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Assalto e troca de tiros30/12/2012 | 10h34Atualizada em 30/12/2012 | 15h10

Pelo menos sete reféns ainda estão desaparecidos após assalto em Cotiporã

Polícia segue a busca pelos criminosos

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Pelo menos sete reféns ainda estão desaparecidos após assalto em Cotiporã Ronaldo Bernardi/Agência RBS
Elisandro Falcão, foragido número 1 do Estado, foi morto em tiroteio Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS
Humberto Trezzi (texto) e Ronaldo Bernardi (fotos), de Cotiporã

Mais de 120 PMs palmilham as densas matas da região entre Cotiporã e Veranópolis, na Serra, à procura dos remanescentes do bando de Elisandro Falcão, foragido morto em tiroteio com policiais na madrugada de hoje. A Brigada Militar mobilizou tropas de elite — os Batalhões de Operações Especiais (BOE) — de Caxias do Sul, Passo Fundo e Porto Alegre atrás da quadrilha. O motivo é que os bandidos fugiram com sete reféns, que ainda estão desaparecidos.

Desses, dois reféns moram na área urbana de Cotiporã e os demais são agricultores que foram pegos numa casa na colônia e levados dentro de um Astra e um Audi pelos bandidos. Os reféns seriam dois homens, quatro mulheres e uma criança. Os ocupantes dos veículos trocaram tiros duas vezes com PMs. Os carros foram inutilizados pelos tiros e abandonados, mas os quadrilheiros conseguiram fugir junto com os sete escudos humanos.

É certo que os 4 mil habitantes de Cotiporã nunca viram algo igual. A noite de sábado, agradável, convidava a uma cerveja e por isso um dos bares situados no centro da pequena localidade serrana permaneceu aberto. Eram 2h quando um bandido, de touca negra e fuzil, entrou na lancheria e rendeu os clientes. Mais de 30 pessoas que bebericavam ali ou jogavam boliche foram feitas de reféns.

Ao saírem, com mãos na cabeça, os reféns viram que existiam bandidos por toda a praça Maurício Cardoso, a principal da cidade. Uns ficavam perto da Igreja Matriz, outros próximo à fábrica de joias Guindani — alvo prioritário da quadrilha — e também em cada esquina próxima ao templo. Transformados em escudos humanos, os homens que bebiam no bar foram obrigados a tirar camisas e sapatos. As mulheres, apenas os calçados. Isso foi feito para constrangê-los e impedir tentativas de fuga. Todos tiveram também de deixar celulares, chaves e dinheiro dentro de sacolas trazidas pelos bandidos.

Confira entrevista feita com G, 21 anos, um dos rapazes que bebia no bar e foi ferido com estilhaços de projéteis de fuzil:

Zero Hora — Assim que vocês foram feitos reféns, o que os bandidos fizeram?

G. — Tentaram nos tranquilizar. Diziam: "Viemos aqui buscar nossas joias, não temos nada contra vocês". Mas quem consegue ficar tranquilo numa situação assim?

ZH — Aí eles explodiram a fábrica de joias?

G. — Isso. Usaram uns explosivos que parecem velas moles (emulsão de nitrato de amônia e TNT). Tiraram de mochilas e levaram dentro da fábrica. Soubemos depois que grudaram nos cofres e explodiram. Avisaram para a gente se abaixar...Foram umas 10 explosões, parecia que o mundo tava vindo abaixo.

ZH — O que aconteceu em seguida?

G. — Botaram eu e mais uns cinco na caçamba da caminhonete, sem camisa, no vento. A dona da caminhonete foi obrigada a dirigir. Foi um comboio de três veículos, estrada afora. Aí, numa curva, cruzaram com uma viatura da BM e dispararam, de surpresa. Foi um monte de tiro. Um Astra com bandidos e reféns escapou. O Audi e a nossa Strada ficaram bloqueados pela viatura. Aí foi grito, ameaça, mais tiro. Tudo no escuro. Um dos bandidos levou um monte de disparos e morreu ao meu lado. Os estilhaços pegaram na minha mão. Achei que ia morrer...mas não era minha hora (G. começa a chorar...)

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