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Opinião14/01/2020 | 07h00

Adriana Antunes: um dia todos vamos morrer

Se você enquanto me lê, parasse tudo por um segundo apenas, conseguiria dizer onde fica a sua paz? 

Essa é a única certeza que temos. Mas entre o nascimento e a morte, existe a vida. Se você enquanto me lê, parasse tudo por um segundo apenas, conseguiria dizer onde fica a sua paz? Em qual parte do corpo, em quais pensamentos? Ou a resposta seria não sinto paz? De vez em quando é importante pensarmos no momento de nossa morte, porque isso nos faz rever como está a nossa vida. Quanta culpa corre em suas veias, dividindo espaço com o colesterol, quanta vontade de falar sobre assuntos que nunca mais foram falados, mas que permanecem aprisionados? Quanto medo há em seus pensamentos, quantas dúvidas existem intoxicadas de solidão e abandono? Às vezes, só fazemos isso quando estamos diante de uma doença grave seja nossa ou de alguém que amamos. Então pela primeira vez precisamos aceitar que estamos inexoravelmente caminhando em direção à morte. Nesse processo, todos adoecemos. O resultado deste processo levará a desintegração das relações e da família ou ao fortalecimentos dos lados afetivos, mas isso depende de como estamos vivendo o hoje. A morte apenas deflagra a situação. É nessa hora que nos damos conta do quanto somos amados ou não e do quanto podemos amar ainda. Muitas vezes a única coisa que precisamos é poder olhar no olho das pessoas que amamos a vida toda, mas brigamos o tempo todo, e dizer que apesar de tudo parecer dar errado, o desejo era que desse certo. A morte só terá sentido se a vida fez sentido. Nesses momentos é preciso ouvir o que a dor está nos dizendo, seja ela do corpo ou da alma. O que a dor está nos falando sobre a vida que vivemos, pois morremos como vivemos.

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Em 2015 eu fiz um documentário sobre envelhecimento, eu, Marcos, Juares e Rafael, pela UCSTV para o canal Futura. Foi um momento ímpar de contato com a última etapa da vida e ela pode ser assustadora, mas também extremamente sábia, dependendo de como envelhecemos e aceitamos a passagem do tempo. Entrevistamos pessoas velhas, bem velhas, médicos, especialistas no assunto e a maior constatação foi a de que morremos um pouco a cada dia, estejamos conscientes ou não de estarmos vivos. Mas morremos mais rápido quando somos privados dessa consciência. Por isso é importante refletir sobre como será a nossa partida enquanto ainda fazemos atividades, cuidamos do corpo, estamos com saúde e dispostos a viver mais a cada dia. Pode parecer um assunto pesado para se falar, mas lembre que tão importante quanto saber o porquê vivemos é como vivemos.Vamos voltar à pergunta inicial dessa breve reflexão: se você estivesse morrendo devagar, num leito de hospital, esperando alguém entrar pela porta e com tempo de pensar, o que você pensaria? O que você faria? Então não perca mais tempo e viva.

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