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Opinião06/11/2019 | 07h00Atualizada em 06/11/2019 | 07h00

Ciro Fabres: diálogo com as pugs

A dificuldade ou ausência de diálogo resulta em medidas administrativas incompreensíveis

As duas pugs da família se alvoraçam naquela contagiante agitação canina toda vez que há sinal de movimentação, especialmente nos horários habituais, em que já estão acostumadas ao passeio necessário. Cães são condicionados, e prestam atenção em todos os passos de seus tutores. São especialistas na rotina da casa, identificam sinais, anteveem movimentos, e ficam de prontidão. Um gesto esboçado, e estão prontos, felizes e disponíveis para o passeio aguardado.

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Ocorre que nem sempre é possível. Volta e meia, a vida nos coloca compromissos que interferem na rotina dos cães. Então, surge uma pequena dificuldade, a ser bem administrada: não será possível o passeio naquele momento. A experiência tem me ensinado que a melhor saída, no caso, é apelar para o diálogo. Isso mesmo. Procuro conversar com as pugs. Posto-me diante delas e explico a situação, de forma audível, apelando para o gestual e em bom português. As duas sentam-se sobre as patas de trás, uma ao lado da outra, fitam-me compenetradas e ficam escutando. A cena é impagável. Fica explícito que converso com elas, e parecem reconhecer a consideração pelo diálogo. Encerrada a breve explicação, as duas já aprenderam que há um impedimento momentâneo para suas pretensões. Então, cessa a agitação e voltam a seus afazeres, sem mais protestos. Confiam que, daqui a pouco, a hora do passeio vai chegar.

O diálogo tem se revelado útil com os cães. O bom entendimento se materializa, a convivência torna-se mais tranquila, são ações administrativas, por assim dizer, para o bom andamento da casa. Devemos reconhecer: ninguém de nós tem o monopólio e o doutorado do diálogo. Há assuntos embaraçosos, temos as dificuldades pessoais, a inaptidão fruto de alguma má vontade, de circunstâncias ocasionais, de traços de personalidade ou dos ambientes que rodeiam cada um. Mas temos de buscar o diálogo, incessantemente. Requer disponibilidade, espírito aberto e exercício, muito exercício.

A dificuldade ou ausência de diálogo resulta em medidas administrativas incompreensíveis, como muitas do atual governo municipal, que já interrompeu atividades de moradores em centros comunitários sem maiores explicações ou impede manifestações na Praça Dante sem lógica ou bom senso. Resulta no campo de guerra que se tornaram as redes sociais, em tragédias como a de um homem que chegou atirando agora no domingo, na hora do carteado, em um centro comunitário, a quem uma boa conversa, em algum momento anterior, poderia ter indicado outro caminho. Resulta na polarização sem saída. Ao contrário, a boa conversa abre possibilidades, desarma bombas, conflitos e tragédias.

Com diálogo, sempre será mais fácil e há menos chance de errar. A compreensão das pugs lá de casa muito bem o comprova.

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