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Opinião08/03/2019 | 14h00Atualizada em 08/03/2019 | 14h00

Nivaldo Pereira: da lama ao caos

Num futuro próximo, chamaremos esse tempo de "anos loucos"

Nivaldo Pereira: da lama ao caos Luan Zuchi/
Foto: Luan Zuchi
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Em março, águas do degelo nórdico fecham o inverno, águas tropicais fecham o verão sulino, águas piscianas fecham o zodíaco. É tempo de dissolver tudo para um novo ciclo surgir, em Áries. Mas, quisera que o necessário processo de dissolução de limites ficasse restrito ao mês da passagem do Sol por Peixes! Netuno, o brumoso regente desse signo, está aí desde 2012 – e fica até 2026. Um longo tempo de águas reais e simbólicas derretendo tudo, espalhando lama e veneno, instaurando histeria e caos, manipulações e falseamentos, entre desilusões e anseios por uma nova ordem.

Num futuro próximo, chamaremos esse tempo de “anos loucos”. Anos em que o mundo esteve como que enfeitiçado, preferindo o absurdo à realidade. Anos em que os fatos perderam para as crenças pessoais e a verdade sucumbiu ao mito. O jornal El País sintetiza o fenômeno que define nossa época: “desconfiar dos dados, enaltecer a subjetividade, rejeitar o que nos contradiz e acreditar em falsidades”. É como uma doença coletiva em que os infectados negassem os sintomas. E loucos serão sempre os outros, os diferentes.

Quem vai nos tirar dessa? O tema do salvador é inerente a Netuno. Já notou que os super-heróis dominam como nunca as salas de cinema? Na real, é tempo de falsos messias e de manipuladores da fé alheia. É tempo de impostores, e todo cuidado é pouco. O desencanto com um mundo em colapso também reaviva nostalgias de ideologias passadas, agora recriadas com escárnio. Perigo, perigo!

O Brasil, virginiano “nascido” a 7 de setembro, vem vivendo com mais intensidade esse delírio histérico nos anos de 2018 e 2019, ápices da oposição de Netuno ao Sol do país. Basta conferir o noticiário. Mas esse trânsito traz também um propósito positivo: dissolver as velhas estruturas virginianas de identidade, firmadas em cima de distinções e exclusões. Um país é seu povo, certo? Ao menos, deveria ser. Netuno desmascara as seculares estruturas de poder que negam o povo e o condenam à opressão. O Brasil está nu.

Convém assumir: estamos na lama. E lembrar que da lama se pode moldar um novo país.

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