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Copa do Mundo04/06/2014 | 17h01

Medalhas comemorativas da Copa de 1950 foram cunhadas em Caxias do Sul

Peça e molde estavam perdidos no acervo da antiga metalúrgica Gazola

Medalhas comemorativas da Copa de 1950 foram cunhadas em Caxias do Sul Roni Rigon/Agencia RBS
Peça, confeccionada em bronze, teria sido feita para presentear autoridades e figuras do futebol na época Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

O que Caxias do Sul tem a ver com a Copa do Mundo de 1950? Há algumas semanas atrás, nada. Mas duas relíquias encontradas na antiga metalúrgica Gazola entre os dias 15 e 20 de maio ligam a cidade a uma parte da história daquele Mundial.

O primeiro objeto, encontrado pelo estudante de História Peterson Alexandre Santos, 23 anos, foi uma medalha comemorativa da Copa de 1950. Ela estava perdida na gaveta de uma mesa de desenho, no galpão do antigo setor de ferramentaria. A descoberta foi por acaso: o rapaz faz estágio no acervo da antiga fábrica, que é tombado pela prefeitura de Caxias do Sul, e procurava peças com algum valor histórico para limpar, catalogar e anexar ao futuro museu que será aberto no local.

_ Na hora, achei que se tratava de uma medalha feita para algum campeonato com os times locais, sei lá. Nunca pensei que fosse uma peça feita para a Copa do Mundo _ conta Peterson.

Depois de limpa e lustrada, a medalhinha revelou suas duas faces famosas: de um lado, a imagem de um pé chutando uma bola (reprodução do cartaz oficial da Copa) e a frase "IV Campeonato Mundial de Futebol"; na outra, a imagem de um estádio, com os dizeres "Rio de Janeiro" e "Estádio Municipal".

Mas foi o nome gravado na lateral da medalha — GAZOLA — que fez com que Peterson e a historiadora Maria de Fátima Valentini Canevese, sócia da indústria que comprou o prédio da antiga Gazola e curadora do acervo, desconfiassem da origem do objeto.

A confirmação de que as medalhas foram cunhadas em Caxias do Sul, na metalúrgica Gazola, também veio por acaso, cinco dias depois. Depois de recolherem várias peças abandonadas no pátio da antiga fábrica, Peterson, o colega de estágio Ronaldo de Borba Duarte, e Maria de Fátima encontraram um molde redondo, cuja face era idêntica à da medalha.

— Na hora, quando remexia nas peças, eu identifiquei a face da bola e tive a sensação de que havíamos achado algo muito importante. Depois que a matriz foi limpa, fiquei emocionada. Foi a prova de que essa medalha foi mesmo feita aqui — afirma Maria de Fátima.

A finalidade, quantidade e de quem veio o pedido para se confeccionarem as medalhas em Caxias do Sul ainda são informações desconhecidas. De acordo com a historiadora, o trabalho de pesquisa sobre as peças vai prosseguir em documentos e na busca pela outra parte do molde, que pode estar perdido dentro do complexo, com mais de 28 mil metros quadrados.

Enquanto não aparecem novas descobertas, as peças serão guardadas como relíquias, em um cofre. A medalha e o molde ganharão lugar de destaque no futuro museu da Gazola.

_ Tenho certeza de que foi um bom presságio, principalmente porque foi achada agora, às vésperas da Copa. Poderíamos ter achado depois ou mesmo nunca ter encontrado nada. Aquela Copa foi um trauma muito grande. Mas agora tenho certeza que vai ser diferente. Acho que é um sinal de que algo bom vai acontecer _ profetiza Maria de Fátima.

De acordo com pesquisadores do Museu do Futebol, localizado em São Paulo, era comum na época presentear com medalhas. Há suspeita de que as medalhas possam ter sido confeccionadas pela prefeitura do Rio de Janeiro ou mesmo pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) para presentear dirigentes, autoridades, chefes de delegações e até capitães de seleções visitantes.

 
 
 
 
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