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Opinião07/01/2020 | 07h00

Adriana Antunes: turning point

Por que temos tanto medo de seguir nossos desejos?

Ponto de curvatura, dobra, mudança. Todo mundo em algum momento da vida já sentiu que gostaria de ter uma vida, um trabalho que fosse diferente, mas não apenas mudar de ambiente, fazer algo completamente alheio ao que sempre fez. Por exemplo, uma advogada largar tudo e virar dona de uma floricultura, uma doutora em letras desistir de dar aula e fazer vestibular de medicina, um contador largar o escritório e virar artista de teatro, uma jornalista depois de anos atuando na área, fazer uma formação em psicanálise e abrir consultório. Por que temos tanto medo de seguir nossos desejos? Às vezes ficamos apegados a relacionamentos e formas de vida que já não cabem mais em nós, ficaram ultrapassados, tediosos, nos trazem mais angústia do que alegria e mesmo assim, resistimos à mudança. 

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Criamos fantasias de que não conseguiremos nos estabelecer em um novo emprego, completamente fora de nossa área de atuação, que teremos de recomeçar um novo relacionamento e conhecer o outro outra vez, tudo de novo, desde o começo e então, feito Sísifos todos os dias carregamos pedra morro acima para ela rolar morro abaixo durante a noite. Que castigo. Castigo que nós mesmos nos infringimos de forma sadomasoquista. A pergunta é: por quê? Uma vez em sala de aula, debatendo esse assunto com meus alunos, um deles disse que havia lido em algum lugar sobre o fato de que o ser humano poderia ter até seis profissões diferentes ao longo da vida. Isso parece tão alentador, não é? É como se alguém nos autorizasse que podemos sim, mudar durante a jornada e que isso não é errado ou ruim. Dependemos de uma aprovação externa para sermos quem gostaríamos de ser, até porque, se der errado, poderemos culpar alguém pelo que fizemos. 

Isso é uma armadilha, que armamos para nós mesmos. Se você não é mais feliz na profissão que escolheu para si, se a questão central não é apenas mudar de emprego, mas trocar de ramo profissional, se seu casamento é mais cheio de buracos do que terreno plano, porque não olhar para isso de modo sincero e generoso? Busque ajuda se achar preciso para tomar a decisão que provavelmente já existe dentro de você, depois planeje a mudança, haja de modo honesto, primeiro consigo, para poder ser depois com os envolvidos e finalmente mude, alce voo, saia, arrume as malas, dê a partida no carro, assuma para si as rédeas da sua vida e seja. Isso é ser livre. 

É assumir todas as variações dessa equação e executá-la. Muito provavelmente muita coisa vai dar errada num primeiro momento, muito choro, muita angústia, muito medo, mas nada se compara a possibilidade de se viver de modo mais autêntico e verdadeiro. O ano está só iniciando, pense nisso tudo e saiba que não está sozinho nesta busca. Também inicio o ano fazendo meu turning point.

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