"Na minha cabeça, a morte não é uma hipótese", diz mulher de desaparecido em Vacaria - Polícia - Pioneiro

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Mistério30/04/2018 | 16h46Atualizada em 01/05/2018 | 14h15

"Na minha cabeça, a morte não é uma hipótese", diz mulher de desaparecido em Vacaria

Famílias dos três homens desaparecidos não perdem a esperança de encontrá-los

"Na minha cabeça, a morte não é uma hipótese", diz mulher de desaparecido em Vacaria Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Barco foi encontrado às margens do Rio Pelotas no dia 4 de abril Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Quase um mês após o desaparecimento de três moradores de Caxias do Sul no interior de Vacaria, as famílias de Eleandro Aparecido Rodrigues Moraes, 40 anos, Nelson Jair Soares, 44,  e Alexsandro do Amaral Correa, 22, continuam esperando encontrá-los com vida. Os três desapareceram no dia 4 de abril na região de Capela do Caravaggio, onde estavam construindo uma casa no terreno de Moraes. As buscas sem sucesso se encerraram no último dia 18, embora a investigação continue. Entre a espera e a angústia pela falta de notícias,a esperança permanece no cotidiano dos familiares do trio. 

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"Eu não perco a esperança nunca"

Para Marina Navarro, 18 anos, esposa de Alexsandro do Amaral Correa, o marido é uma pessoa que se relaciona bem com todo mundo. Quando ela sai na rua, sempre encontra conhecidos que perguntam, querem saber dele. Mas ela já não tem mais respostas.

Nos primeiros dias do sumiço, Marina pensava em sequestro, mas a hipótese foi descartada, pois não houve pedido de resgate. Depois, o afogamento também foi sendo desconsiderado pela família. Agora, Marina não sabe mais o que pensar. 

A saudade é grande na casa em que ela mora com a mãe e a filha de um ano e quatro meses, em Caxias do Sul. Apesar de não ser filha biológica de Correa, a criança pergunta o tempo todo por ele. 

— Eu queria alguma notícia de verdade. No domingo ( dia 1º),  ele me disse: "minha nega, vou lá pra gente mudar de vida". Na segunda, antes de ir, me deu um beijo e disse que me amava. Depois, não tive mais contato com ele. 

Agora, ficam as lembranças de Correa pela casa.  

— A gente pensa nele tempo todo. Quando olha para as coisas dele, dá uma saudade enorme — desabafa 

"Na minha cabeça, a morte não é uma hipótese"

Para a esposa de Eleandro Moraes, até que se prove o contrário, o marido está vivo. Ela, que tem 36 anos, descreve ele como um homem de fibra, que sabe se virar em situações difíceis. 

— Eu descartei a hipótese de afogamento logo de cara. Ele se criou na beira do rio, na beira do mato, no Paraná. Ele se vira muito bem — conta a mulher. 

Ela conta que está sendo um período muito difícil, pois não encontra respostas de nenhum lado. 

— Sei que a hipótese de sequestro foi descartada, mas na minha cabeça eu penso que eles foram levados de lá, na minha cabeça a morte não é uma hipótese. O Eleandro não ia se entregar tão fácil. Estamos juntos há 15 anos. Ele sabe que a família precisa dele.

Eleandro e a mulher têm dois filhos, um menino de 3 anos e uma menina de 10. 

— O pequeno não entende ainda, mas ela sim. Dá para ver nos olhos dela o que ela sente. E eu não tenho respostas para as perguntas dela — desabafa a esposa, que não quer ter o nome divulgado por causa dos filhos.  — A polícia de Vacaria está sendo muito humana com o caso. Eu não ligo para o delegado todos os dias porque sei que ele vai me avisar se houver novidade, mas quero destacar o empenho deles.

A casa na beira do Rio Pelotas, segundo a esposa, é o sonho de Eleandro.

— Ele ama pescar, aquela casa é o sonho dele e ele conhece bem o rio — reforça. 

" O desespero vem junto com a esperança" 

— A gente nem tem mais o que pensar. Só sei que no rio eles não estão, então tinham que partir para outras buscas, outras possibilidades — afirma Jéssica Campos, filha mais velha de Nelson Jair Soares.

Ela diz que a família está sentindo muito a falta de Soares. 

— Tenho cinco irmãos por parte de pai, meus tios, meu vô, todos estão sentindo muito. Só consigo pensar que fizeram algum mal para ele. Quando penso que ainda não o acharam, vem o desespero, mas junto vem a esperança — resume Jéssica.  

Ela mora em Canela e o pai em Caxias, mas as visitas de Soares à filha eram frequentes. Jéssica vive com o marido e dois filhos pequenos.  Fazia cerca de 20 dias que pai e filha não se viam, mas as crianças sentem a falta do avô. 

— O pequeno sempre pede para ligar para o vovô — conta a filha de Soares.

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