Ciro Fabres: descamisados - Pioneiro

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Opinião26/12/2018 | 07h59Atualizada em 26/12/2018 | 07h59

Ciro Fabres: descamisados

A tradição cristã conta que o Menino Jesus nasceu em uma estrebaria

Está crescendo o número demoradores de rua em Caxias do Sul. No último levantamento, em novembro, eram 400. Salta aos olhos. É uma sensação visual e social, os endereços proliferam. Nos últimos anos, Porto Alegre foi inundada por moradores de rua. Tornaram-se milhares, um exército. Como abordá-los, formar vínculo com eles é trabalho para os órgãos de assistência social, mas também para a solidariedade, palavra tão ao gosto de novos padrões de comportamento. Solidariedade que deve ser irrestrita, e se dar na prática.

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A tradição cristã conta que o Menino Jesus nasceu em uma estrebaria. Esta circunstância estabelece uma ponte direta entre a mensagem cristã e a humildade. Não são raras as pregações que ressaltam a necessidade de se reconhecer Cristo na face dos mais humildes e necessitados. É a mais absoluta verdade. Está neles a face de Cristo. Nesse agrupamento de pessoas, estão os moradores de rua, submetidos ao desabrigo, a carências materiais agudas, a toda sorte de mazelas, à violência. Condição a que muitos chegam, entre outras causas, a partir do desencanto existencial.

Vivem em estrebarias urbanas, ou nem isso. Nesse grupo dos mais humildes e necessitados também estão os papeleiros, personagens que se incorporaram faz anos às ruas das cidades. Exercem uma atividade digna, importante, essencial, mas salta aos olhos a precarização do trabalho, as condições desumanas em que o exercem. Há, por certo, outros perfis de pessoas e trabalhadores que se encaixam no grupo dos mais humildes e necessitados. Mas moradores de rua e papeleiros são a face mais visível nas cidades.

Ainda ecoa o Natal. Nesta época, naquela reflexão que se dá pelas frestas, que em algum momento se infiltra no pensamento, sobre qual é, afinal de contas, o significado do Natal, devem estar lá os mais humildes e necessitados. Um jargão político muito empregado até pouco tempo sintetizava-os na expressão "descamisados", uma síntese de fácil compreensão e visibilidade. Entre ceias, presentes e a confraternização em família, deve ganhar espaço o compromisso pessoal com os descamisados.

Ao longo de todo o ano, de cada dia. Desagradável e inconveniente, dirão alguns, ou muitos. O que se há de fazer? Neles, está evidenciada a face de Cristo. "Mudança" foi escolhida pelos brasileiros como a palavra do ano em 2018. De fato, há um sentimento de mudança no ar que se materializou em escolhas políticas. Mudança que precisa ser também, e fundamentalmente, de atitude, de não descansarmos enquanto não se estabelecerem entre nós condições menos desiguais e mais solidárias entre as pessoas. Todas as pessoas.

Ainda são ecos de mais um Natal.

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