Bartholomeu Tacchini e os 95 anos do hospital  - Pioneiro

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Memória20/09/2019 | 07h00Atualizada em 20/09/2019 | 07h00

Bartholomeu Tacchini e os 95 anos do hospital 

Referência no atendimento médico na região, casa de saúde foi fundada em 20 de setembro de 1924

Bartholomeu Tacchini e os 95 anos do hospital  Acervo Hospital Tacchini / divulgação/divulgação
O Hospital Dr. Bartholomeu Tacchini em meados da década de 1940 Foto: Acervo Hospital Tacchini / divulgação / divulgação

Além dos festejos farroupilhas, o 20 de setembro marca outro feito na região: a fundação do Hospital Tacchini, há exatos 95 anos, em 1924. Para celebrar ambas as datas, a entidade promove hoje a mateada da integração com a comunidade (leia mais no quadro abaixo).

Toda essa história remete aos primórdios da colonização italiana em Bento Gonçalves, período em que centenas de imigrantes morriam devido às más condições de saúde e à falta de assistência médica. Parte do sofrimento das famílias de imigrantes só começaria a ser amenizada a partir de 1912, quando chegou à cidade o médico italiano Bartholomeu Tacchini, a pedido do cônsul italiano no Rio Grande do Sul.

Nascido em 19 de novembro de 1878, na Sicília, Tacchini era filho de uma família de posses e, após mudar-se para a região de Modena, largou todos os bens a que tinha direito e seguiu para o Brasil a fim de servir aos conterrâneos. Foi quando o "doutor Tacchini" passou a trabalhar dia e noite, chegando à casa dos doentes onde quer que fosse – muitas delas situadas em meio à mata, com difícil acesso. 

Já o pagamento dos serviços prestados ficava a critério das famílias. Alguns pagavam em dinheiro, outros ofertavam produtos agrícolas, vários não tinham sequer como quitar as consultas: retribuíam apenas com um "muito obrigado e Deus lhe pague, doutor".

Tacchini e seu Ford durante os atendimentos pelo interior de Bento, nos anos 1930Foto: Acervo Hospital Tacchini / divulgação

O início

O maior desafio do médico italiano, porém, surgiu devido à falta de equipamentos, remédios e um local que realmente pudesse ser considerado um hospital – o que levou Tacchini a tomar uma decisão drástica e clamar à população: "Ou vocês me deem condições de trabalhar aqui, ou vou embora para outra cidade, até mesmo para a Itália".

A resposta foi imediata, com a comunidade mobilizando-se para convencê-lo a ficar no município e prometendo a construção de um hospital. Pouco depois, aos 20 dias do mês de setembro de 1924, antes mesmo do início das obras físicas, acontecia a fundação do Hospital Dr. Bartholomeu Tacchini. 

O lançamento da pedra fundamental, em 30 de abril de 1925Foto: Acervo Hospital Tacchini / divulgação

O prédio e sua evolução

Em 1924, mais precisamente no dia 19 de novembro, aniversário de Bartholomeu Tacchini, foi realizada uma missa campal e uma quermesse no terreno onde seria construído o futuro hospital. 

Em 13 de março de 1927, dois anos após o lançamento da pedra fundamental, era inaugurado o primeiro prédio, com entrada pela Rua Saldanha Marinho. Já em 1929, o mentor rumou à Itália em busca de equipamentos mais modernos para o atendimento. 

Retornando em 1930, passou a contar com o auxílio do sobrinho, o também médico Walter Galassi, que nomearia o pavilhão inaugurado em 1936. Na sequência, em 1938, surgiria o pavilhão Ida Galassi Tacchini, em homenagem à mãe de Bartholomeu Tacchini.

A inauguração do Hospital Tacchini em 13 de março de 1927Foto: Acervo Hospital Tacchini / divulgação
Os médicos Augusto Casagrande, Bartholomeu Tacchini e Walter Galassi na sala de cirurgia do Hospital TacchiniFoto: Acervo Hospital Tacchini / divulgação

Morte em 1936

Em São Paulo para tratar de um câncer na laringe, Bartholomeu Tacchini já antevia sua morte nos primeiros meses de 1936.  Pouco antes de viajar ao centro do país, confidenciou ao amigo Telêmaco Ballista, em um pequeno bilhete: “Não voltarei vivo à Bento Gonçalves”. Em outra oportunidade, manifestou o desejo de ser enterrado no pátio do hospital ou no cemitério dos pobres.

No dia 18 de novembro daquele ano, um telegrama enviado ao povo de Bento informava o falecimento de seu mais benquisto médico, aos 58 anos.  Chegado de trem – e após o enorme cortejo fúnebre pela cidade –, o corpo do doutor Tacchini foi colocado em um mausoléu, junto à capela do hospital. Posteriormente, foi transladado para o pátio – durante muitos anos, inclusive, o corpo embalsamado ficou exposto para visitação.

Bartholomeu Tacchini não constituiu família — mas, informalmente, foi um integrante das centenas que atendeu durante sua trajetória. 

A Estação Férrea de Bento Gonçalves em 1936, quando da chegada do corpo do doutor Bartholomeu TacchiniFoto: Acervo Museu do Imigrante / divulgação
O cortejo fúnebre do médico Médico Bartholomeu Tacchini em 1936Foto: Acervo Hospital Tacchini / divulgação
O médico Bartholomeu TacchiniFoto: Roni Rigon / Agência RBS

Parceria 

Com informações do site www.hospitaltacchini.com.br

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Mateada da integração

A mateada de integração alusiva aos 95 anos do Hospital Tacchini ocorre nesta sexta (20) junto à praça Achyles Mincarone, entre 14h e 18h, com serviços de orientação nutricional, verificação da pressão arterial e divulgação das ações dos grupos de culinária saudável e combate ao tabagismo. Haverá ainda distribuição de brindes, erva-mate, água quente, pipoca e vale-descontos da Farmácia Tacchimed. 

Algumas atrações

:: 16h: alongamento e caminhada orientada por profissional de Educação Física. As 50 primeiras inscrições ganharão uma camiseta alusiva à data, sendo que as inscrições são gratuitas e podem ser efetuadas no próprio local

:: 16h30min: apresentação da Invernada Adulta do CTG Laço Velho

:: 17h: show da banda Trebbiano

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