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Só as beldades09/02/2012 | 13h30

Drama da Revolução Francesa abre o 62º Festival de Berlim

Atrizes Léa Seydoux, Diane Kruger, Virginie Ledoyen estrelam longa "Les Adieux à la Reine"

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Drama da Revolução Francesa abre o 62º Festival de Berlim JOHANNES EISELE/AFP
Da esquerda para direita, a francesa Lea Seydoux, a alemã Diane Kruger e a francesa Virginie Ledoyen em Berlim Foto: JOHANNES EISELE / AFP

O drama de época Les Adieux à la Reine (Farewell My Queen), ambientado às vésperas da Revolução Francesa e estrelado por Diane Kruger como Maria Antonieta, vai abrir o 62° Festival de Berlim nesta quinta-feira. A atriz hollywoodiana nascida na Alemanha lidera um elenco francês que inclui Lea Seydoux, que participou no sucesso de Woody Allen do ano passado Meia-noite em Paris, e Virginie Ledoyen, mais conhecida internacionalmente por seu papel em A Praia, com Leonardo DiCaprio. Dirigido pelo francês Benoit Jacquot, o filme conta a história das agitadas últimas horas no Palácio de Versalhes do ponto de vista dos servos.

A co-produção franco-hispânica é uma das 18 obras concorrendo ao prêmio principal do Urso de Ouro no festival alemão, que tem um viés político este ano. O diretor do festival, Dieter Kosslick, disse que escolheu o filme para a abertura em parte pelo paralelo que constrói com as atuais revoluções, incluindo a Primavera Árabe e o movimento Occupy contra a má distribuição de renda.

– Faz um ano que Hosni Mubarak (líder egípcio) foi tirado do poder e eu desconfio que as últimas 48 horas que outros ditadores tiveram não tenham sido muito diferentes daquelas de Maria Antonieta – comentou.

Filmado em Versalhes, ao sul de Paris, a obra é uma adaptação do premiado romance homônimo de Chatal Thomas.

Jacquot afirmou que Kruger, que fala francês com um sotaque alemão sutil ao longo da história, foi a escolha mais óbvia para dar vida à condenada monarca nascida na Áustria.

– Eu queria uma estrangeira e Diane tinha raízes similares às da rainha, assim como ela, é loura e tem quase a mesma idade – por volta de 35 anos, disse. Mas, acima de tudo, Krueger tinha "um desejo tão ardente pelo papel que foi irresistível para mim."

O Urso de Ouro do ano passado ficou com o drama familiar iraniano A Separação, de Asghar Farhadi, que também levou os prêmios de atuação e este ano foi indicado para dois Oscars. Farhadi integra o júri deste ano, liderado pelo diretor inglês Mike Leigh e que inclui atores como Jake Gyllenhaal, Charlotte Gainsbourg e Barbara Sukowa, além do fotógrafo Anton Corbijn, o diretor Francois Ozon e o autor Boualem Sansal. Leigh disse que a responsabilidade de ser um membro do júri é muito pesada.

– Sabemos que nossas decisões poderão afetar o futuro dos filmes e de seus produtores – disse em uma coletiva de imprensa.

Ele declarou acreditar que o domínio hollywoodiano do cinema mundial está começando a se atenuar e parabenizou festivais como o de Berlim, Cannes e Veneza, por serem "à prova de Hollywood".

– Há o cinema mundial e há Hollywood, e eu sinto, pessoalmente, pela primeira vez, que o primeiro pode se tornar um pouco mais confiante e o abismo da inevitável dominação de Hollywood pode estar diminuindo.

Meryl Streep receberá o Urso de Ouro honorário pelo conjunto de sua carreira e o festival exibirirá seus principais trabalhos, culminando em um exibição de gala da biografia de Margaret Thatcher A Dama de Ferro. Angelina Jolie vai apresentar sua estreia como diretora, In the Land of Blood and Honey, um drama bósnio sobre o estupro sendo usado como arma de guerra, e participará de um debate após a exibição.

Também está concorrendo o vencedor de 2007 Wang Quan'an, que vai exibir o épico chinês imperial White Deer Plain, baseado em "um dos romances mais controversos da literatura chinesa moderna," afirmou Kosslick.

O premiado bestseller de Chen Zhongshi narra a luta por sobrevivência de gerações de famílias da zona rural antes da ascensão do comunismo.

O ator e produtor americano Billy Bob Thornton, que ganhou um Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por sua estreia como diretor, "Na Corda Bamba", de 1996, vai exibir o drama Jayne Mansfield's Car. Além disso, documentários sobre a Primavera Árabe e o desastre nuclear em Fukushima, no Japão, serão exibidos nas mostras paralelas.

No entanto, o festival também contará com produções mais leves, incluindo o drama britânico Bel Ami, do galã de Crepúsculo Robert Pattinson, sobre um jovem que manipula as mulheres mais ricas de Paris - interpretadas por Uma Thurman, Kristin Scott Thomas e Christina Ricci - para concretizar suas ambições. O filme será exibido fora da premiação.

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