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Opinião15/05/2019 | 07h00Atualizada em 15/05/2019 | 07h00

Ciro Fabres: o massacre ao erro

Não cometa a imprudência de errar. Se você errou, você é um miserável

Não queira errar. Não cometa a imprudência de errar. Erros de todos os tipos. Não saia da linha. Se você errou, você é um miserável. Nossos dias, na regra geral, não toleram o erro. Esse, afinal, é um mundo de resultados, em que não se pode perder tempo. E um erro exige correção de rumos, uma meia-volta, uma administração. Se você for prudente, não erre, portanto. Você sabe das consequências. Mas nesse caso, haja pressão.

A saída para desmontar essa bomba, aliás, está na outra ponta: não tenha medo de errar. Essa é a chave para as melhores ideias, os melhores sucessos, a melhor administração das dificuldades pessoais. No discurso, o erro é admitido. Na prática, porém, na resultante do mundo real, especialmente no universo do trabalho e das relações, não é assim que funciona. Quem errou paga, e paga preço elevado. Com a perda do emprego, com a quebra de confiança nas relações. A pressão é permanente. Assim é a vida, com muita pressão.

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Ocorre que, se não é possível não tomar providência diante de erros que se repetem, também precisa haver a administração do erro, com habilidade e sensibilidade. Afinal, somos humanos e erramos. Já disse outras vezes, considero o erro, e o que se faz com ele, o tema mais fascinante, porque lida com a maior das humanidades, a imperfeição.

Não bastasse a regra geral da exigência por resultados no ambiente da produção ou por não decepcionar as pessoas mais próximas, o mundo moderno ainda amplifica o erro, cria novas possibilidades de exposição. Os memes na internet são implacáveis com o erro. Como se viu no episódio do goleiro Cidão, de atuação desastrada por seu time domingo passado, mas escolhido o melhor em campo por votação na internet, e que ainda foi exposto a receber troféu em rede nacional. Os memes são associados a uma cultura mais espontânea, espirituosa, imaginosa, bem-humorada de quem usa a internet. No caso de Cidão, deu-se por uma interação que se revelava inocente, solicitada pela rede de televisão que transmitia o jogo. Os participantes liberaram seu lado mais ácido, e deu no que deu, em um massacre ao erro, com humilhação de quem errou em rede nacional. Meme faz parte, e é bom, como toda liberdade de expressão. Pelo sim, pelo não, recomenda-se avaliar o efeito. Afinal, há pessoas do outro lado, e pessoas que erram. Aliás, todas erram.

Cidão reagiu bravamente. Recolheu-se a seu drama pessoal, buscando forças para superá-lo. O que fazer diante de alguém que erra é com cada um. Sugere-se prudência, e colocar-se no lugar do outro.

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