (de que é preciso facilitar o acesso as armas em favor da segurança) ser apresentada ao público e ser repetida por quem não entende é um escândalo — avalia Rolim.

"Armas legais é que vão parar nas mãos dos criminosos"

Sobre o argumento de ter armas para se defender de assaltantes, Marcos Rolim lembra que bandidos utilizam do efeito surpresa e que os próprios comandantes da Brigada Militar e Polícia Civil recomendam não reagir diante desta desvantagem. O estudioso ressalta que são as armas roubadas do cidadão, de vigilantes e de policiais de folga que estão nas mãos dos criminosos:

— Não existe no mundo uma indústria que produza armas para bandidos. Todas as armas que estão nas mãos de bandidos foram, um dia, compradas legalmente. Como bandidos tem acesso a armas? Cometendo assaltos. Também é uma desinformação dizer que estas armas (nas mãos de criminosos) são produto de contrabando: 85% das peças apreendidas são produzidas no Brasil.

O efeito surpresa utilizado pelos assaltantes também aparece nos relatos de moradores do interior de Caxias do Sul. De acordo com o presidente do Sindicato Patronal Rural de Caxias do Sul, Valmir Susin, os agricultores não relatam dificuldades para comprar armas e gostariam de ver mais policiamento no interior.

— Quando tem arma e vê que tem uma pessoa estranha, claro que ajuda bastante. O problema é que eles (assaltantes) pegam de surpresa. Quanto te assaltam, tu estás desprevenido. Temos vários relatos que dinheiro e armas são as primeiras coisas que os bandidos levam. É problemático ter arma e não ter também é. O bom, mesmo, seria não ter assalto — afirma Susin, que ressalta que o sindicato não é favor do Estatuto do Desarmamento. 

Leia também
Com pacto entre cidades, quatro escolas de Caxias devem receber aulas de italiano
Dê sua opinião e ajude a mudar o RS: "Do que a Serra precisa?"
Dois carros batem de frente na BR-470, em Veranópolis, e causam a morte de idoso e criança
Diminuir diferenças entre escolas é dever do próximo governo


 
 
 
 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros